Token da Hyperliquid despenca com fuga de investidores de ETFs: por que a Grayscale acredita que está muito subvalorizado?
O mercado cripto acompanha com atenção um movimento aparentemente contraditório: enquanto o token HYPE da Hyperliquid registra queda superior a 13% em julho e investidores de ETFs fogem dos produtos ligados ao protocolo, a Grayscale Research argumenta que o ativo está massivamente subvalorizado. A questão central, “Hyperliquid’s token is tanking as ETF investors flee, so why does Grayscale think it is massively undervalued?”, tem dominado as discussões entre analistas e investidores. Neste artigo, o Btcnizando analisa os dois lados dessa história e o que ela significa para o investidor brasileiro.
O que está acontecendo com os ETFs de Hyperliquid
Os três ETFs vinculados à Hyperliquid registraram mais de US$ 13 milhões em saídas líquidas durante o mês de julho de 2026, colocando esses produtos a caminho do primeiro mês negativo desde que foram lançados. Os dados, compilados pela plataforma SoSoValue, mostram que cerca de US$ 27 milhões deixaram os fundos desde que a demanda se reverteu na segunda metade de julho, encerrando uma sequência de nove semanas consecutivas de entradas.
Desde o lançamento, os ETFs haviam atraído aproximadamente US$ 280 milhões, o que torna essa virada de sentimento ainda mais significativa. Para contextualizar:
- Primeira fase (lançamento até meados de julho): entradas constantes, com semanas consecutivas de fluxo positivo.
- Segunda fase (segunda metade de julho): reversão abrupta, com saídas acumuladas superando US$ 27 milhões.
- Resultado líquido de julho: mais de US$ 13 milhões negativos, marcando o primeiro mês de outflow.
Essa fuga de capital coincide com a queda do token HYPE, que negociava próximo de US$ 54 nesta semana, cerca de 30% abaixo da máxima histórica de US$ 76 alcançada em meados de junho. O ativo caminha para registrar apenas o segundo mês de perdas em 2026, conforme reportado pelo CryptoSlate.
A tese contrária da Grayscale: por que o HYPE estaria subvalorizado
Enquanto o mercado parece pessimista, a Grayscale Research apresentou uma visão radicalmente oposta. A gestora argumenta que o preço atual do HYPE não reflete adequadamente a capacidade de geração de receita do protocolo Hyperliquid. Os principais pilares da tese da Grayscale incluem:
Receita do protocolo: A Hyperliquid tem gerado receitas consistentes por meio de taxas de negociação em sua plataforma de derivativos descentralizada. Essas receitas, segundo a Grayscale, são comparáveis ou superiores às de diversas fintechs tradicionais quando ajustadas pelo valuation.
Programa de buyback de HYPE: O protocolo utiliza parte de suas receitas para recomprar tokens HYPE no mercado aberto, criando pressão compradora estrutural. Esse mecanismo é semelhante ao que empresas tradicionais fazem com programas de recompra de ações, e a Grayscale enxerga isso como um fator de sustentação de valor no médio e longo prazo.
Desconto em relação a pares fintech: Quando comparado a empresas do setor financeiro tradicional que operam plataformas de negociação, o HYPE estaria sendo negociado com um desconto significativo em múltiplos de receita.
Em resumo, a Grayscale vê um descolamento entre os fundamentos do protocolo e o comportamento de preço recente, sugerindo que a venda dos ETFs é mais um fenômeno de sentimento de curto prazo do que uma deterioração real do projeto.
Perpétuos de ativos tradicionais ampliam a base de receita
Um dado que reforça a tese da Grayscale é a crescente diversificação da receita da Hyperliquid. Os contratos perpétuos de ativos tradicionais, como ações e commodities tokenizadas, representaram 52% do volume semanal da plataforma recentemente, ampliando consideravelmente a base de receita do protocolo.
Isso é relevante porque demonstra que a Hyperliquid não depende exclusivamente do volume de negociação de criptoativos. Ao atrair traders que operam ativos tradicionais em formato descentralizado, o protocolo:
- Reduz a dependência de ciclos de alta e baixa exclusivos do mercado cripto.
- Diversifica sua base de usuários, atraindo operadores que talvez não se interessassem por uma DEX puramente cripto.
- Aumenta a resiliência da receita, já que os volumes de ativos tradicionais podem se manter mesmo durante períodos de baixa no mercado de criptomoedas.
Essa expansão para além do universo cripto nativo é um dos fatores que a Grayscale considera ao argumentar que o mercado está subestimando o potencial de longo prazo do HYPE.
O que o investidor brasileiro precisa considerar
Para o investidor brasileiro que acompanha o mercado cripto e considera exposição a tokens como o HYPE, existem alguns pontos específicos a observar:
Regulação e tributação: Com o avanço do marco regulatório de criptoativos no Brasil e as exigências da Receita Federal para declaração de ativos digitais mantidos no exterior, é fundamental manter registros precisos de qualquer operação envolvendo tokens como HYPE. Desde 2024, a obrigatoriedade de declaração por exchanges internacionais tornou o ambiente mais transparente, mas também mais exigente para o investidor.
Acesso via ETFs: No Brasil, ainda não existem ETFs específicos de Hyperliquid listados na B3. O investidor que deseja exposição a esse tipo de ativo precisa recorrer a exchanges descentralizadas ou plataformas internacionais, o que adiciona camadas de complexidade e risco.
Volatilidade elevada: Uma queda de 30% em relação à máxima em poucas semanas ilustra o nível de volatilidade desse tipo de ativo. Embora a Grayscale veja valor, o investidor deve dimensionar posições de acordo com sua tolerância a risco.
Câmbio: O real brasileiro adiciona uma variável extra. Mesmo que o HYPE se recupere em dólares, a variação cambial pode impactar o retorno final em reais, tanto positiva quanto negativamente.
Comparativo rápido: sentimento de mercado vs. fundamentos
| Indicador | Situação atual |
|—|—|
| Preço do HYPE | ~US$ 54, queda de 30% da máxima |
| Fluxo de ETFs em julho | Negativo (US$ 13 mi em saídas) |
| Receita do protocolo | Em crescimento, com diversificação |
| Buyback de HYPE | Ativo, com receitas do protocolo |
| Volume de perpétuos tradicionais | 52% do volume semanal |
| Avaliação segundo Grayscale | Subvalorizado vs. pares fintech |
Perpétuos descentralizados: tendência que vai além do HYPE
É importante destacar que o crescimento da Hyperliquid se insere em uma tendência mais ampla: a ascensão das plataformas de derivativos descentralizados. O volume global negociado em DEXs de perpétuos tem crescido consistentemente, e a Hyperliquid se consolidou como uma das líderes desse segmento.
Para o mercado brasileiro, essa tendência é particularmente relevante. O Brasil já é um dos maiores mercados de criptomoedas do mundo em termos de adoção, e plataformas descentralizadas de derivativos oferecem acesso a instrumentos que muitas vezes não estão disponíveis em corretoras locais reguladas.
No entanto, vale a ressalva: operar em plataformas DeFi exige conhecimento técnico sobre custódia de chaves privadas, riscos de contratos inteligentes e liquidações automáticas, aspectos que a maioria dos investidores de varejo ainda não domina completamente.
Perguntas frequentes
Por que os ETFs de Hyperliquid estão registrando saídas?
Após nove semanas consecutivas de entradas, o sentimento dos investidores se reverteu na segunda metade de julho de 2026. Os três ETFs vinculados ao HYPE acumularam mais de US$ 13 milhões em saídas líquidas no mês, provavelmente motivados pela correção de preço do token e por realização de lucros após o ativo ter alcançado máxima de US$ 76 em junho.
Qual é o argumento da Grayscale para considerar o HYPE subvalorizado?
A Grayscale Research aponta que a receita gerada pelo protocolo Hyperliquid, combinada com o programa de recompra (buyback) de tokens HYPE, sustenta uma avaliação superior ao preço atual. A gestora compara o protocolo com empresas fintech tradicionais e conclui que o HYPE está sendo negociado com desconto significativo em relação a esses pares.
Investidores brasileiros podem comprar ETFs de Hyperliquid?
Atualmente, os ETFs de Hyperliquid estão disponíveis em mercados internacionais e não possuem equivalentes listados na B3. Investidores brasileiros que desejam exposição ao HYPE podem adquirir o token diretamente em exchanges descentralizadas ou plataformas internacionais, respeitando as obrigações de declaração à Receita Federal.
Conclusão
O caso da Hyperliquid ilustra perfeitamente a tensão constante entre sentimento de curto prazo e fundamentos de longo prazo no mercado cripto. Enquanto ETFs registram suas primeiras saídas e o preço do HYPE recua 30% da máxima, a Grayscale enxerga exatamente o oposto: uma oportunidade. A diversificação da receita do protocolo, com mais da metade do volume vindo de perpétuos de ativos tradicionais, e o mecanismo de buyback são argumentos fortes que não devem ser ignorados, mesmo diante da pressão vendedora atual.
Para o investidor brasileiro, o mais importante é analisar os dois lados da história com frieza, dimensionar posições de forma responsável e manter todas as obrigações fiscais em dia. O mercado cripto recompensa quem estuda e pune quem segue apenas o sentimento da manada.
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