Em uma virada diplomática inesperada, Estados Unidos e China anunciaram cortes significativos nas tarifas bilaterais por um período de 90 dias, trazendo alívio temporário à escalada da guerra comercial que sacudiu os mercados globais desde abril.

Acordo temporário em Genebra

As tarifas norte-americanas sobre produtos chineses caíram de 145% para 30%, enquanto Pequim reduziu suas tarifas sobre importações dos EUA de 125% para apenas 10%. O acordo foi selado em negociações sigilosas em Genebra, com o objetivo de conter o impacto econômico negativo que vinha comprometendo cadeias produtivas e aumentando pressões inflacionárias.

Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent:

“Alcançamos um acordo para uma pausa de 90 dias com uma redução substancial nas tarifas. O objetivo é estancar os danos, não consertar o estrago.”

Impacto nas criptomoedas: risco em alta, confiança em crescimento

Esse alívio nas tensões comerciais deve desencadear um movimento de “risk-on” nos mercados — favorecendo ativos especulativos e de alto crescimento como as criptomoedas.

O que esperar nos próximos dias:

  • Aumento da volatilidade no curto prazo, com traders avaliando impactos em juros e crescimento global.
  • Valorização do Bitcoin e Ethereum, à medida que o mercado reage ao otimismo macroeconômico.
  • Rally em altcoins asiáticas ou ligadas à China, impulsionado pela expectativa de retomada econômica no país.

Historicamente, períodos de maior estabilidade e menor risco geopolítico têm favorecido a entrada de investidores institucionais no mercado cripto, ampliando a liquidez e diversificação de portfólios.

Cautela ainda é necessária

Apesar da euforia inicial, analistas alertam que o acordo tem prazo limitado. Caso as negociações não avancem ou haja recuos, a confiança pode evaporar rapidamente, devolvendo incerteza aos mercados.

Além disso, o mercado ainda monitora:

  • Próximos passos do Federal Reserve em relação aos juros.
  • Indicadores de inflação nos EUA e China.
  • Movimentações regulatórias nos setores financeiro e cripto.

Trégua é positiva, mas frágil

A redução temporária das tarifas entre EUA e China representa um suspiro de alívio para os mercados e pode funcionar como um catalisador para a retomada do interesse em criptomoedas no curto prazo.

Entretanto, os próximos 90 dias serão cruciais: o futuro dessa trégua — e seu verdadeiro impacto — dependerá do avanço diplomático e da capacidade dos países de transformarem esse armistício em um acordo duradouro.

O que diz o comunicado conjunto

O comunicado conjunto divulgado pela Casa Branca em 12 de maio de 2025 detalha a mecânica do acordo. Os Estados Unidos suspenderam por 90 dias 24 pontos percentuais das tarifas adicionais impostas à China pela Ordem Executiva 14257, mantendo uma alíquota de 10%, e retiraram os aumentos posteriores feitos pelas Ordens Executivas 14259 e 14266. A China fez o movimento espelhado: suspendeu 24 pontos da sua tarifa adicional sobre produtos americanos, manteve 10%, revogou as tarifas retaliatórias anunciadas pelo Conselho de Estado e suspendeu ou retirou as contramedidas não tarifárias adotadas desde 2 de abril de 2025.

As medidas tinham de entrar em vigor até 14 de maio de 2025. O texto também criou um canal permanente de negociação, liderado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, e pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, do lado americano, e pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng, do lado chinês, com rodadas que poderiam acontecer na China, nos EUA ou em um terceiro país.

Atualização (setembro de 2026): o que veio depois da trégua

A pausa de 90 dias acabou sendo estendida. Em 1º de novembro de 2025, a Casa Branca anunciou um novo acordo comercial com a China. Pelo texto, os EUA reduziram em 10 pontos percentuais as tarifas ligadas ao combate ao fentanil a partir de 10 de novembro de 2025 e mantiveram suspensas as tarifas recíprocas mais altas até 10 de novembro de 2026, com a alíquota recíproca de 10% em vigor nesse período. Algumas exclusões tarifárias da Seção 301 também foram prorrogadas até a mesma data.

Em troca, a China se comprometeu a suspender novos controles de exportação e emitir licenças gerais para terras raras, gálio, germânio, antimônio e grafite destinados a usuários americanos. Pequim também prometeu comprar ao menos 12 milhões de toneladas de soja dos EUA nos dois últimos meses de 2025 e no mínimo 25 milhões de toneladas por ano até 2028. Esse ponto interessa diretamente ao Brasil, que disputa com os americanos o mercado chinês de soja.

Como tarifas chegam ao preço do bitcoin

O canal principal é o apetite por risco. Tarifas mais altas aumentam a expectativa de inflação e de desaceleração, o que tende a afastar investidores de ativos voláteis, como ações de tecnologia e criptomoedas. Quando há trégua, o movimento se inverte. Foi esse o raciocínio de “risk-on” descrito acima: a melhora do cenário comercial reduz o prêmio de risco exigido pelos investidores.

Para o investidor brasileiro, há uma segunda camada: o câmbio. Como o bitcoin é cotado globalmente em dólar, o resultado em reais depende também da variação do real frente ao dólar, que reage ao mesmo noticiário internacional.

Volatilidade e imposto: o que o brasileiro deve lembrar

Dias de notícia forte costumam concentrar compras e vendas. Segundo as Perguntas e Respostas do IRPF 2026 da Receita, vendas de criptoativos em exchange no Brasil que somem até R$ 35 mil no mês são isentas, considerando todos os tipos juntos. Se o total passar desse valor, o ganho de todas as vendas do mês paga de 15% a 22,5%, com DARF até o último dia útil do mês seguinte. Em exchange estrangeira, não há isenção. O passo a passo está no nosso guia de bitcoin no imposto de renda.

Perguntas frequentes

O que EUA e China acordaram em Genebra?

Os dois países suspenderam por 90 dias 24 pontos percentuais das tarifas adicionais, mantendo 10%, e criaram um canal permanente de negociação, segundo o comunicado de 12 de maio de 2025.

A trégua de 90 dias foi prorrogada?

Sim. Pelo acordo anunciado em 1º de novembro de 2025, os EUA mantiveram suspensas as tarifas recíprocas mais altas sobre a China até 10 de novembro de 2026.

Por que tarifas afetam o bitcoin?

Porque mexem com o apetite por risco e com as expectativas de inflação e juros. Escaladas comerciais tendem a pesar sobre ativos voláteis, e tréguas costumam aliviar a pressão.


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Contadora e editora-chefe do BTCnizando. Especialista em tributação de criptomoedas pela Faculdade Trevisan. Ajuda brasileiros a declarar Bitcoin no IR com segurança.