Por Rafael Monteiro
Conteúdo informativo sobre criptomoedas. Não é recomendação de investimento.
A reeleição de Lula, confirmada no segundo turno deste domingo, 25 de outubro de 2026, já entrou no radar de quem investe em criptomoedas. Segundo a Portal do Bitcoin, um analista do Mercado Bitcoin, maior exchange nacional, avalia que a incerteza sobre as contas públicas no novo mandato tende a aumentar a procura por Bitcoin e por stablecoins. A leitura é simples: quando o investidor desconfia da trajetória da dívida e do câmbio, ele busca ativos fora do alcance direto do governo. Para o brasileiro que já tem BTC na carteira, ou que pensa em comprar o primeiro satoshi, a pergunta prática é outra: o que a reeleição de Lula muda no imposto, na regulação e no preço do dólar que define quanto o Bitcoin vale em reais.
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Por que a conta fiscal pesa sobre o Bitcoin em reais
O argumento do analista ouvido pela publicação parte de um fato que o mercado acompanha há anos: o governo Lula convive com a desconfiança sobre o cumprimento do arcabouço fiscal e sobre o ritmo de crescimento da dívida pública. Com a reeleição, essa discussão não termina. Ela se renova, porque o novo mandato precisa definir orçamento, metas e eventuais medidas de arrecadação para 2027 em diante.
Quando o investidor estrangeiro e o grande investidor local enxergam risco fiscal, o efeito costuma aparecer em dois lugares: o dólar sobe e os juros futuros ficam mais altos. Para quem tem Bitcoin, isso cria um movimento curioso. O preço do BTC em dólar depende do mercado global, mas o preço em reais depende também do câmbio. Se o dólar sobe 5% e o Bitcoin fica parado em dólar, a posição do brasileiro sobe 5% em reais. É por isso que, em momentos de estresse doméstico, o Bitcoin funciona como uma espécie de seguro cambial para o investidor local, mesmo sem nenhuma novidade no mercado internacional.
O contrário também vale. Juros altos tornam o Tesouro Selic e o CDB mais atraentes, e parte do dinheiro que entraria em cripto fica na renda fixa. A disputa entre esses dois efeitos é o que vai definir o comportamento do investidor brasileiro nos próximos meses.
Stablecoins: o dólar digital que o brasileiro já usa
A menção a stablecoins na análise não é detalhe. No Brasil, as moedas digitais atreladas ao dólar, como USDT e USDC, já respondem pela maior parte do volume movimentado em criptoativos, segundo dados reiterados pela própria Receita Federal nos últimos anos. O brasileiro usa stablecoin para dolarizar parte da reserva sem abrir conta no exterior, para pagar fornecedores e para fugir da volatilidade do próprio Bitcoin.
Com incerteza fiscal, essa demanda tende a crescer, porque a stablecoin resolve um problema específico: ela protege do câmbio sem expor o investidor às oscilações do BTC. Mas há um ponto que muda a conversa em 2026. Desde fevereiro, as regras do Banco Central para prestadoras de serviços de ativos virtuais passaram a tratar operações com stablecoins como operações de câmbio. Na prática:
- Comprar e vender stablecoin em exchange autorizada no Brasil passa a ser registrado como fluxo cambial, com mais rastreabilidade.
- Transferências para carteiras no exterior entram no radar das regras de capitais internacionais.
- A exchange precisa de autorização do Banco Central para operar, o que elimina parte dos intermediários informais.
Ou seja, a procura por stablecoins pode aumentar, mas ela acontece dentro de um ambiente muito mais vigiado do que o de 2022, quando Lula venceu a eleição anterior.
Reeleição de Lula e Bitcoin: o que muda no IRPF e na Receita Federal
Para o investidor pessoa física, o impacto mais concreto de um governo em busca de receita é tributário. Vale lembrar o que já está em vigor e o que pode voltar à mesa.
Hoje, o ganho de capital na venda de criptomoedas é tributado em alíquotas progressivas que começam em 15% e chegam a 22,5% para ganhos acima de R$ 30 milhões. Vendas de até R$ 35 mil por mês, somando todas as criptomoedas, continuam isentas. Essa isenção foi alvo direto do governo em 2025, com a Medida Provisória 1.303, que propunha alíquota única de 17,5% e o fim da faixa isenta. A MP perdeu a validade em outubro de 2025 depois que a Câmara a retirou de pauta. Com a reeleição, e com a necessidade de fechar as contas de 2027, é razoável esperar que a proposta reapareça em algum formato, seja por projeto de lei, seja embutida em uma reforma mais ampla.
No lado da fiscalização, o jogo já mudou. A Receita Federal substituiu a antiga Instrução Normativa 1.888 pela DeCripto, que amplia o reporte obrigatório de exchanges nacionais e passa a alcançar também prestadoras estrangeiras que atendem brasileiros. O cruzamento de dados entre o que a exchange informa e o que o contribuinte declara fica mais fino. Para quem declara no IRPF, isso significa:
- Manter o registro de cada compra, com data, quantidade e valor em reais, inclusive de stablecoins.
- Apurar e pagar o imposto pelo DARF até o último dia útil do mês seguinte à venda com lucro acima da faixa isenta.
- Informar criptoativos acima de R$ 5 mil na ficha de bens e direitos, com os códigos específicos para Bitcoin, altcoins e stablecoins.
- Lembrar que ganhos em exchanges estrangeiras e em autocustódia seguem a regra da Lei 14.754, com alíquota de 15% sobre rendimentos no exterior.
A lição é objetiva. Se a tese do analista do Mercado Bitcoin se confirmar e mais gente migrar para cripto como proteção, essa gente estará entrando em um sistema em que a Receita enxerga quase tudo. A proteção contra o risco fiscal não é proteção contra o Fisco.
Banco Central, CVM e exchanges: o que esperar do novo mandato
O primeiro mandato do atual governo foi o período em que o Brasil, enfim, regulou o setor. A Lei 14.478, de dezembro de 2022, criou o marco legal. O Banco Central foi designado regulador em 2023 e publicou em novembro de 2025 as resoluções que detalham autorização, governança e segregação patrimonial das exchanges. A CVM manteve a competência sobre tokens que se enquadram como valores mobiliários e já atuou em casos de ofertas irregulares.
Com a continuidade do governo, a tendência é de continuidade regulatória, e isso tem implicações práticas para quem usa exchange nacional:
- As plataformas precisam estar autorizadas pelo Banco Central ou em processo de autorização, o que reduz o risco de quebra sem lastro, como ocorreu em casos anteriores no país.
- A segregação patrimonial, exigida pelas novas regras, separa o dinheiro do cliente do caixa da empresa.
- A CVM deve seguir vigilante com tokens de renda fixa, cotas tokenizadas e produtos que prometem rendimento, área em que os golpes se multiplicam em períodos de juros altos.
Há também o Drex, o projeto de moeda digital do Banco Central, que foi redesenhado em 2025 para focar em infraestrutura de ativos tokenizados em vez de uma moeda de varejo. Um segundo mandato tende a dar sequência a esse desenho, sem concorrer diretamente com Bitcoin ou stablecoins, mas aproximando o sistema financeiro tradicional da tokenização.
O risco para o investidor não está em regulação demais, mas em mudança abrupta de regras tributárias, como a tentativa de 2025 mostrou. Esse é o ponto que liga diretamente a eleição ao bolso.
O que observar daqui para frente
A reeleição por si só não mexe no preço do Bitcoin, que é definido globalmente. O que mexe é a reação do mercado brasileiro às sinalizações do novo mandato. Vale acompanhar, nesta ordem:
- Câmbio nos primeiros dias após a eleição. O dólar é o termômetro mais rápido do humor fiscal. Se ele sobe, o Bitcoin em reais sobe junto, mesmo que fique estável em dólar.
- Anúncios da equipe econômica sobre 2027. Meta fiscal, corte de gastos ou novas fontes de receita definem se a incerteza apontada pelo analista do Mercado Bitcoin vira fato ou fica no discurso.
- Nova proposta de tributação de cripto. Qualquer projeto que retome a lógica da MP 1.303 muda o cálculo de quem opera com volume abaixo de R$ 35 mil por mês.
- Fluxo de stablecoins nas exchanges nacionais. Com as novas regras cambiais, esse dado tende a ficar mais transparente e mostra se o brasileiro está dolarizando.
- Autorizações do Banco Central. A lista de exchanges autorizadas é o filtro mais importante para decidir onde manter o saldo em reais e em cripto.
Para quem já investe, o momento pede menos reação ao noticiário e mais organização: carteira registrada, imposto em dia e exchange regular. Para quem pensa em entrar, a tese de proteção faz sentido, mas ela exige entender que o Bitcoin oscila mais do que o dólar e que a stablecoin, embora estável, agora é uma operação de câmbio aos olhos do regulador.
Perguntas frequentes
Por que o analista do Mercado Bitcoin acredita que a reeleição de Lula pode aumentar a procura por Bitcoin?
Segundo a análise publicada pelo Portal do Bitcoin após o segundo turno de 25 de outubro de 2026, a incerteza sobre as contas públicas no novo mandato tende a levar investidores a buscar ativos fora do controle direto do governo. Bitcoin e stablecoins cumprem esse papel, o primeiro como reserva de valor e as segundas como proteção cambial.
A reeleição de Lula muda o imposto sobre criptomoedas em 2026?
Não de imediato. A regra em vigor mantém alíquotas de 15% a 22,5% sobre ganhos e isenção para vendas de até R$ 35 mil por mês. O governo tentou acabar com essa isenção pela MP 1.303 em 2025, que perdeu a validade em outubro daquele ano, e pode retomar a proposta no novo mandato.
Stablecoins continuam sendo uma boa proteção cambial depois das regras do Banco Central?
Elas seguem funcionando como dólar digital, mas desde fevereiro de 2026 as operações com stablecoins em exchanges autorizadas são tratadas como câmbio. Isso aumenta a rastreabilidade e exige que a plataforma seja autorizada pelo Banco Central, sem alterar a proteção contra a desvalorização do real.
Quem usa exchange nacional precisa fazer algo diferente após a eleição?
Não há obrigação nova ligada à eleição. O que vale é verificar se a exchange está autorizada ou em processo de autorização no Banco Central, manter o registro de operações para a DeCripto da Receita Federal e acompanhar possíveis propostas de mudança na tributação de criptoativos a partir de 2027.
O btcnizando cobre bitcoin, regulação e tributação de cripto no Brasil, com foco em quem investe daqui.
