O que é o Financial Infrastructure Forum LATAM

O Blockchain Rio anunciou o lançamento do Financial Infrastructure Forum LATAM, um evento fechado e exclusivo para convidados que reunirá bancos centrais, reguladores de valores mobiliários, instituições financeiras e líderes de blockchain da América Latina para debater a nova infraestrutura financeira digital da região.

A resposta direta: o evento acontece no dia 11 de agosto de 2026, das 14h às 18h, no Museu do Amanhã (Rio de Janeiro), e é parte da Blockchain Rio Week 2026 — o maior evento de blockchain da América Latina.

Data, local e formato

InformaçãoDetalhe
Data11 de agosto de 2026
Horário14h às 18h
LocalMuseu do Amanhã, Rio de Janeiro
AcessoExclusivo para convidados
Parte deBlockchain Rio Week 2026 (11 a 13 de agosto)
Evento principalBlockchain Rio (12 e 13/08 — ExpoRio)

Agenda e temas em debate

O fórum não é um evento de networking genérico — é uma mesa de trabalho técnica com participantes que efetivamente tomam decisões sobre a infraestrutura financeira da região. Os temas centrais confirmados incluem:

  • Tokenização de ativos financeiros: títulos públicos, CRIs, CRAs e fundos em blockchain
  • Stablecoins e pagamentos transfronteiriços: DREX e interoperabilidade com sistemas de outros países
  • Infraestrutura de mercado digital: câmaras de compensação e custódia tokenizada
  • Sistemas de pagamento interoperáveis: integração entre Pix, sistemas LATAM e redes blockchain
  • Convergência regulatória na América Latina: harmonização entre BACEN, CVM e reguladores regionais
  • Modernização da infraestrutura financeira global: BIS Innovation Hub e padrões internacionais

O que disseram os organizadores

“O pré-lançamento oficial do Blockchain Rio 2026 marca o início de uma agenda estratégica que conecta inovação, regulação e infraestrutura financeira”, afirmou Francisco Carvalho, CEO do Blockchain Rio.

“Vivemos um momento em que a infraestrutura financeira está sendo redesenhada em escala global. O Brasil tem posição privilegiada nessa transição, e este fórum é o espaço para que os tomadores de decisão da América Latina alinhem visões e acelerem esse processo”, completou.

Por que o Brasil sediar esse debate importa

O Brasil é referência global em infraestrutura financeira digital: o Pix processa mais de 200 milhões de transações por dia e o DREX (real digital do Banco Central) está em fase avançada de testes com 16 instituições. Esse contexto coloca o país em posição natural de liderança para debater tokenização e pagamentos digitais na América Latina.

O mercado de Real World Assets (RWA) tokenizados no Brasil já superou R$ 1,5 bilhão em emissões, com crescimento de 1.134% em um ano — o que torna a pauta do fórum diretamente relevante para quem investe ou opera no setor financeiro nacional.

O que é o Piloto Drex e em que pé ele está

Um dos temas do fórum é a infraestrutura de ativos tokenizados, área em que o Brasil tem um laboratório próprio: o Piloto Drex. Segundo a página oficial do Piloto Drex no Banco Central, o projeto testa operações com a moeda digital brasileira em uma plataforma em que transações com ativos digitais são simuladas e liquidadas em Drex de varejo ou de atacado. Participam o Banco Central, a CVM, a Secretaria do Tesouro Nacional e instituições autorizadas. Usuários finais não participam diretamente; as operações deles são simuladas.

Na primeira fase, o BC recebeu 36 propostas, que envolviam mais de 100 instituições, e selecionou 16 consórcios ou empresas. Entre eles estão Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Caixa, Nubank, BTG, Inter, XP com Visa, B3 e um consórcio de cooperativas (Ailos, Cresol, Sicoob, Sicredi e Unicred). O teste central foi a entrega contra pagamento de título público federal entre clientes de instituições diferentes, com foco em privacidade e programabilidade. A incorporação dos participantes começou em julho de 2023.

A segunda fase, já encerrada, avaliou 13 casos de uso escolhidos entre 42 propostas. A lista inclui crédito com garantia em CDB e em títulos públicos, cessão de recebíveis, financiamento de comércio exterior, otimização do mercado de câmbio, transações com debêntures, ativos do agronegócio, créditos de descarbonização (CBIO), automóveis, imóveis e ativos em redes públicas. Os casos de debêntures e de agronegócio foram selecionados pela CVM em parceria com o BC. São exatamente os assuntos que um fórum sobre tokenização e infraestrutura financeira tende a colocar na mesa.

A regulação de cripto no Brasil chega ao fórum já desenhada

O debate sobre convergência regulatória acontece num momento em que o Brasil já tem regras detalhadas para o setor. O marco legal dos criptoativos (Lei 14.478/2022) definiu as prestadoras de serviços de ativos virtuais, e o Decreto 11.563/2023 colocou o Banco Central como regulador. Em 10 de novembro de 2025, o BC publicou três resoluções que tiram esse marco do papel.

  • Resolução BCB 519: trata dos processos de autorização das sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAV).
  • Resolução BCB 520: disciplina a constituição e o funcionamento das SPSAV, que precisam ser constituídas no Brasil e ter sede e administração em território nacional.
  • Resolução BCB 521: inclui operações das prestadoras de ativos virtuais no mercado de câmbio e nas regras de capitais brasileiros no exterior, com vigência a partir de 2 de fevereiro de 2026.

Na prática, isso significa que a exchange que atende o investidor brasileiro precisa de autorização do Banco Central para operar. Para quem usa stablecoins para mandar dinheiro para fora ou receber do exterior, a Resolução 521 aproxima essas operações das regras de câmbio. É o tipo de tema que reguladores da região observam quando discutem pagamentos transfronteiriços com stablecoins.

O que o investidor comum deve acompanhar

O fórum é fechado, mas as decisões discutidas ali chegam ao varejo por dois caminhos: a oferta de ativos tokenizados (títulos, recebíveis, imóveis) por bancos e plataformas autorizadas, e as regras de funcionamento das exchanges. Antes de comprar um token de recebível ou de imóvel, vale checar se a plataforma é autorizada pelo BC ou, quando o token tem natureza de valor mobiliário, se a oferta segue as regras da CVM.

No imposto de renda, a Receita já tem um lugar para esses ativos. Segundo as Perguntas e Respostas do IRPF 2026, tokens vinculados a recebíveis, imóveis, precatórios ou créditos de carbono entram no grupo 08, código 99 (outros criptoativos), quando o custo de aquisição de cada tipo for igual ou superior a R$ 5 mil. O passo a passo está no guia de como declarar cripto no imposto de renda.

Como acompanhar e participar

O Financial Infrastructure Forum é fechado para convidados. Já o evento principal — Blockchain Rio 2026 — acontece nos dias 12 e 13 de agosto no ExpoRio e terá inscrições abertas ao público. Acompanhe as atualizações em blockchainrio.com.br.

Conteúdo baseado no comunicado oficial do Blockchain Rio. O BTCnizando cobrirá o evento em agosto de 2026.

Perguntas frequentes

O público pode participar do Financial Infrastructure Forum LATAM?

Não. O fórum de 11 de agosto de 2026, no Museu do Amanhã, é restrito a convidados. O evento principal do Blockchain Rio, em 12 e 13 de agosto no ExpoRio, é aberto ao público mediante inscrição.

O Drex já pode ser usado pela população?

Não. Segundo o Banco Central, o Piloto Drex é uma fase de testes com instituições autorizadas, e os usuários finais não participam diretamente. O BC indica que testes com a população dependem de o projeto e os participantes atingirem maturidade adequada.

Quais regras do Banco Central valem hoje para as exchanges no Brasil?

As Resoluções BCB 519, 520 e 521, de novembro de 2025, tratam da autorização, do funcionamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais e da inclusão de operações com ativos virtuais nas regras de câmbio, esta última a partir de 2 de fevereiro de 2026.


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