Em março de 2025, com o bitcoin abaixo de US$ 80 mil e o mercado cripto em queda, Larry Fink, CEO da BlackRock, fez um alerta sobre a economia dos Estados Unidos: as políticas nacionalistas do governo Donald Trump devem manter a inflação elevada. Semanas depois, na carta anual aos acionistas, ele voltou a citar o bitcoin, desta vez como um risco ao papel do dólar. Abaixo, o que Fink disse de fato e o contexto daquele momento.

Correção (setembro de 2026): a versão anterior deste texto afirmava que a BlackRock havia vendido sua posição em bitcoin. Não encontramos registro disso em comunicados da empresa nem na imprensa. O texto foi corrigido.

O alerta de Larry Fink sobre a inflação

Falando na conferência CERAWeek, em Houston, em 10 de março de 2025, Fink disse que a inflação americana deve ficar elevada por causa de políticas nacionalistas, como a deportação de trabalhadores imigrantes, que reduz a oferta de mão de obra. Segundo a Reuters, ele afirmou que os mercados estavam subestimando esse risco e que haveria novos aumentos de custos nos seis a nove meses seguintes.

Para ativos de risco, como o bitcoin, inflação mais alta costuma significar juros altos por mais tempo, o que reduz o apetite dos investidores.

O bitcoin na carta anual de 2025

Na carta anual de 2025 aos acionistas, publicada no fim de março, Fink escreveu que, se os EUA não controlarem a dívida e os déficits, o país corre o risco de perder para ativos digitais como o bitcoin a posição que o dólar ocupa hoje. A mesma carta defende a tokenização de ativos financeiros como uma das grandes mudanças do mercado.

O alerta, portanto, não foi contra o bitcoin. Foi sobre o risco fiscal dos EUA, com o bitcoin citado como alternativa que investidores podem passar a ver como mais segura que o dólar.

A BlackRock vendeu bitcoin?

Não há registro de que a BlackRock tenha decidido vender sua exposição a bitcoin. A gestora administra o iShares Bitcoin Trust (IBIT), ETF que guarda bitcoin em nome dos cotistas. Quando há resgates de cotas, o fundo entrega ou vende bitcoin para pagar os investidores que saem, e essas movimentações aparecem na blockchain. Isso reflete decisões dos cotistas do ETF, não uma saída da BlackRock do ativo.

O contexto: recessão e juros nos EUA

O alerta de Fink veio num momento de incerteza sobre a economia americana. O Goldman Sachs estimava então em 20% a chance de recessão nos EUA em 12 meses e, no fim de março, elevou a estimativa para 35%, citando as tarifas de importação, segundo a Fortune.

No Federal Reserve, o presidente Jerome Powell disse em discurso de 7 de março de 2025 que o banco central não precisava ter pressa para mexer nos juros e estava bem posicionado para esperar mais clareza sobre os efeitos das novas políticas do governo.

O que isso significa para o investidor de cripto

Inflação persistente, risco de recessão e juros sem previsão de corte formam um cenário difícil para ativos de risco. Em momentos assim, o bitcoin tende a oscilar mais, e parte dos investidores reduz exposição ou usa estratégias de proteção.

Ao mesmo tempo, a carta de Fink mostra que a maior gestora do mundo trata o bitcoin como ativo relevante no debate sobre o futuro do dólar. Para quem investe no Brasil, a lição é separar o que foi dito de fato do que circula nas redes: vale sempre procurar a fonte original, como a carta da BlackRock ou a reportagem da agência, antes de tomar uma decisão.

Perguntas frequentes

O que Larry Fink disse sobre o bitcoin em 2025?

Na carta anual de 2025, ele escreveu que os EUA podem perder para ativos digitais como o bitcoin a posição do dólar se não controlarem a dívida e os déficits.

A BlackRock vendeu seus bitcoins em março de 2025?

Não há registro disso. O IBIT, ETF de bitcoin da BlackRock, compra e vende bitcoin conforme as aplicações e os resgates dos cotistas.

Por que a inflação afeta o preço do bitcoin?

Inflação mais alta tende a manter os juros elevados por mais tempo, o que encarece o dinheiro e reduz a procura por ativos de risco, como as criptomoedas.


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Contadora e editora-chefe do BTCnizando. Especialista em tributação de criptomoedas pela Faculdade Trevisan. Ajuda brasileiros a declarar Bitcoin no IR com segurança.