Por Rafael Monteiro
Conteúdo informativo sobre criptomoedas. Não é recomendação de investimento.
A Ripio Brasil vai encerrar o suporte ao Pix e todas as negociações abertas de clientes no dia 29 de outubro, segundo a Livecoins. O fim do Ripio Pix importa porque o Pix é a porta de entrada e de saída de reais da maioria dos investidores brasileiros em cripto. Sem ele, quem mantém conta na corretora perde o caminho mais rápido e barato para colocar e tirar dinheiro. O CEO da empresa, por outro lado, sinalizou que a exchange continua firme no Brasil. A mensagem, portanto, é ambígua, e quem tem saldo ali precisa agir com calma, mas sem deixar para a última hora.
In this article
- O que foi anunciado e o que ainda não se sabe
- Por que o fim do Pix pesa tanto para o investidor brasileiro
- O que fazer com saldo e ordens antes de 29 de outubro
- Reflexos no Imposto de Renda e na Receita Federal
- O contexto regulatório e a pressão sobre exchanges
- O que observar daqui pra frente
- Perguntas frequentes
Hoje é 22 de outubro de 2026. Faltam sete dias para a data limite. Neste texto, vamos separar o que está confirmado do que ainda é incerto, explicar o que fazer com ordens abertas e saldos, e mostrar o que isso significa para a declaração do Imposto de Renda.
O que foi anunciado e o que ainda não se sabe
O fato central é simples: em 29 de outubro, a Ripio Brasil encerra o suporte ao Pix e fecha as negociações que estiverem abertas na plataforma. Na prática, isso afeta dois tipos de cliente. O primeiro é quem deixa ordens de compra ou venda pendentes, esperando um preço-alvo. O segundo é quem depende do Pix para depositar reais e sacar lucros.
O que a fonte aponta é que o CEO indicou que a exchange segue "firme no Brasil". Isso sugere que a operação local não estaria sendo extinta, mas sim reformulada. Os detalhes dessa reformulação, porém, não aparecem no resumo divulgado: não está claro quais serviços permanecem, se haverá outro meio de depósito em reais, nem qual é o prazo para saques de saldos em moeda nacional. Por isso, vale tratar qualquer interpretação otimista como hipótese até que a empresa publique comunicado detalhado.
Na dúvida, a regra prática é a mesma de qualquer mudança de serviço em corretora: confirmar por canais oficiais, guardar prints e comprovantes e não assumir que o saldo ficará disponível indefinidamente do jeito que está.
Por que o fim do Pix pesa tanto para o investidor brasileiro
O Pix mudou a forma como o brasileiro entra no mercado cripto. Antes dele, depositar em uma exchange envolvia TED, DOC ou boleto, com tarifas, horários e demora. Com o Pix, o depósito cai em segundos, de graça ou por custo muito baixo, a qualquer hora, inclusive aos fins de semana. Isso importa especialmente em um mercado que não fecha: se o bitcoin cai às duas da manhã de domingo, quem quer comprar ou vender precisa de liquidez em reais naquele momento.
Sem o Pix, uma exchange fica em desvantagem competitiva clara frente a concorrentes nacionais que o mantêm. Para o cliente, o efeito aparece em três pontos:
- Entrada de reais: depositar passa a exigir outro meio, se a corretora oferecer algum, ou deixa de ser possível.
- Saída de reais: sacar lucro para a conta bancária pode ficar mais lento ou depender de procedimento específico.
- Ordens abertas: as negociações pendentes serão encerradas em 29 de outubro, então um preço-alvo que não for atingido até lá simplesmente deixa de valer.
Esse último ponto é o mais traiçoeiro. Quem programou uma venda para um patamar mais alto de bitcoin ou de outro ativo e esqueceu a ordem na plataforma pode ver o plano desaparecer sem executar. Convém revisar a lista de ordens agora, não no dia 29.
O que fazer com saldo e ordens antes de 29 de outubro
Sem recomendar nenhuma operação específica, existe uma sequência de cuidados razoável para quem tem conta na Ripio Brasil:
- Liste tudo o que está na conta: saldo em reais, saldo em cada criptoativo e ordens abertas.
- Leia os comunicados oficiais: procure e-mail, aplicativo e canais da própria Ripio, não grupos de mensagem nem perfis que repassam boatos.
- Decida sobre as ordens: cancele ou reposicione as que fariam sentido manter. Lembre que elas serão encerradas de qualquer forma.
- Planeje a retirada de reais: se o Pix acaba, entenda como o saldo em reais poderá ser sacado depois.
- Considere a custódia dos ativos: quem não pretende mais usar a plataforma pode transferir criptoativos para outra exchange ou para carteira própria, conferindo endereço e rede antes de enviar.
- Guarde o histórico: exporte extratos, notas de operação e comprovantes de depósito e saque. Você vai precisar deles na declaração.
Uma precaução de segurança vale destaque: movimentos de pânico e prazos curtos são o ambiente preferido de golpistas. Desconfie de mensagens que se digam da Ripio pedindo senha, código de verificação ou "migração de conta" por link. A empresa não deve pedir esse tipo de dado por canais informais.
Reflexos no Imposto de Renda e na Receita Federal
Mudar de corretora ou de forma de custódia não gera imposto por si só, mas gera obrigações de registro. Para o IRPF, os criptoativos entram em Bens e Direitos, pelo custo de aquisição, e o saldo precisa ser informado se o valor total de cada tipo de ativo ultrapassar o limite de dispensa previsto nas regras da Receita. Ao transferir ativos de uma exchange para outra ou para carteira própria, o custo de aquisição original continua sendo a referência, e é por isso que guardar o histórico da Ripio importa: se a conta for encerrada ou o acesso ficar limitado, recuperar essas informações depois pode ser difícil.
Quem vende criptoativos no Brasil precisa lembrar também da regra dos R$ 35 mil: vendas totais de até esse valor no mês, em operações no mercado à vista, têm isenção de ganho de capital. Acima disso, o lucro é tributado. Ordens executadas nos últimos dias antes do encerramento contam para essa soma mensal de outubro. Além disso, as exchanges nacionais reportam operações à Receita por meio da Instrução Normativa 1.888, e o investidor que movimenta ativos para carteira própria ou para plataformas no exterior pode ter obrigações adicionais de declaração. Em caso de dúvida, um contador familiarizado com cripto vale mais do que a pressa.
O contexto regulatório e a pressão sobre exchanges
O anúncio chega em um momento em que as exchanges brasileiras operam sob um arcabouço mais exigente. O Banco Central passou a regulamentar prestadoras de serviços de ativos virtuais, e a CVM atua quando o ativo se enquadra como valor mobiliário. Para empresas do setor, isso significa mais custo de conformidade, exigências de capital e regras para parcerias bancárias e de pagamento. Esse pano de fundo ajuda a entender por que corretoras revisam serviços, mas a fonte não afirma que o fim do Pix na Ripio decorra de alguma exigência regulatória. Atribuir uma causa seria especulação.
O episódio também reforça um hábito antigo do mercado: não concentrar tudo em um único intermediário. Quem usa mais de uma exchange, ou mantém parte dos ativos em carteira própria, tem mais flexibilidade quando uma plataforma muda de regras. Não é conselho para fugir de nenhuma empresa, e sim a lembrança de que risco operacional (mudança de serviço, instabilidade, saída de um país) existe em qualquer corretora, nacional ou estrangeira.
O que observar daqui pra frente
Nos próximos dias, alguns pontos definem o tamanho do impacto:
- Comunicado detalhado da Ripio: se a empresa explicar quais serviços permanecem no Brasil e quais prazos valem para saques.
- Alternativa de depósito em reais: se existir outro meio, e a que custo, ou se a conta passa a servir apenas para custódia e troca entre criptoativos.
- Tratamento dos saldos em reais: como e até quando o cliente poderá sacar.
- Reação do mercado: se outras corretoras estrangeiras com operação no Brasil revisarem seus serviços locais.
- Posicionamento do CEO: se a frase sobre seguir firme no Brasil virar plano concreto, com produtos e cronograma.
Até 29 de outubro, o recomendado é simples: conferir a conta, cancelar o que não faz sentido manter, organizar documentos e decidir com calma onde guardar cada ativo.
Perguntas frequentes
Quando a Ripio Brasil encerra o suporte ao Pix?
Em 29 de outubro, segundo a Livecoins. Nessa data, também serão encerradas todas as negociações abertas de clientes na plataforma.
O que acontece com as ordens abertas na Ripio Brasil?
As negociações abertas serão encerradas em 29 de outubro. Quem tem ordens pendentes deve revisá-las antes da data, porque elas não serão executadas depois do encerramento.
A Ripio vai deixar de operar no Brasil?
Não é o que indica a fonte. O CEO sinalizou que a exchange segue firme no Brasil, mas o resumo divulgado não detalha quais serviços continuam depois do fim do Pix. É preciso aguardar o comunicado oficial.
O fim do Pix na Ripio muda algo no Imposto de Renda?
Não cria imposto novo, mas exige guardar o histórico de compras, vendas, depósitos e saques. Esses dados comprovam o custo de aquisição na declaração de Bens e Direitos e ajudam a verificar o limite de R$ 35 mil mensais em vendas para isenção de ganho de capital.
O btcnizando cobre bitcoin, regulação e tributação de cripto no Brasil, com foco em quem investe daqui.
