O Federal Reserve (Fed) dos EUA mudou as regras. Ele não vai mais considerar o “risco reputacional” ao avaliar os bancos. Essa decisão é importante, afetando bancos tradicionais e o crescente mercado de criptomoedas, como o Bitcoin.

O risco reputacional explicado

Antes, risco reputacional significava o perigo de um banco sofrer com má publicidade. Isso podia prejudicar seus negócios ou gerar processos caros. Os supervisores do Fed usavam essa métrica, mas ela era subjetiva e gerava muitas reclamações do setor financeiro.

As novas regras para bancos

Com a mudança, o Fed vai tirar as referências ao risco reputacional dos seus documentos. Os avaliadores agora focarão em riscos financeiros específicos. Essa medida alinha o Fed com outros reguladores bancários dos EUA.

Ainda assim, o Fed espera que os bancos gerenciem bem seus riscos. A mudança não tira a necessidade de os bancos avaliarem e controlarem os perigos de suas operações.

O impacto no bitcoin e nas criptomoedas

A decisão do Fed é vista como uma grande vitória para o mercado de criptomoedas. Especialistas acreditam que isso pode abrir portas para bancos americanos expandirem seus serviços com criptoativos.

Essa medida pode diminuir a pressão regulatória que levou à “desbancarização” de empresas cripto, conhecida como “Operation Chokepoint 2.0”. Sem a métrica subjetiva, os bancos podem se sentir mais seguros em lidar com empresas e pessoas que usam Bitcoin e outros ativos digitais.

Apesar da ênfase contínua na gestão de riscos, a eliminação do “risco reputacional” pode trazer mais clareza. Isso pode incentivar uma maior integração do mercado cripto com o sistema financeiro tradicional.

O que o Fed anunciou, nas palavras do próprio Fed

O anúncio saiu em 23 de junho de 2025. Segundo o comunicado oficial do Federal Reserve, o risco reputacional deixa de ser um componente dos programas de exame na supervisão dos bancos. O Fed está revisando seus materiais de supervisão, como os manuais de exame, para retirar as referências ao tema e, quando fizer sentido, trocá-las por discussões de riscos financeiros mais específicos.

O texto traz dois próximos passos: treinar os examinadores para aplicar a mudança de forma consistente em todas as instituições supervisionadas pelo Fed e coordenar com os outros reguladores bancários federais para uniformizar a prática. O Fed também deixa claro que os bancos continuam livres para usar o conceito de risco reputacional na própria gestão interna de riscos. O que muda é que o supervisor não vai mais cobrá-lo como critério de avaliação.

Uma sequência de recuos em 2025

A decisão de junho não veio isolada. Em 24 de abril de 2025, o Fed já tinha retirado a orientação que exigia aviso prévio dos bancos sobre atividades com criptoativos e revogado a carta de 2023 que pedia não objeção prévia para atividades com dólar tokenizado. Na mesma data, Fed e FDIC se juntaram ao OCC na retirada de duas declarações conjuntas de 2023 sobre riscos de cripto para bancos, conforme o comunicado de abril.

Atualização (setembro de 2026): em 15 de agosto de 2025, o Fed anunciou o encerramento do seu programa de supervisão de atividades novas, criado em 2023 para acompanhar cripto e fintech dentro dos bancos. Essas atividades voltaram a ser monitoradas pelo processo normal de supervisão, e a carta que criou o programa foi revogada, segundo o anúncio do Fed.

Somadas, as três medidas removem camadas de exigência específicas para cripto. Um banco americano que queira custodiar bitcoin ou trabalhar com stablecoins passa a ser avaliado pelos riscos financeiros concretos da operação, como liquidez, crédito e segurança operacional, e não pela percepção pública do setor.

E no Brasil?

O caminho brasileiro foi outro: em vez de retirar barreiras, o país criou um regime próprio. Atualização (setembro de 2026): a Resolução BCB 520, em vigor desde 2 de fevereiro de 2026, autoriza bancos, a Caixa, corretoras e distribuidoras a intermediar e custodiar criptoativos, desde que comuniquem o Banco Central e apresentem uma certificação técnica independente. Os detalhes estão na nossa reportagem sobre a Instrução Normativa BCB 701.

Para o investidor pessoa física, a decisão do Fed não muda nada no Imposto de Renda. Quem compra cripto em corretora americana segue a regra de aplicações no exterior (Lei 14.754/2023, 15% na declaração anual, sem isenção), e quem compra no Brasil segue a isenção de vendas até R$ 35 mil por mês. O passo a passo está no guia de como declarar criptomoedas no IR.

Perguntas frequentes

O Fed proibiu os bancos de considerar risco reputacional?

Não. O Fed apenas deixou de usar o risco reputacional nos seus exames de supervisão. Os bancos podem continuar usando o conceito na gestão interna de riscos.

Quando a mudança foi anunciada?

Em 23 de junho de 2025. Antes disso, em 24 de abril de 2025, o Fed já havia retirado orientações específicas sobre cripto, e em 15 de agosto de 2025 encerrou o programa especial de supervisão de atividades novas.

Isso significa que bancos americanos vão vender bitcoin?

A mudança remove um critério subjetivo que dificultava o relacionamento com empresas cripto, mas não obriga nenhum banco a oferecer o serviço. Os bancos continuam sujeitos às regras de segurança, solidez e conformidade.


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Contadora e editora-chefe do BTCnizando. Especialista em tributação de criptomoedas pela Faculdade Trevisan. Ajuda brasileiros a declarar Bitcoin no IR com segurança.