O almirante dos EUA Samuel Paparo, que em 2024 chamava criptomoedas de ameaça à segurança global, agora roda um nó Bitcoin pelo Comando Indo-Pacífico dos Estados Unidos. A revelação ocorreu em 21 de abril de 2026, durante audiência no Senado americano.
Do ceticismo à operação de um nó Bitcoin
Em fevereiro de 2024, Paparo afirmou ao Senado que a opacidade das criptomoedas facilitava terrorismo e tráfico ilícito. Portanto, a mudança de postura surpreende analistas e entusiastas do setor. Em apenas dois anos, a linguagem oficial de Washington migrou de “patologia” para “protocolo”.
O almirante dos EUA nó Bitcoin não é apenas simbólico. Ele representa uma virada institucional dentro do aparelho de defesa americano. Além disso, o INDOPACOM é o comando responsável pela contenção chinesa no Pacífico — uma das regiões geopoliticamente mais sensíveis do planeta.
Contexto geopolítico: China e o yuan digital
A mudança ocorre num cenário de disputa tecnológica com a China. A plataforma mBridge, liderada por Pequim, processou US$ 55,5 bilhões em transações transfronteiriças. O yuan digital representa 95% desse volume. Consequentemente, o INDOPACOM passou a enxergar o Bitcoin como ferramenta de contra-pressão estratégica.
Por outro lado, Washington não abandonou a linha dura contra usos ilícitos de cripto. Hackers norte-coreanos roubaram US$ 2,8 bilhões em ativos digitais entre janeiro de 2024 e setembro de 2025. Entretanto, a resposta do governo agora diferencia redes abertas de atores maliciosos.
As bases legislativas da nova política
A mudança foi construída sobre uma sequência de decisões. Em janeiro de 2025, uma ordem executiva protegeu o acesso a redes blockchain públicas. Em março de 2025, o governo criou uma Reserva Estratégica de Bitcoin, tratando o ativo de forma similar ao ouro. Em julho de 2025, o GENIUS Act foi aprovado como instrumento de segurança nacional. Em abril de 2026, o Tesouro propôs novas regras de AML para o setor.
Como o governo categoriza o ecossistema cripto
A política atual bifurca o setor em camadas distintas. Redes blockchain públicas recebem proteção de infraestrutura. O Bitcoin recebe tratamento de ativo soberano estratégico. Stablecoins são enquadradas dentro de uma lente de segurança nacional. O restante do mercado permanece sob escrutínio de conformidade.
Assim, o almirante dos EUA nó Bitcoin sinaliza que a adoção institucional de Bitcoin não é mais um debate apenas financeiro. Em contrapartida, críticos alertam que qualquer incidente ligado à Coreia do Norte ou a ransomware poderia reverter esse enquadramento rapidamente.
O que muda para o mercado
Para investidores em criptomoedas, a sinalização é clara. O aparelho de defesa americano legitimou o Bitcoin como protocolo de relevância operacional. Finalmente, o debate sobre se Bitcoin é “dinheiro de criminosos” perde força no nível mais alto da política americana. Dessa forma, a narrativa de reserva de valor e ativo estratégico ganha mais um pilar institucional de peso.

