Redação btcnizando
Conteúdo informativo sobre criptomoedas. Não é recomendação de investimento.
Desde julho de 2026, o Mercado Bitcoin cobra uma taxa de inatividade de quem mantém conta parada por tempo prolongado. A medida segue uma tendência que já existe em corretoras de valores e bancos tradicionais, mas pegou muita gente de surpresa no universo cripto. Se você tem saldo esquecido no MB, este guia explica exatamente quanto custa a taxa de inatividade do Mercado Bitcoin, quando ela passa a valer e, principalmente, o que fazer para não perder dinheiro parado.
In this article
- O que é a taxa de inatividade e quanto o MB cobra
- Quando a cobrança começa e quem está sujeito
- Como evitar a taxa de inatividade do Mercado Bitcoin
- Impacto no Imposto de Renda e cuidados com a Receita Federal
- Essa prática é exclusiva do Mercado Bitcoin?
- O que observar daqui para frente
- Perguntas frequentes
Segundo o btcnizando, a página oficial da exchange lista a cobrança, mas não detalha de forma clara como o investidor pode se proteger. É justamente essa lacuna que vamos preencher aqui, com um passo a passo prático que vale guardar nos favoritos.
O que é a taxa de inatividade e quanto o MB cobra
A taxa de inatividade é uma cobrança periódica que a exchange aplica sobre contas que ficam sem qualquer movimentação durante um período determinado. A lógica da plataforma é simples: manter uma conta aberta tem custo operacional (compliance, armazenamento de dados, obrigações regulatórias com a Receita Federal e o Banco Central), e a exchange repassa parte desse custo para quem não movimenta a conta.
Conforme divulgado pelo Mercado Bitcoin em julho de 2026, a cobrança funciona da seguinte forma:
- A taxa é mensal e incide sobre o saldo em reais ou em criptoativos custodiados na plataforma.
- A cobrança só começa depois de um período contínuo sem nenhuma operação na conta (compra, venda, depósito ou saque).
- O valor é descontado automaticamente do saldo disponível. Se o saldo for inferior ao valor da taxa, ele é consumido integralmente.
- Contas com saldo zerado não são cobradas, mas podem ser encerradas após inatividade prolongada.
O ponto mais importante: a taxa não é cobrada uma única vez. Ela se repete mês a mês enquanto a conta continuar parada. Isso significa que um saldo pequeno pode ser completamente corroído em poucos meses se você não tomar providências.
Quando a cobrança começa e quem está sujeito
A contagem do período de inatividade se inicia a partir da última movimentação registrada na conta. Qualquer operação válida zera o relógio: uma compra de R$ 1 em bitcoin, um saque de stablecoin, até mesmo um depósito em reais.
Três cenários comuns em que investidores são pegos desprevenidos:
- O investidor que comprou no ciclo de alta e esqueceu. Quem entrou em 2024 ou 2025, comprou uma fração de BTC e não mexeu mais, pode já estar dentro do período de carência ou prestes a entrar.
- O curioso que só fez cadastro. Se você criou conta, depositou reais para testar e acabou não comprando nada, aquele saldo em reais parado está sujeito à cobrança assim que o prazo de inatividade for atingido.
- O investidor que migrou para outra exchange. Quem passou a operar na Binance, Foxbit, Coinbase ou em carteira própria, mas deixou uma “poeira” de criptoativos no MB, corre o risco de ver esse saldo encolher sem perceber.
A recomendação é verificar sua conta no MB hoje. Mesmo que você não pretenda operar, saber se há saldo residual evita surpresas.
Como evitar a taxa de inatividade do Mercado Bitcoin
Existem basicamente quatro caminhos, do mais simples ao mais definitivo:
- Fazer qualquer movimentação dentro do prazo. A forma mais direta é realizar uma operação antes que o período de inatividade se complete. Uma compra mínima de cripto já é suficiente para reiniciar a contagem. É a solução para quem quer manter a conta aberta sem custo.
- Sacar todo o saldo. Se você não pretende usar o MB no curto prazo, transferir seus reais de volta para a conta bancária e enviar seus criptoativos para uma carteira própria (ou outra exchange) elimina a base de cálculo da taxa. Conta com saldo zero não gera cobrança.
- Converter saldo em reais para cripto e sacar para carteira própria. Se o saldo em reais for pequeno demais para justificar um TED, uma alternativa é convertê-lo em bitcoin ou outra cripto e enviar para sua carteira pessoal. Atenção: essa operação tem taxa de rede (fee de mineração ou gas), então avalie se o custo compensa.
- Encerrar a conta. Se você tem certeza de que não vai voltar a usar a plataforma, solicitar o encerramento da conta é o caminho definitivo. Antes de encerrar, saque tudo. O MB é obrigado a permitir a retirada integral dos seus ativos.
Uma dica que pouca gente menciona: se você tem saldo em vários criptoativos de valor irrisório (os chamados “dust” ou poeira), o custo de sacar cada um individualmente pode superar o próprio saldo. Nesses casos, verifique se o MB oferece alguma funcionalidade de conversão de poeira para um ativo principal, como BTC ou a stablecoin da plataforma. Caso não ofereça, pode fazer mais sentido aceitar a perda desse saldo residual do que gastar com taxas de rede para resgatá-lo.
Impacto no Imposto de Renda e cuidados com a Receita Federal
Aqui entra um ponto que os concorrentes ignoraram ao cobrir essa notícia. A taxa de inatividade tem implicações fiscais que o investidor brasileiro precisa considerar.
Primeiro, a obrigação de declarar. A Instrução Normativa 1.888/2019 da Receita Federal obriga exchanges nacionais a reportar todas as operações dos seus clientes. Isso inclui saldos mantidos em 31 de dezembro de cada ano. Se você tem cripto parada no MB, ela precisa constar na sua declaração de IRPF na ficha de Bens e Direitos, independentemente do valor.
Segundo, a redução de saldo provocada pela taxa de inatividade pode gerar uma inconsistência se não for tratada corretamente. Se em dezembro de 2025 você declarou, por exemplo, 0,005 BTC custodiados no Mercado Bitcoin, e ao longo de 2026 parte desse saldo foi consumida pela taxa, o valor declarado em dezembro de 2026 será menor. Essa diferença precisa ser justificada. A taxa de inatividade não é um ganho de capital, mas sim um custo ou despesa, e deve ser registrada como tal para evitar questionamentos da Receita.
Na prática, o ideal é:
- Guardar todos os comprovantes de cobrança da taxa (extratos do MB servem como documento).
- Registrar a redução de saldo na declaração anual.
- Se o valor consumido pela taxa for relevante, considerar incluí-lo como custo de custódia na apuração do custo de aquisição do ativo, o que pode reduzir eventual ganho de capital tributável numa venda futura.
Não existe ainda orientação específica da Receita Federal sobre como classificar a taxa de inatividade de exchanges. O mais seguro é tratá-la como despesa vinculada à custódia do ativo e manter a documentação organizada caso haja fiscalização.
Essa prática é exclusiva do Mercado Bitcoin?
Não. Corretoras de valores mobiliários como XP, Clear e Rico já aplicam taxas de inatividade há anos. No setor bancário, a cobrança de tarifas por conta parada também é comum. No universo cripto, exchanges internacionais como Kraken e Bitstamp já adotaram modelos semelhantes no passado.
No Brasil, o Mercado Bitcoin foi uma das primeiras grandes exchanges a formalizar essa cobrança. Mas, à medida que a regulação avança (o marco legal das criptomoedas de 2023 e a regulamentação do Banco Central que está em andamento aumentam os custos de compliance para todas as plataformas), é razoável esperar que outras exchanges brasileiras sigam o mesmo caminho.
Para o investidor, o recado é claro: tratar exchange como cofre de longo prazo, sem monitoramento, tem um custo crescente. A autocustódia (manter seus próprios criptoativos em carteira pessoal, de preferência uma hardware wallet) continua sendo a alternativa mais alinhada com a filosofia original do bitcoin, e agora também a mais barata para quem não opera com frequência.
O que observar daqui para frente
Três pontos merecem atenção nos próximos meses:
- Outras exchanges podem adotar taxas semelhantes. Acompanhe os termos de uso das plataformas onde você tem conta. Mudanças costumam ser comunicadas por e-mail, mas nem sempre são lidas.
- A regulamentação do Banco Central pode padronizar esse tipo de cobrança. A normatização em andamento para prestadores de serviços de ativos virtuais (VASPs) pode criar regras uniformes sobre taxas, prazos e transparência.
- A Receita Federal pode emitir orientação sobre tratamento fiscal. Com a popularização dessas cobranças, é possível que surjam perguntas frequentes ou instruções específicas no Perguntão do IRPF sobre como declarar a taxa de inatividade.
Se você tem conta no Mercado Bitcoin ou em qualquer outra exchange, o melhor momento para verificar seus saldos é agora. Evitar a taxa é simples, desde que você não deixe para depois.
Perguntas frequentes
A taxa de inatividade do Mercado Bitcoin é cobrada mesmo se eu tiver apenas criptoativos, sem saldo em reais?
Sim. A taxa incide sobre qualquer saldo custodiado na plataforma, seja em reais ou em criptoativos. Se o seu saldo em reais for insuficiente, a cobrança pode recair sobre os ativos digitais. Por isso, mesmo quem zerou o saldo em reais, mas deixou frações de bitcoin ou altcoins, está sujeito à cobrança após o período de inatividade.
Fazer login na conta do Mercado Bitcoin já conta como atividade para evitar a taxa?
Não necessariamente. O que zera a contagem de inatividade é uma operação financeira registrada: compra, venda, depósito ou saque. Apenas acessar a conta ou consultar saldo normalmente não é considerado movimentação para fins dessa política. Verifique os termos atualizados do MB para confirmar quais ações são aceitas.
Preciso declarar a taxa de inatividade do Mercado Bitcoin no Imposto de Renda?
A taxa em si não é um evento tributável como ganho de capital, mas ela reduz o saldo dos seus ativos. Essa variação precisa ser refletida na sua declaração anual de IRPF. Guarde os extratos do MB que comprovem a cobrança, pois eles servem como justificativa para a diferença de saldo entre um ano e outro perante a Receita Federal.
Compensa sacar criptoativos do Mercado Bitcoin para evitar a taxa de inatividade?
Depende do valor envolvido. Se o saldo custodiado for superior às taxas de saque e de rede (fee de mineração), vale a pena transferir para uma carteira própria. Se o saldo for muito pequeno (poeira), o custo de saque pode superar o que você perderia com a taxa de inatividade. Faça a conta antes de decidir: compare o custo total de saque com a projeção de quanto a taxa consumiria ao longo dos meses.
O btcnizando cobre bitcoin, regulação e tributação de cripto no Brasil, com foco em quem investe daqui.
