A Trump Media and Technology Group (DJT), empresa ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, firmou nesta terça-feira (26) uma parceria estratégica com a Crypto.com. O acordo inclui a integração da criptomoeda Cronos (CRO) e da infraestrutura de carteira digital da exchange na rede social Truth Social.
Além disso, foi anunciada a criação da Trump Media Group CRO Strategy Inc., uma nova companhia dedicada à gestão de tesouraria em ativos digitais. A empresa será listada nos Estados Unidos sob o ticker MCGA — sigla para Make CRO Great Again.
A maior detentora de CRO do mundo
De acordo com o CEO da Crypto.com, Kris Marszalek, a nova companhia deterá aproximadamente 6,4 bilhões de tokens CRO, avaliados em cerca de US$ 1 bilhão, tornando-se a maior tesouraria corporativa já formada em torno da criptomoeda.
O projeto terá ainda um montante inicial de US$ 200 milhões em caixa para novas aquisições de tokens, com aportes adicionais que podem elevar esse valor a US$ 420 milhões, além de uma linha de crédito de US$ 5 bilhões para sustentar futuras compras.
Marszalek descreveu o acordo como “um dia histórico para a CRO”, destacando que o objetivo da iniciativa é criar um efeito volante: quanto mais tokens adquiridos, maior a capacidade de captar recursos e expandir as compras.
Planos de integração e recompensas
O acordo também prevê a implementação de um programa de recompensas dentro da Truth Social, onde usuários poderão converter “gemas” da plataforma em tokens CRO. Futuramente, será possível usar a criptomoeda para pagar assinaturas e serviços com desconto.
Segundo comunicado, a Trump Media vai investir cerca de US$ 105 milhões em CRO, equivalente a aproximadamente 2% da capitalização de mercado do token. Em contrapartida, a Crypto.com comprará US$ 50 milhões em ações da Trump Media, fortalecendo ainda mais a aliança.
A empresa de Trump ainda informou que pretende custodiar seus ativos em parceria com a Crypto.com, visando gerar receitas adicionais através da gestão compartilhada.
Conclusão
Com essa parceria, a Trump Media e a Crypto.com não apenas ampliam a utilidade do CRO dentro de uma grande plataforma social, como também criam a maior tesouraria corporativa já registrada para o token. O movimento pode abrir espaço para novos investidores institucionais e reforçar a posição do CRO como uma das principais criptomoedas do mercado.
Como funciona uma empresa de tesouraria em token
O modelo anunciado seguia a lógica que ficou popular entre empresas listadas em 2025: uma companhia aberta capta dinheiro no mercado, com ações, dívida ou linhas de crédito, e usa esses recursos para comprar e manter um criptoativo no balanço. A promessa ao acionista é dar exposição ao token por meio de uma ação negociada em bolsa, e o “efeito volante” citado por Marszalek depende de a ação valer mais do que os tokens que a empresa guarda, o que facilita novas captações.
O risco está no sentido inverso. Se o preço do token cai ou o apetite do mercado diminui, a captação fica mais cara, e a estrutura perde a capacidade de seguir comprando. No caso da CRO Strategy, havia ainda a dependência de uma única exchange, a Crypto.com, que é ao mesmo tempo emissora do ecossistema do token, parceira comercial e compradora de ações da Trump Media.
O que aconteceu com a Trump Media Group CRO Strategy
Atualização (setembro de 2026): a operação não saiu do papel. Em 7 de agosto de 2026, Crypto.com, Trump Media e Yorkville anunciaram em comunicado conjunto que decidiram, de comum acordo, encerrar a combinação de negócios que criaria a Trump Media Group CRO Strategy. As empresas citaram as “condições de mercado predominantes” e a mudança de prioridades de negócio e dos acionistas. Segundo o texto, todas as discussões e trabalhos sobre a estrutura de tesouraria em ativos digitais foram formalmente concluídos.
No mesmo comunicado, as três partes desistiram da parceria para que a Crypto.com prestasse serviços a futuros ETFs da Yorkville America, que manteve seus planos próprios de fundos. No dia seguinte, 8 de agosto, veio um segundo anúncio: a integração direta dos mercados de previsão da Crypto.com à Truth Social foi substituída por um acordo de marketing. Kevin McGurn, CEO interino da Trump Media, disse que o novo formato se alinha melhor às prioridades da empresa, que passou a focar receitas da Truth Social, o negócio de mídia e a conclusão da fusão com a TAE.
O que isso significa para quem tem CRO no Brasil
Para o investidor brasileiro, o caso mostra que anúncios de tesouraria corporativa podem mexer no preço de um token no curto prazo sem que a estrutura prometida chegue a existir. Antes de comprar por causa de uma notícia assim, vale checar se a operação depende de etapas ainda não concluídas, como aprovação de acionistas ou a conclusão de uma combinação de negócios.
Na declaração, CRO entra na ficha Bens e Direitos, grupo 08, código 02 (altcoins), pelo custo de aquisição, quando esse custo chega a R$ 5 mil. Como a Crypto.com é uma exchange estrangeira, ganhos com tokens custodiados lá seguem a Lei 14.754/2023: 15% na declaração anual, sem a isenção de R$ 35 mil por mês que vale para exchanges nacionais. O guia de imposto sobre criptomoedas detalha as duas situações.
Perguntas frequentes
A tesouraria de CRO da Trump Media foi criada?
Não. Em 7 de agosto de 2026, Crypto.com, Trump Media e Yorkville anunciaram o encerramento, de comum acordo, da combinação de negócios que criaria a Trump Media Group CRO Strategy.
A parceria entre Crypto.com e Truth Social acabou?
Foi reduzida. Em 8 de agosto de 2026, as empresas trocaram a integração direta dos mercados de previsão da Crypto.com na Truth Social por um acordo de marketing voltado aos usuários da rede social.
Quem compra CRO na Crypto.com tem isenção de IR no Brasil?
Não. Criptoativos custodiados em exchange estrangeira são tratados como aplicação no exterior pela Lei 14.754/2023, com 15% sobre o ganho na declaração anual e sem isenção mensal.
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