O Bitcoin, maior criptomoeda do mundo, passará por uma atualização crucial em outubro de 2025. A proposta, que já foi aprovada pela comunidade e testada por desenvolvedores do Bitcoin Core, permitirá que transações armazenem até 4MB de dados, dobrando o limite anteriormente aceito por transação padrão.

Nota da redação (atualização de setembro de 2026): parte das previsões deste texto, publicado em junho de 2025, não se confirmou como descrita. A mudança chegou com o Bitcoin Core 30.0, lançado em 10 de outubro de 2025, e alterou uma regra de política de retransmissão dos nós para saídas OP_RETURN (dados embutidos em transações). Não foi um soft fork, não mexeu no consenso e as notas oficiais não falam em 4MB por transação. Os detalhes estão na seção “O que de fato mudou no Bitcoin Core 30”, mais abaixo.

O Que Muda com a Atualização?

A mudança será possível graças a uma melhoria técnica relacionada à eficiência na serialização de dados e no uso de testemunhas seguras (witnesses) introduzidas com o SegWit (Segregated Witness).

Atualmente, o limite padrão é de 1MB por transação, com exceções em casos especiais como o uso de Taproot ou Ordinals. Com a nova estrutura, transações poderão carregar até 4MB, o que deve abrir novas possibilidades para aplicações como:

  • NFTs na rede Bitcoin (via Ordinals)
  • Contratos inteligentes básicos
  • Batching de transações institucionais
  • Uso de dados on-chain para identidades e certificações

Impacto na Escalabilidade e nas Taxas

Especialistas argumentam que essa mudança não significa necessariamente maior congestão da rede, já que o novo limite não aumenta diretamente o tamanho dos blocos, mas sim a quantidade de dados armazenáveis por transação individual. Isso pode representar:

  • Redução de taxas para grandes transações agrupadas (batching)
  • Novas aplicações com uso de dados ancorados no Bitcoin
  • Impulso ao uso de protocolos como RGB e Ordinals

“Thoughtful continual evolution is key to Bitcoin’s long‑term value proposition.”, disse Jameson Lopp, defensor da descentralização.

Por Que Essa Atualização É Considerada “Histórica”?

Desde a implementação do SegWit em 2017 e do Taproot em 2021, essa é a maior alteração de lógica de transação do Bitcoin. O uso inteligente da estrutura de witnesses permite armazenar metadados com menor impacto no peso dos blocos.

Essa mudança também aumenta o apelo do Bitcoin para desenvolvedores, ao permitir funcionalidades mais próximas das blockchains de contratos inteligentes, sem abrir mão da segurança e imutabilidade que tornaram o Bitcoin referência mundial.

O Que Vem a Seguir?

A atualização já está incluída na versão 27.0 do Bitcoin Core, e sua ativação está prevista para outubro, dependendo da adesão dos nós e mineradores.

Se o consenso for mantido, o novo padrão entrará em vigor via soft fork, ou seja, não será necessária uma divisão de rede (hard fork), mantendo o histórico de atualizações conservadoras e seguras do Bitcoin.

Um Novo Capítulo para o Bitcoin

A atualização de outubro de 2025 promete ser um marco importante. Ao permitir transações com até 4MB de dados, o Bitcoin amplia seu leque de funcionalidades.

Embora o BTC ainda seja criticado por sua limitação em termos de dApps e contratos inteligentes, movimentos como este mostram que a rede está longe de estar estagnada.

O que de fato mudou no Bitcoin Core 30

Segundo as notas oficiais de lançamento do Bitcoin Core 30.0, o parâmetro -datacarriersize, que limita quantos bytes de dados arbitrários um nó aceita retransmitir e minerar em saídas OP_RETURN, passou a ter como padrão 100.000 bytes. Na prática, isso remove o teto, porque o limite de tamanho máximo de uma transação padrão é atingido antes.

Duas outras mudanças vieram juntas. Transações com várias saídas OP_RETURN passaram a ser aceitas para retransmissão e mineração, e o limite passou a valer para a soma dos dados de todas essas saídas na mesma transação. Antes, o padrão era de 83 bytes, e o próprio release informa que quem quiser voltar ao comportamento antigo pode configurar -datacarriersize=83 no seu nó.

A diferença entre política e consenso é central aqui. Consenso são as regras que definem se um bloco é válido para toda a rede; mudar isso exige soft fork ou hard fork. Política é o filtro que cada nó aplica ao que aceita retransmitir antes de a transação entrar em um bloco. Transações com OP_RETURN grande já eram válidas pelo consenso e podiam ser mineradas quando chegavam diretamente a um minerador. O Core 30 apenas deixou de barrá-las na retransmissão padrão.

Por que a mudança gerou polêmica

O tema dividiu a comunidade ao longo de 2025. Críticos viam a remoção do limite como um incentivo ao uso da rede para guardar dados não financeiros, como imagens e textos, disputando espaço nos blocos com pagamentos. Em 6 de junho de 2025, 30 colaboradores do Bitcoin Core, entre eles Pieter Wuille, Ava Chow, Anthony Towns e Gloria Zhao, publicaram uma declaração sobre a política de retransmissão defendendo a abordagem.

O argumento dos desenvolvedores tinha três pontos. Primeiro, a retransmissão deveria refletir o que os mineradores de fato incluem nos blocos, o que melhora a estimativa de taxas e a propagação de blocos. Segundo, filtrar transações que pagam taxa apenas empurra os usuários para canais diretos com mineradores, o que tende a concentrar a mineração. Terceiro, cada operador continua livre para escolher o software e a configuração que quiser. O texto deixa claro que isso não significa endossar o uso de dados não financeiros, e sim aceitar que um sistema resistente à censura será usado para fins com os quais nem todos concordam.

O que isso muda para quem tem bitcoin no Brasil

Para quem só guarda ou negocia bitcoin, nada muda no saldo nem na forma de usar a moeda. Como não houve divisão da rede, não surgiu nenhum novo ativo e não há evento tributário ligado à atualização. Quem roda um nó próprio pode manter a versão anterior ou ajustar o parâmetro, sem risco de ficar fora da rede.

Na declaração, a regra segue a mesma: bitcoin vai na ficha Bens e Direitos, grupo 08, código 01, pelo custo de aquisição, quando esse custo for de pelo menos R$ 5 mil. Vendas de até R$ 35 mil por mês em exchange nacional são isentas; acima disso, o ganho paga de 15% a 22,5%. O passo a passo está no nosso guia de como declarar bitcoin no imposto de renda.

Perguntas frequentes

A atualização de outubro de 2025 foi um soft fork?

Não. A mudança do Bitcoin Core 30.0 alterou apenas a política padrão de retransmissão de saídas OP_RETURN. As regras de consenso, que definem se um bloco é válido, continuaram iguais.

Existe um limite novo de 4MB por transação?

As notas oficiais do Bitcoin Core 30.0 não mencionam 4MB por transação. O que mudou foi o padrão de dados em OP_RETURN, de 83 bytes para 100.000 bytes, na prática limitado pelo tamanho máximo de uma transação padrão.

Preciso fazer algo com os bitcoins que tenho na corretora ou na carteira?

Não. Saldo, endereços e chaves continuam válidos. A mudança só afeta quem opera um nó, que pode escolher a versão e a configuração, inclusive voltar ao limite antigo com -datacarriersize=83.

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