O que é restaking e por que ele está ganhando destaque?

O conceito de restaking vem ganhando força no ecossistema cripto, especialmente em plataformas que oferecem novas possibilidades de segurança, rendimento e interoperabilidade para tokens já em staking. A ideia central é permitir que tokens previamente bloqueados para validação de redes sejam reutilizados como garantia em outros protocolos. Essa prática está se consolidando como uma das principais inovações da Ethereum com o EigenLayer — e agora, o Bitcoin entra no jogo.

Lombard e EigenLayer: união estratégica para o Bitcoin

A plataforma de restaking líquido Lombard anunciou uma parceria com a Eigen Foundation, responsável pelo desenvolvimento do EigenLayer, para integrar o token LBTC — uma versão staked do Bitcoin — ao ecossistema de restaking da Ethereum.

Com isso, o Bitcoin, que tradicionalmente ficava fora dos sistemas de staking e restaking por ser uma rede Proof of Work, agora começa a ganhar utilidade em aplicações DeFi (finanças descentralizadas), elevando seu potencial de capital produtivo dentro do universo Web3.

Como funciona o LBTC na prática?

O LBTC é uma representação tokenizada e lastreada em Bitcoin real, que pode ser utilizada dentro da rede Ethereum como colateral para protocolos de staking, segurança de redes descentralizadas e geração de rendimento. A integração com o EigenLayer permitirá que esse token seja usado em camadas adicionais de segurança, contribuindo para o fortalecimento de outras blockchains e serviços baseados em Ethereum.

O que isso representa para o futuro do Bitcoin?

Essa parceria é um marco no processo de integração entre o Bitcoin e o universo DeFi. Por muito tempo, o BTC foi considerado uma reserva de valor estática, pouco utilizada em aplicações dentro da Ethereum. Agora, com soluções como a da Lombard, abre-se um novo capítulo: o do Bitcoin produtivo.

Além disso, essa integração amplia o alcance do EigenLayer como solução de restaking interchain, conectando ainda mais blockchains de diferentes arquiteturas e propósitos.

Bitcoin e o futuro do restaking

A colaboração entre Lombard e EigenLayer coloca o Bitcoin diretamente na vanguarda da inovação DeFi. Com o avanço do restaking líquido, os detentores de BTC ganham novas formas de gerar rendimento, participar de novos modelos de governança e fortalecer a infraestrutura de Web3.

A medida também indica uma crescente tendência de convergência entre os principais ativos digitais e protocolos de segunda camada, evidenciando que o futuro da criptoeconomia será cada vez mais interconectado.

O que foi anunciado e de onde vem o rendimento

A parceria foi anunciada em 28 de abril de 2025. No comunicado da Lombard, a empresa diz que o LBTC se torna o primeiro ativo de bitcoin aceito no ecossistema de restaking do EigenLayer e descreve o token como um bitcoin em staking líquido nativo da Ethereum, pensado para ser usado em aplicações, de forma parecida com o stETH para o ether.

O rendimento vem de duas camadas. A primeira é o staking do bitcoin no protocolo Babylon, que paga uma recompensa base. A segunda é o restaking no EigenLayer, em que o LBTC ajuda a dar segurança a serviços chamados AVSs (serviços validados de forma autônoma, como oráculos, pontes e redes de dados) e recebe recompensas por isso. Segundo a Lombard, o EigenLayer tinha na época mais de 190 AVSs em desenvolvimento, 40 deles já na rede principal, mais de 2.000 operadores registrados e mais de 80 mil endereços em staking.

Os riscos que vêm junto com o rendimento extra

Cada camada de rendimento acrescenta uma camada de risco. O detentor de LBTC depende do custodiante e do mecanismo que mantém o lastro em bitcoin, dos contratos na Ethereum e das regras de penalidade (slashing) dos serviços que ele ajuda a proteger. Se um operador se comportar mal, parte do valor em restaking pode ser cortada. A própria Lombard informou que ela e o EigenLayer ainda estavam estudando formas de gerenciar o risco de slashing, o que mostra que esse desenho não estava pronto no lançamento.

Atualização (setembro de 2026): em abril de 2026, o rsETH, token de restaking líquido da KelpDAO, foi alvo de um ataque de cerca de US$ 292 milhões em sua ponte entre redes, e o prejuízo se espalhou para o Aave, que aceitava o token como garantia. O caso não envolveu o LBTC, mas mostra na prática como tokens de restaking dependem de infraestrutura que vai além do próprio bitcoin.

Como fica o imposto para quem está no Brasil

Trocar bitcoin por LBTC não é neutro para a Receita Federal. Nas Perguntas e Respostas do IRPF 2026, a Receita afirma que o ganho na troca direta de uma criptomoeda por outra é tributável, avaliado em reais pelo valor de mercado na data da operação. Ou seja, converter BTC com lucro em LBTC pode gerar imposto mesmo sem passar pelo real.

Além disso, operações feitas por plataforma descentralizada precisam ser informadas na DeCripto quando o volume mensal passar de R$ 35 mil, conforme a IN RFB 2.291/2025. E ativos negociados ou custodiados por instituições no exterior entram na regra das aplicações financeiras no exterior, com tributação anual de 15%. Quem prefere evitar essa complexidade pode manter o bitcoin em autocustódia, sem rendimento, e declarar conforme o guia de imposto de renda do bitcoin.

Perguntas frequentes

O que é o LBTC da Lombard?

É um token na Ethereum que representa bitcoin em staking pelo protocolo Babylon. Com a parceria anunciada em 28 de abril de 2025, ele passou a ser o primeiro ativo de bitcoin aceito no restaking do EigenLayer.

Quanto rende o restaking de bitcoin com LBTC?

A Lombard não divulgou uma taxa fixa no anúncio. O rendimento combina a recompensa base do Babylon com recompensas do EigenLayer, e varia conforme os serviços protegidos e as condições de cada protocolo.

Trocar BTC por LBTC gera imposto no Brasil?

Pode gerar. A Receita Federal trata a troca direta de uma criptomoeda por outra como alienação, e o ganho deve ser apurado em reais pelo valor de mercado na data da troca.

Leia também: Staking de criptomoedas: como funciona e quanto rende


Antes de você sair

Quanto você paga pra comprar bitcoin? A taxa que a corretora anuncia não é o custo real: falta o spread do livro e o ágio sobre o preço de fora. A gente mede isso todo dia em seis corretoras e publica o ranking — veja quanto custa hoje.

Vai abrir conta em alguma? Juntamos os bônus de cadastro que valem a pena em uma página só, com o que cada um exige pra liberar — veja os bônus.

Uma vez por semana, no seu e-mail. O que aconteceu no bitcoin e o que muda pra quem tem cripto no Brasil, sem hype — assine a newsletter.

Cartão Kast: ganhe bônus em dólar, aceito em qualquer lugar e sem IOF
Cobre o noticiário diário de criptomoedas no BTCnizando: mercado, regulação, ETFs e dados on-chain. Apuração rápida com revisão editorial da equipe.