O Bitcoin passa por uma fase de correção após atingir seu recorde histórico de US$ 126 mil.
Segundo o banco Standard Chartered, essa queda pode levar o ativo abaixo da marca de US$ 100 mil, mas apenas por um breve período.
A instituição acredita que o movimento é uma reação natural ao medo gerado pelas recentes tensões comerciais entre Estados Unidos e China.
Queda técnica ou última oportunidade de compra?
Geoff Kendrick, chefe global de pesquisa de ativos digitais do Standard Chartered, afirmou para o Decrypt que o Bitcoin vive uma “venda motivada pelo medo”.
Para ele, uma queda temporária abaixo de US$ 100 mil é inevitável, mas deve ser curta.
Mesmo assim, Kendrick mantém a previsão otimista: o preço do Bitcoin pode alcançar US$ 200 mil até o fim de 2025.
Essa análise sugere que a atual correção pode representar a última grande oportunidade de compra antes de uma nova disparada no mercado cripto.
“Uptober” em pausa, mas não cancelado
Historicamente, outubro e novembro são meses fortes para o Bitcoin.
Desde 2013, o ativo registra ganhos médios de 19,8% em outubro e 46% em novembro, segundo dados da CoinGlass.
O termo “Uptober” surgiu justamente para descrever esse padrão de alta, e muitos analistas acreditam que ele voltará assim que a pressão geopolítica diminuir.
Contudo, o cenário de 2025 é mais complexo.
O Bitcoin hoje é mais sensível a fatores como inflação global, tarifas comerciais e movimentos das commodities, o que torna as variações de preço mais rápidas e imprevisíveis.
Ouro em queda, Bitcoin em alta
Na terça-feira, o ouro sofreu sua maior queda diária em mais de uma década.
No mesmo dia, o Bitcoin reagiu positivamente, sinalizando uma possível mudança no comportamento dos investidores.
Kendrick chamou o movimento de “venda de ouro, compra de Bitcoin”, e acredita que isso pode marcar o início de um novo ciclo de valorização das criptomoedas.
Em 2025, o Bitcoin começa a ocupar o espaço do ouro como ativo de proteção em tempos de incerteza.
Esse movimento reforça o conceito do “ouro digital”, defendido por muitos economistas e investidores do setor.
O que esperar nos próximos meses
Com o Bitcoin sendo negociado em torno de US$ 108 mil, o mercado observa atentamente o ponto de reversão.
Se o ativo realmente cair abaixo de US$ 100 mil e se recuperar, o movimento confirmará a tese do Standard Chartered.
Nesse caso, poderemos ver um novo rali de alta até o final do ano, potencialmente levando o Bitcoin para patamares nunca antes vistos.
Conclusão
Mesmo com a volatilidade, o Bitcoin segue firme como principal ativo digital do mercado.
A previsão de queda temporária para US$ 100 mil não é sinal de fraqueza, mas um ajuste técnico dentro de uma tendência de alta maior.
Para investidores atentos, este pode ser o momento de se posicionar antes do próximo “Uptober”.
De onde vem a meta de US$ 200 mil
A projeção de US$ 200 mil não é nova. Em janeiro de 2025, o Standard Chartered já previa o bitcoin nesse patamar e o ether em US$ 10 mil até o fim do ano, apostando que fundos de pensão e outros investidores institucionais ampliariam a exposição via ETFs à vista. O banco esperava que os fluxos institucionais para o bitcoin em 2025 superassem os de 2024. A correção de outubro, portanto, é tratada por Kendrick como um desvio de rota, e não como uma mudança de tese.
Os números de outubro na prática
Pelos preços diários da Coinbase, o bitcoin bateu a máxima de cerca de US$ 126,3 mil em 6 de outubro. Em 10 de outubro, dia em que a tensão comercial entre Estados Unidos e China voltou a pesar, o ativo chegou a US$ 107 mil durante o pregão. A pressão continuou: em 17 de outubro a mínima foi de cerca de US$ 103,5 mil, e em 22 de outubro o fechamento ficou perto de US$ 107,6 mil. É desse ponto que parte a previsão de uma queda breve abaixo dos US$ 100 mil.
Em reais, a conta segue o câmbio. Com a PTAX de venda do Banco Central em R$ 5,39 em 22 de outubro, um bitcoin a US$ 108 mil equivalia a cerca de R$ 582 mil.
O peso dos juros americanos
Atualização (setembro de 2026): seis dias depois deste texto, em 29 de outubro de 2025, o Federal Reserve cortou a taxa básica americana em 0,25 ponto, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Segundo o comunicado do Fed, o banco central também decidiu encerrar em 1º de dezembro a redução do seu estoque de títulos. A decisão teve dois votos contrários: Stephen Miran queria um corte maior, de meio ponto, e Jeffrey Schmid preferia manter os juros. O alívio monetário, por si só, não foi suficiente para segurar o preço nas semanas seguintes.
Atualização (setembro de 2026): o que aconteceu com a previsão
A primeira parte da previsão se confirmou, mas não da forma esperada. Pelos dados da Coinbase, o bitcoin perdeu os US$ 100 mil em 4 de novembro, com mínima perto de US$ 98,9 mil, e a queda não foi curta: em 21 de novembro o ativo chegou a cerca de US$ 80,5 mil. O “Uptober” também não veio. Outubro fechou com queda de cerca de 4%, e novembro, historicamente forte, terminou perto de 17% no negativo.
O bitcoin encerrou 2025 em torno de US$ 87,5 mil, bem distante da meta de US$ 200 mil. O episódio reforça uma regra simples para quem acompanha previsões de bancos: elas ajudam a entender o raciocínio de grandes investidores, mas não servem como garantia de preço nem como prazo.
O que o investidor brasileiro deve levar em conta
Quem pensa em aproveitar quedas para comprar precisa lembrar que a compra não gera imposto, mas deve ser declarada na ficha Bens e Direitos, grupo 08, código 01, quando o custo total em bitcoin for de R$ 5 mil ou mais. Na venda, operações em exchange nacional de até R$ 35 mil por mês, somando todas as criptos, ficam isentas, como explicamos no guia sobre isenção de imposto em cripto. Acima disso, o ganho paga de 15% a 22,5% via DARF 4600.
Em corretoras estrangeiras vale a Lei 14.754/2023: 15% sobre o ganho, apurado na declaração anual, sem isenção mensal. Os detalhes de cada caso estão no guia de como declarar bitcoin no imposto de renda.
Perguntas frequentes
O bitcoin caiu abaixo de US$ 100 mil como previu o Standard Chartered?
Sim. Pelos dados da Coinbase, o ativo perdeu os US$ 100 mil em 4 de novembro de 2025. A queda, porém, não foi breve: em 21 de novembro o preço chegou perto de US$ 80,5 mil.
O bitcoin chegou a US$ 200 mil em 2025?
Não. O bitcoin terminou 2025 em torno de US$ 87,5 mil, muito abaixo da meta de US$ 200 mil que o Standard Chartered projetava desde janeiro daquele ano.
Comprar bitcoin na queda gera imposto?
A compra não gera imposto, mas precisa ser declarada se o custo total for de R$ 5 mil ou mais. O imposto só aparece na venda com lucro, quando as vendas do mês em exchange nacional passam de R$ 35 mil.
Antes de você sair
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