A SOL Strategies, empresa canadense de capital aberto, anunciou que estuda transformar as próprias ações ordinárias em tokens na blockchain Solana, por meio da plataforma Opening Bell, da Superstate. O projeto partiu de um memorando não vinculante e, quando foi divulgado, nenhuma ação havia sido tokenizada. A iniciativa marca um passo relevante na integração entre cripto e mercado de capitais tradicional, com foco em liquidez 24/7, redução de custos intermediários e maior acesso a investidores globais.

O que significa a tokenização de ações

Tokenização de ações é o processo de representar títulos de uma empresa em formato de token digital, mantendo o mesmo direito sobre o ativo sob a forma de contrato. No caso da Solana, o token é emitido na rede SPL, padrão compatível com carteiras e protocolos de DeFi.

Para o investidor, isso significa:

– Acesso mais rápido à compra e venda de ações, em horário contínuo, sem fechamento de mercado.
– Liquidação potencialmente mais rápida, com menos barreiras de intermediários.

Teoricamente, o modelo ainda precisa cumprir as mesmas regras de titularidade e direitos de voto, mas com a lógica de contrato codificada na blockchain.

Por que a Solana foi escolhida

A Solana aparece como cadeia de escolha para esse tipo de experimento por vários motivos:

– Transações rápidas e baratas, o que reduz custo de execução para operações de quantidade pequena.
– Infraestrutura de custódia, exchanges descentralizadas e protocolos de liquidez já consolidados.
– Forte narrativa de “capital markets on-chain”, com foco em instituições e não só em retail.

Para o Brasil, isso é interessante porque abre possibilidade futura de uso de blockchain para ativos de renda variável, especialmente em contextos de assets de alta liquidez.

Quais riscos estão em jogo

Ainda é cedo para dizer que a tokenização substituirá as bolsas tradicionais, mas os riscos em aberto já são claros:

– Dependência de contratos inteligentes e oráculos de preço, com risco de exploits técnicos.
– Conciliação entre reguladores de mercado de capitais e frameworks de cripto ainda em construção.
– Correlação entre preço de token e preço da ação real, com possibilidade de divergências por liquidez concentrada em canais de cripto.

Para o investidor brasileiro, o ponto chave é entender que a vantagem não está em “ganhar mais”, mas em ter acesso, custo, rapidez e transparência diferentes, com risco de custódia e regulatório que ainda não está totalmente definido.

O que esperar em 2026

Em 2026, o cenário provável para ações tokenizadas é:

– Experimentos pontuais, como o da SOL Strategies, ganhando notoriedade mas sem substituir o core de mercado de ações.
– Criação de padrões de auditoria, compliance e report de titularidade que sigam a legislação de mercado de capitais.
– Entrada de novos players cripto que tentem pegar parcela de comissão hoje paga a corretoras, bancos e registradores.

Para quem lida com cripto e finanças, o grande takeaway é acompanhar essas iniciativas de perto, sem antecipar totalmente a adoção de ações tokenizadas, mas também sem ignorar a tendência de on‑chain de ativos tradicionais.

Como começou a parceria com a Superstate

A iniciativa tem origem em um memorando de entendimento não vinculante assinado em 25 de abril de 2025 entre a SOL Strategies e a Superstate, empresa de tecnologia financeira comandada por Robert Leshner. Segundo o comunicado da SOL Strategies, divulgado em 8 de maio de 2025, a Superstate forneceria a plataforma e a infraestrutura para a emissão de tokens que representam ações ordinárias da empresa, negociáveis na Solana por meio do Opening Bell.

O próprio comunicado era cauteloso. Na época, a empresa afirmou que nenhuma ação estava sendo tokenizada ainda, que não havia plano de emitir tokens derivativos, que ainda não havia conversado com reguladores de valores mobiliários nem com a bolsa canadense CSE e que não havia garantia de que o projeto sairia da fase exploratória. A CEO Leah Wald disse que ações tokenizadas listadas seriam uma evolução natural dos mercados de capitais e que a rede Solana seria a base ideal para isso.

Na época do anúncio, as ações da SOL Strategies eram negociadas na CSE, sob o código HODL, e no mercado de balcão americano OTCQB, como CYFRF.

O que é o Opening Bell

O Opening Bell foi apresentado pela Superstate em maio de 2025 como uma plataforma para emitir e negociar diretamente na blockchain ações registradas na SEC, começando pela Solana. A diferença em relação a outros produtos de ações tokenizadas é importante: em vez de um token que apenas acompanha o preço de uma ação guardada por um intermediário, a proposta é que o próprio registro de acionistas reconheça o dono do token como acionista.

Na visão de Leshner, com o Opening Bell as ações passariam a ser totalmente transferíveis, programáveis e integradas a DeFi. Na prática, isso abre a possibilidade de usar ações como garantia em protocolos, negociar fora do horário de pregão e liquidar operações quase em tempo real, desde que as regras de valores mobiliários permitam.

O mercado de ações tokenizadas na Solana em maio de 2026

O movimento da SOL Strategies acontece em um momento de crescimento do segmento. Segundo o resumo mensal do ecossistema publicado pela Solana, em maio de 2026 a rede concentrava 97% do volume acumulado de negociação à vista de ações tokenizadas on-chain, o número de detentores de ações tokenizadas passou de 200 mil pela primeira vez e o ecossistema de ativos do mundo real (RWA) superou US$ 2,8 bilhões em valor.

Os números mostram que a demanda existe, mas também que o mercado ainda é pequeno perto das bolsas tradicionais. Para quem avalia esses produtos, vale separar tokens emitidos pela própria empresa, como propõe o modelo da Superstate, de tokens criados por terceiros que apenas acompanham o preço de uma ação.

Como fica o investidor brasileiro diante das ações tokenizadas

No Brasil, a regra geral é que o formato não muda a natureza do ativo. A CVM, pelo Parecer de Orientação nº 40, de 2022, entende que um token que representa um valor mobiliário, como uma ação, está sujeito à regulação do mercado de capitais. Por isso, ofertas de ações tokenizadas para o público brasileiro precisam seguir as regras da CVM, e plataformas que ofereçam esses produtos sem autorização são um sinal de alerta.

Na declaração de Imposto de Renda, as Perguntas e Respostas do IRPF 2026 da Receita Federal orientam que tokens vinculados a ativos reais ou direitos, como ações, sejam informados no Grupo 08, código 99 (outros criptoativos), com tipo, quantidade e local de custódia. Se o token estiver custodiado ou for negociado por instituição no exterior, os ganhos seguem a Lei 14.754/2023, com 15% na declaração anual.

Perguntas frequentes

A SOL Strategies já tokenizou suas ações na Solana?

Quando a parceria foi anunciada, em maio de 2025, a empresa informou que nenhuma ação estava sendo tokenizada e que o projeto era exploratório. A iniciativa com a Superstate prevê a emissão de tokens que representam ações ordinárias na Solana por meio do Opening Bell.

O que diferencia o Opening Bell de outros tokens de ações?

A proposta da Superstate é emitir e negociar diretamente na blockchain ações registradas na SEC, com o token reconhecido como a própria ação, e não apenas como um derivativo que acompanha o preço.

Como declarar ações tokenizadas no Imposto de Renda?

Segundo a Receita Federal, tokens vinculados a ações entram no Grupo 08, código 99, com tipo, quantidade e local de custódia na discriminação. Se o token estiver no exterior, os ganhos seguem as regras de aplicações financeiras no exterior.

Leia também: O que é tokenização


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