As ações da TeraWulf (WULF), uma proeminente mineradora de Bitcoin, registraram um salto de 50% na última quinta-feira (14) após a divulgação de que o Google receberá warrants (direitos de compra de ações) equivalentes a cerca de 8% da companhia, se exercidos. A notícia impulsionou o valor de mercado da TeraWulf e sinaliza um crescente interesse de grandes empresas de tecnologia no setor de criptomineração.
No mesmo anúncio do acordo com o Google, a TeraWulf informou a celebração de dois contratos de hospedagem de 10 anos com a Fluidstack, uma provedora de soluções de computação de alto desempenho para inteligência artificial (IA). Esses acordos representam um marco significativo para a mineradora, totalizando US$ 3,7 bilhões em receita contratada no período inicial, com a possibilidade de duas extensões de cinco anos que podem elevar o potencial total para impressionantes US$ 8,7 bilhões.
No âmbito dessa parceria estratégica, o Google se comprometeu a garantir US$ 1,8 bilhão das obrigações de arrendamento da Fluidstack. Em contrapartida, a gigante da tecnologia receberá opções de compra que lhe permitirão adquirir aproximadamente 8% do capital da TeraWulf, solidificando sua posição no ecossistema de mineração de Bitcoin e IA.
A TeraWulf, por sua vez, fornecerá mais de 200 megawatts (MW) de capacidade de carga crítica de TI em seu data center localizado no oeste de Nova York. Este data center é notável por ser abastecido por fontes de energia limpa, como hidrelétrica e nuclear, reforçando o compromisso da empresa com a sustentabilidade. A expectativa é que 40 MW entrem em operação no primeiro semestre de 2026, com a capacidade total instalada até o final do mesmo ano.
A Fluidstack, que oferece clusters de GPU dedicados para treinamento e inferência de IA, já atende a clientes de peso como Mistral AI e Black Forest Labs. A colaboração com a TeraWulf e o apoio do Google reforçam a posição da Fluidstack como um player chave no fornecimento de infraestrutura para o desenvolvimento de IA.
Apesar do sucesso recente, o último balanço da TeraWulf, divulgado na semana passada, revelou um prejuízo líquido de mais de US$ 79 milhões no primeiro semestre de 2025. Esse resultado é atribuído, em parte, aos vultosos investimentos em computação de alto desempenho e infraestrutura de IA, que, embora impactem os lucros a curto prazo, são vistos como essenciais para o crescimento e a competitividade da empresa no futuro.
Como funciona o acordo entre Google, Fluidstack e TeraWulf
O Google não comprou ações no mercado. Segundo o comunicado oficial da TeraWulf de 14 de agosto de 2025, a empresa garantiu US$ 1,8 bilhão das obrigações de aluguel da Fluidstack (uma espécie de fiança que facilita o financiamento do projeto) e, em troca, recebeu warrants, direitos de compra de cerca de 41 milhões de ações da TeraWulf. Se exercidos, esses direitos equivalem a aproximadamente 8% do capital da mineradora.
O mesmo comunicado detalha a estrutura do negócio:
- capacidade de mais de 200 MW de carga crítica de TI (cerca de 250 MW brutos) no campus Lake Mariner, no oeste do estado de Nova York, preparado para resfriamento líquido de servidores de IA;
- contrato de aluguel de 10 anos com reajustes anuais, estimado em US$ 3,7 bilhões, que pode chegar a US$ 8,7 bilhões com duas renovações de cinco anos;
- margem operacional esperada de 85% no site, ou cerca de US$ 315 milhões por ano;
- custo total do projeto entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões por MW.
Quatro dias depois, em 18 de agosto, a TeraWulf anunciou a expansão do acordo com mais 160 MW em um novo prédio do mesmo campus. Com isso, a capacidade contratada pela Fluidstack chegou a cerca de 360 MW, a garantia do Google subiu para aproximadamente US$ 3,2 bilhões e a participação potencial do Google passou para cerca de 14%.
Por que mineradoras estão virando data centers de IA
A conta é simples: as mineradoras já têm o que as empresas de IA mais procuram, que é acesso a grandes volumes de energia, terrenos e conexão à rede elétrica. Enquanto isso, a mineração ficou mais cara. No balanço do segundo trimestre de 2025, a TeraWulf informou receita de US$ 47,6 milhões, 485 BTC minerados no trimestre (contra 699 um ano antes) e custo de energia por bitcoin de US$ 45.555, quase o dobro dos US$ 22.954 do mesmo período de 2024. No semestre, o prejuízo líquido foi de US$ 79,8 milhões.
Parte dessa pressão vem do halving de abril de 2024, que cortou pela metade a recompensa por bloco. Contratos longos de aluguel para IA trocam a receita variável da mineração, que depende do preço do bitcoin, por receita fixa e previsível. Por isso o mercado reagiu com tanta força ao anúncio. O guia sobre o halving explica esse mecanismo.
O que observar como investidor no Brasil
Ações de mineradoras como a TeraWulf (WULF, na Nasdaq) costumam oscilar mais que o próprio bitcoin, porque somam o risco do preço da cripto, da dívida para financiar obras e da execução dos projetos. O cronograma divulgado prevê a primeira fase, de cerca de 40 MW, no primeiro semestre de 2026 e a capacidade total até o fim de 2026, então atrasos são um ponto de atenção.
Quem compra essas ações por corretora no exterior está sujeito à Lei 14.754/2023: o ganho é tributado em 15% na declaração anual de ajuste, sem a isenção mensal que existe para ações vendidas na bolsa brasileira. As ações devem ser declaradas em Bens e Direitos pelo custo de aquisição em reais.
Leia também: Mineração de Bitcoin: o guia completo
Perguntas frequentes
O Google comprou 8% da TeraWulf?
Não diretamente. O Google recebeu warrants (direitos de compra) de cerca de 41 milhões de ações em troca de garantir US$ 1,8 bilhão do aluguel da Fluidstack. Se exercidos, equivalem a cerca de 8% do capital. Com a expansão anunciada em 18 de agosto de 2025, a fatia potencial subiu para cerca de 14%.
Quando o data center de IA da TeraWulf começa a funcionar?
Pelo comunicado da empresa, a primeira fase, de cerca de 40 MW, estava prevista para o primeiro semestre de 2026, e a capacidade total de mais de 200 MW, para o fim de 2026.
A TeraWulf vai parar de minerar bitcoin?
O anúncio não fala em encerrar a mineração. A empresa continua minerando bitcoin (12,8 EH/s de capacidade no segundo trimestre de 2025), mas passa a destinar parte do campus a contratos de hospedagem para IA.
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