O Fundo Monetário Internacional (FMI) incluiu o Bitcoin na nova edição do seu manual de estatísticas do balanço de pagamentos, o BPM7, classificando-o como ativo não financeiro não produzido, ou seja, um ativo sem passivo de contrapartida. É uma mudança técnica de como os países registram criptoativos em suas estatísticas. O manual não chama o Bitcoin de “ouro digital” nem o trata como reserva internacional.

Atualização histórica: o que é o manual BPM7 do FMI?

Em 20 de março de 2025, o FMI publicou a minuta da sétima edição do seu manual de Balanço de Pagamentos e Posição de Investimento Internacional (BPM7), documento que orienta governos e bancos centrais sobre como medir, classificar e registrar fluxos econômicos internacionais.

Pela primeira vez, ativos digitais como Bitcoin, CBDCs e dinheiro eletrônico ganham espaço oficial nesse manual, refletindo a crescente digitalização das finanças globais.

FMI inclui Bitcoin no manual BPM7 como ativo não financeiro: o que muda


Bitcoin não representa dívida de ninguém, diz o FMI

Segundo o texto técnico, o Bitcoin é um ativo não financeiro não produzido, o que significa que ele possui valor próprio, mas não nasce de uma dívida, contrato ou emissão estatal. Isso o diferencia de moedas fiduciárias ou dinheiro eletrônico, que são considerados passivos de um emissor.

Na prática, a categoria de ativo não financeiro não produzido é a mesma usada para itens como terrenos e recursos naturais. É daí que vem a comparação feita por analistas com ativos escassos e sem contraparte, mas trata-se de uma classificação estatística, não de um endosso do Bitcoin como reserva de valor.

Bitcoin nas estatísticas globais: um novo status

Com o BPM7, o FMI passa a incluir criptoativos nas estatísticas oficiais internacionais. Plataformas de negociação de criptomoedas também entram no radar da análise econômica — como agentes que prestam serviços financeiros digitais sem intermediar ativos diretamente.

Essa mudança evidencia um amadurecimento: o Bitcoin e seus pares deixam de ser marginalizados e passam a compor o debate institucional sobre o futuro da economia digital global.

FMI pode incluir Bitcoin no SDR?

Circularam nas redes rumores de que o FMI poderia incluir o Bitcoin no SDR (Direitos Especiais de Saque), a cesta de moedas que hoje reúne dólar, euro, yuan, iene e libra. Não há proposta oficial nesse sentido: a cesta do SDR é composta por moedas de países-membros, e a mudança no BPM7 trata apenas de classificação estatística.

O FMI chamou o Bitcoin de “ouro digital”? Não

O termo “ouro digital” é usado por defensores do Bitcoin como Michael Saylor e Max Keiser, mas não aparece como classificação do FMI. O manual trata o Bitcoin como ativo não financeiro, enquanto o ouro monetário mantido por bancos centrais continua em outra categoria, a de ativo de reserva.

Para os investidores, a novidade mostra que o Bitcoin passou a ser tratado como um ativo relevante o suficiente para ter regra própria nas estatísticas oficiais, mas não é um aval do FMI à tese de reserva de valor.

Mercado reage com otimismo moderado

Apesar da novidade institucional, o preço do Bitcoin segue em fase de consolidação. Após atingir máximas históricas no início de 2025, o ativo passou por correções técnicas, atualmente cotado a cerca de US$ 83.900, com valor de mercado de US$ 1,66 trilhão.

Dados do Binance Futures mostram que 60,52% dos traders estão posicionados em long (alta), sugerindo que muitos esperam uma reversão positiva se o preço ultrapassar os US$ 88 mil.


📊 Indicadores do Mercado

  • Preço atual (21/03/2025): US$ 83.898,28
  • Capitalização de mercado: US$ 1,66 trilhão
  • Volume negociado (24h): US$ 25,60 bilhões
  • Posição dominante no mercado: #1

Analistas divididos: correção ou novo ciclo de alta?

Enquanto uns veem a retração como sinal de fraqueza, outros analistas, como Ali Martinez, apontam que essa é uma fase natural de consolidação dentro de um ciclo de alta mais longo. A crescente adoção institucional e a inclusão do Bitcoin em manuais de órgãos como o FMI são citadas como fundamentos para uma retomada.

O que isso muda para o investidor e para os governos?

A nova classificação tem efeitos práticos principalmente estatísticos:

  • Para governos: exige a atualização das métricas econômicas e fiscais.
  • Para bancos centrais: impõe reflexões sobre reservas internacionais e competição com moedas digitais soberanas (CBDCs).
  • Para investidores: dá mais transparência sobre o peso dos criptoativos nas contas externas, sem mudar regras de investimento ou de tributação.

Conclusão: o futuro é digital e descentralizado

A inclusão no BPM7 marca um passo importante para o Bitcoin no sistema estatístico internacional: os países passam a ter um padrão comum para registrar criptoativos.

Isso não equivale a reconhecer o Bitcoin como ouro digital nem como moeda de reserva: é uma regra de contabilidade, que pode servir de base para discussões futuras de política monetária e contabilidade pública.


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Contadora e editora-chefe do BTCnizando. Especialista em tributação de criptomoedas pela Faculdade Trevisan. Ajuda brasileiros a declarar Bitcoin no IR com segurança.