Primeiramente, a exchange de criptomoedas Gemini revelou planos para redução de 25% em seu quadro de funcionários, totalizando cerca de 100 demissões, além do fechamento completo de serviços no Reino Unido, União Europeia e Austrália. Isso toma efeito imediato, com transições programadas para março e abril de 2026.

Além disso, contas existentes nessas regiões entram em modo “saque apenas” a partir de 5 de março, com encerramento total das operações em 6 de abril. Desse modo, usuários têm prazo para retirar fundos e posições abertas sem novas negociações.

Por exemplo, a companhia atribui a medida a “baixa demanda regional” e custos elevados com conformidade regulatória, incluindo a MiCA (Markets in Crypto-Assets) na Europa. Por isso, foco estratégico redireciona para mercados centrais nos Estados Unidos.

Em resumo, Gemini possui licença CFTC para derivativos e registrou US$ 24 milhões em volume recente nesses produtos regulados.

Cronograma detalhado da reestruturação

No entanto, o anúncio coincide com queda de 9% no preço do Bitcoin, cotado a R$ 364.921 no Brasil na data. Assim, comunicação interna destaca necessidade de “eficiência operacional em ambiente desafiador”. Por outro lado, serviços Earn, Credit e ActiveTrader permanecem disponíveis nos EUA.

Além do mais, prazo para saques sem penalidades estende-se até o fim do período de transição. Desse modo, clientes europeus e australianos recebem notificações personalizadas via e-mail e app.

Por exemplo, MiCA exige reservas 1:1 para stablecoins e relatórios extensos, elevando barreiras para exchanges estrangeiras. Portanto, Gemini opta por saída voluntária em vez de adaptação custosa.

Contexto regulatório e impacto regional

Em primeiro lugar, regulamentações como MiCA (vigente desde junho 2024) e regras ASIC na Austrália impõem licenças locais e capital mínimo. Além disso, Reino Unido mantém sandbox FCA pós-Brexit, com escrutínio em stablecoins emitidas pela Gemini (GUSD). Por isso, fechamento afeta milhares de contas ativas nessas jurisdições.

No entanto, plataforma relata crescimento em derivativos CFTC, com volumes em futuros de Bitcoin e Ethereum. Assim, reestruturação preserva força nos EUA, onde detém aprovações federais desde 2021.

Por fim, Gemini, fundada pelos gêmeos Winklevoss em 2014, ajusta operações pela terceira vez desde o colapso FTX em 2022.

O que a Gemini disse no anúncio oficial

O corte foi anunciado em 5 de fevereiro de 2026 pelos fundadores Tyler e Cameron Winklevoss. No texto publicado no blog da empresa, eles contam que a Gemini chegou a ter cerca de 1.100 funcionários em 2022, terminou 2025 com aproximadamente metade disso e agora reduz o quadro em mais cerca de 25%. A justificativa é dupla: os mercados estrangeiros se mostraram difíceis de conquistar e a empresa estava dispersa demais; além disso, ferramentas de inteligência artificial teriam permitido operar com uma equipe menor.

A reestruturação também mudou a cúpula. Deixam a empresa o diretor financeiro, Dan Chen, o diretor jurídico, Tyler Meade, e o diretor de operações, Marshall Beard. Danijela Stojanovic assume a área financeira e Kate Freedman o jurídico, ambas de forma interina, e o cargo de COO não será reposto.

O número de US$ 24 milhões citado acima se refere ao Gemini Predictions, o mercado de previsões lançado em meados de dezembro de 2025, que, segundo a empresa, reuniu mais de 10 mil usuários e mais de US$ 24 milhões negociados. Os fundadores dizem acreditar que mercados de previsão podem ficar tão grandes quanto os mercados de capitais tradicionais, e esse é um dos focos da nova fase, junto com os EUA.

Como fica a transição para os clientes afetados

As contas no Reino Unido, na União Europeia e na Austrália entram em modo de apenas saque em 5 de março de 2026, e as operações nessas regiões terminam em 6 de abril. Novas contas deixaram de ser abertas. Para quem prefere não sacar para o banco, a Gemini fechou parceria com a plataforma eToro para facilitar a transferência dos ativos, com adesão até o fim de março.

O anúncio também pesou na bolsa. A Gemini abriu capital em setembro de 2025 a US$ 28 por ação, e os papéis caíram 2,8% no dia do anúncio, segundo a cobertura do CoinDesk.

A lição para quem usa corretora estrangeira a partir do Brasil

O caso mostra que uma corretora pode simplesmente sair de um mercado, com prazo curto para o cliente reagir. Quem usa plataformas estrangeiras deve saber como sacar, para onde transferir e quanto isso custa antes de precisar. Guardar parte dos ativos em carteira própria reduz essa dependência, desde que você domine a guarda das chaves, como explicamos no guia de autocustódia de bitcoin.

No Brasil, desde 2 de fevereiro de 2026 as prestadoras de serviços de ativos virtuais precisam de autorização do Banco Central, com regras de governança, transparência sobre riscos e taxas, e responsabilidade por perdas causadas por negligência, segundo a apresentação oficial do BC. Empresas que já operavam no país receberam prazo de transição para se adequar.

Há ainda o lado tributário. Criptoativos custodiados em corretoras no exterior são tratados como aplicações financeiras no exterior pela Lei 14.754/2023, com imposto de 15% sobre o ganho, apurado na declaração anual e sem a isenção de R$ 35 mil mensais. Transferir os ativos de uma plataforma para outra, sem vender, não é venda, mas o registro de custo e das movimentações precisa ser mantido. Detalhes no guia para declarar cripto no imposto de renda.

Perguntas frequentes

Quando a Gemini encerra as operações na Europa, no Reino Unido e na Austrália?

As contas entram em modo de apenas saque em 5 de março de 2026 e as operações nessas regiões terminam em 6 de abril de 2026.

Quantos funcionários a Gemini vai cortar?

A empresa anunciou redução de cerca de 25% do quadro. Segundo os fundadores, a Gemini tinha cerca de 1.100 funcionários em 2022 e havia terminado 2025 com aproximadamente metade disso.

A saída da Gemini afeta clientes no Brasil?

O anúncio trata do Reino Unido, da União Europeia e da Austrália, com foco da empresa nos EUA. O caso serve de alerta para quem usa corretoras estrangeiras: vale ter plano de saque e acompanhar a situação regulatória da plataforma.


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Contadora e editora-chefe do BTCnizando. Especialista em tributação de criptomoedas pela Faculdade Trevisan. Ajuda brasileiros a declarar Bitcoin no IR com segurança.