Uma ação judicial nos EUA acusa as empresas de negligência em segurança após hackers drenarem meio milhão de dólares da carteira Phantom, resultando no colapso do projeto cripto Wiener Doge.

Falha de segurança expõe usuários e derruba projeto cripto

O mundo das criptomoedas está em alerta após uma ação judicial ser movida contra a Phantom Technologies e a OKX, acusadas de permitir, por falhas de segurança, o roubo de mais de US$ 500.000 em criptoativos. O ataque comprometeu a carteira de Liam Murphy, resultando na queda de quase 99% do valor do token Wiener Doge, baseado na rede Solana.

Os documentos judiciais alegam que a extensão do navegador da Phantom armazenava chaves privadas descriptografadas na memória do navegador, facilitando a exploração por hackers. Além disso, a funcionalidade Swapper integrada teria sido usada para converter os tokens furtados em SOL (Solana), acelerando o colapso do projeto.

OKX envolvida no fluxo dos ativos roubados

O processo também acusa a exchange OKX de participar, mesmo que indiretamente, da liquidação dos ativos roubados. De acordo com os autores da ação, a OKX deveria ter detectado comportamentos anômalos, como a falta de verificação geográfica ou de velocidade nas transações, o que poderia ter impedido a operação fraudulenta.

A ação cita inclusive casos anteriores de não conformidade da OKX, como uma confissão de culpa em um processo federal relacionado à lavagem de US$ 5 bilhões.

Especialistas em segurança criticam a postura da Phantom

A polêmica ganhou força após o pesquisador de segurança Cloakd denunciar publicamente que reportou a vulnerabilidade à Phantom e não recebeu nenhuma resposta após 28 dias. Outro desenvolvedor, Andy da Taptrade, reforçou as críticas, afirmando que também teve alertas ignorados.

Impacto no ecossistema cripto e busca por justiça

A ação representa um marco no debate sobre responsabilidade das plataformas de criptoativos na segurança dos usuários. Investidores agora buscam ressarcimento com base no valor do token no pico do mercado, e pedem maior rigor regulatório em ferramentas de swap e carteiras digitais.

O que diz a ação na Justiça americana

O processo, Murphy v. Phantom Technologies, foi aberto em 14 de abril de 2025 no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York, sob o número 1:25-cv-03060. O autor é o advogado Thomas Liam Murphy, dono de um escritório especializado em cripto, que criou o token Wiener Doge na rede Solana e move a ação em nome próprio e de familiares e amigos que tinham o token, segundo o resumo jurídico do caso publicado pela CCH.

Pela petição, um criminoso invadiu o computador pessoal de Murphy em 20 de janeiro de 2025 e exportou a chave privada das carteiras Phantom a partir da memória do navegador, sem precisar superar autenticação em dois fatores. Com isso, esvaziou três carteiras e liquidou mais de US$ 500 mil em cripto, derrubando o valor do Wiener Doge para perto de zero. Murphy afirma que centenas de outras vítimas relataram ataques com a mesma técnica.

As acusações incluem fraude e falta de registro sob a lei americana de commodities (Commodity Exchange Act), descumprimento das regras de segurança cibernética de Nova York para empresas financeiras, práticas enganosas e publicidade falsa, negligência e auxílio à conversão criminosa e à lavagem de dinheiro. A ré do lado da OKX é a Aux Cayes Fintech Co. Ltd., empresa das Seychelles que opera a exchange.

O histórico da OKX citado no processo

A menção a lavagem de dinheiro se refere ao acordo de fevereiro de 2025. Segundo o comunicado da Procuradoria do Distrito Sul de Nova York, a OKX se declarou culpada de operar um serviço de transmissão de dinheiro sem licença e aceitou pagar mais de US$ 504 milhões em penalidades. Os procuradores afirmaram que a plataforma foi usada para facilitar mais de US$ 5 bilhões em transações suspeitas e recursos de origem criminosa. A confissão, portanto, não foi de lavagem em si, e sim de operar sem licença e sem controles adequados.

A defesa da Phantom

A Phantom negou as acusações sobre o armazenamento das chaves privadas. Em junho de 2025, pediu ao juiz que Murphy fosse impedido de atuar como advogado da causa, argumentando que ele é ao mesmo tempo criador do token, vítima e defensor, e que uma questão central do caso será se falhas de segurança do próprio Murphy permitiram o roubo. Em julho, a empresa apresentou pedido para levar a disputa à arbitragem e extinguir a ação na Justiça comum.

Como reduzir o risco em carteiras de navegador

Carteiras em extensão de navegador são práticas, mas ficam expostas a tudo o que roda no computador: malware, extensões maliciosas e sites falsos. Para valores relevantes, a recomendação mais comum é separar o dinheiro do dia a dia de uma reserva em carteira de hardware, em que a chave privada não sai do dispositivo. Nunca digite a frase de recuperação em sites, formulários ou mensagens, como explicamos no guia sobre seed phrase.

No Brasil, as regras do Banco Central em vigor desde fevereiro de 2026 exigem das prestadoras de serviços de ativos virtuais, como corretoras e custodiantes, padrões de segurança e responsabilidade por perdas causadas por negligência. Em uma carteira de autocustódia, porém, a segurança é sua: não há empresa autorizada que responda pela chave. O guia de autocustódia de bitcoin mostra como montar essa proteção.

Conclusão

Esse caso ressalta a urgência de boas práticas de segurança em Web3 e serve como alerta para empresas e usuários. A transparência e rapidez nas respostas às falhas relatadas podem ser a diferença entre confiança e colapso.

Perguntas frequentes

Por que a Phantom foi processada?

O autor alega que a extensão de navegador da Phantom guardava chaves privadas descriptografadas na memória, o que permitiu a um invasor exportar a chave e esvaziar suas carteiras, com prejuízo de mais de US$ 500 mil. A Phantom nega a acusação.

Qual a relação da OKX com o caso?

O processo afirma que a integração comercial da Phantom com a OKX ajudou a converter e liquidar os ativos roubados, e cita a confissão de culpa da OKX, em fevereiro de 2025, por operar serviço de transmissão de dinheiro sem licença nos EUA.

Carteira de navegador é segura para guardar cripto?

Serve para valores de uso frequente, mas fica exposta a malware e extensões maliciosas no computador. Para reservas maiores, carteiras de hardware mantêm a chave privada fora do navegador.


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Contadora e editora-chefe do BTCnizando. Especialista em tributação de criptomoedas pela Faculdade Trevisan. Ajuda brasileiros a declarar Bitcoin no IR com segurança.