O mercado financeiro segue agitado com o Bitcoin (BTC) consolidando na faixa dos US$ 82.486, enquanto o ouro atinge novos patamares históricos. O desempenho desses ativos ressalta o contraste entre a volatilidade das criptomoedas e a segurança dos metais preciosos em tempos de incerteza econômica. Mas o que isso significa?

Bitcoin segue estável após ondas de volatilidade

Após um início de ano movimentado, o Bitcoin mantém-se estável na casa dos US$ 85.154, registrando uma leve valorização de 1,98% nas últimas 24 horas. A criptomoeda atingiu uma máxima de US$ 83.884 e uma mínima de US$ 81.282, indicando uma fase de consolidação. As ondas de volatilidade impulsionadas principalmente, pelas políticas monetárias do atual presidente Donald Trump e também pela instabilidade e indecisão da trajetória econômica dos Estados Unidos com relação a inflação e cortes na taxa de juros.

Ouro registra novo recorde: refúgio seguro em tempos de incerteza

Enquanto o Bitcoin se consolida, o ouro brilha no mercado financeiro. O ETF SPDR Gold Shares (GLD), um dos principais produtos que refletem o desempenho do metal, atingiu US$ 288,14, marcando uma valorização de 1,44%. Durante o pregão, o GLD variou entre US$ 285,91 e US$ 288,44, confirmando um movimento de alta consistente.

Por que o ouro está em alta?

Existem algumas razões para isso, sendo elas:

  1. Incertezas econômicas e geopolíticas – A crise em diversas regiões do mundo e a instabilidade dos mercados tradicionais aumentam a demanda por ativos de proteção.
  2. Compras massivas por bancos centrais – Instituições financeiras de diversos países seguem aumentando suas reservas em ouro, reforçando sua valorização.
  3. Ajustes na política monetária global – Mudanças nas taxas de juros e nas políticas do Federal Reserve impactam diretamente o valor do metal precioso.

O ouro segue como um dos ativos mais seguros para investidores que buscam estabilidade e proteção contra volatilidade do mercado tradicional e das criptomoedas.

O que sustentou o ouro: bancos centrais e demanda recorde

O movimento do ouro no início de 2025 vinha de um ano forte. Segundo o relatório Gold Demand Trends de 2024, do World Gold Council, publicado em fevereiro de 2025, os bancos centrais compraram 1.044,6 toneladas de ouro em 2024. Foi o terceiro ano seguido acima de mil toneladas, com aceleração no quarto trimestre, quando as compras chegaram a 332,9 toneladas.

A demanda total, incluindo o mercado de balcão, bateu recorde de 4.974 toneladas. O preço de referência LBMA renovou a máxima histórica 40 vezes ao longo de 2024, e a média anual subiu 23%, para US$ 2.386 por onça. Os fundos de ouro (ETFs) ficaram praticamente estáveis no ano, depois de três anos de saídas fortes.

Esse perfil de comprador explica por que o ouro sobe mesmo com juros altos nos Estados Unidos. Bancos centrais costumam comprar ouro para diversificar reservas, com horizonte longo e pouca sensibilidade ao rendimento de curto prazo, e isso cria um piso de demanda que não depende do humor dos investidores.

Bitcoin e ouro: comparação que ainda divide o mercado

O Bitcoin é chamado de ouro digital por ter oferta limitada a 21 milhões de unidades, mas no curto prazo ele ainda se comporta mais como um ativo de risco. Em momentos de incerteza como o do começo de abril de 2025, o ouro atraiu o dinheiro de proteção enquanto o Bitcoin andava de lado.

A diferença de comprador também pesa. O ouro tem os bancos centrais como compradores estruturais; o Bitcoin depende mais de investidores, empresas e ETFs, cujo fluxo muda rápido com o apetite por risco. Por isso, a comparação faz mais sentido no horizonte de anos do que no de semanas.

O que o investidor brasileiro deve considerar

Para quem investe do Brasil, os dois ativos são cotados em dólar, e o resultado em reais depende também do câmbio. Em fases de dólar forte, tanto o ouro quanto o Bitcoin podem render mais em reais do que em dólar, e o contrário vale quando o real se valoriza.

Quem compra Bitcoin em exchange nacional tem isenção de imposto sobre o ganho quando o total de vendas de criptoativos no mês não passa de R$ 35 mil, e precisa declarar a posição em Bens e Direitos (grupo 08, código 01) quando o custo de aquisição for de R$ 5 mil ou mais. Os detalhes estão no nosso guia para declarar criptomoedas no Imposto de Renda.

Perspectivas futuras

Olhando para o futuro, espera-se que o mercado de criptomoedas continue a evoluir, com o Bitcoin possivelmente retomando sua trajetória ascendente à medida que novos investidores entram no mercado e a adoção institucional se expande. Por outro lado, o ouro provavelmente manterá sua posição como um ativo de refúgio, especialmente em períodos de instabilidade econômica global.

Investidores são aconselhados a considerar a diversificação de seus portfólios, equilibrando ativos tradicionais como o ouro com alternativas modernas como o Bitcoin, a fim de mitigar riscos e aproveitar oportunidades em um mercado financeiro dinâmico.

Perguntas frequentes

Por que o ouro bateu recorde no início de 2025?

Por uma combinação de incerteza econômica e geopolítica, expectativas sobre os juros nos EUA e compras fortes de bancos centrais, que adquiriram mais de mil toneladas por ano entre 2022 e 2024, segundo o World Gold Council.

O Bitcoin é um porto seguro como o ouro?

Ainda não no curto prazo. O Bitcoin tem oferta limitada, mas costuma oscilar junto com ativos de risco em momentos de estresse, enquanto o ouro conta com a demanda estável de bancos centrais.

Como o câmbio afeta quem investe em ouro ou Bitcoin no Brasil?

Os dois são cotados em dólar. Se o dólar sobe frente ao real, o ganho em reais aumenta; se o real se valoriza, parte da alta em dólar se perde na conversão.

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Nota: As informações apresentadas são baseadas em dados disponíveis até a data de publicação e estão sujeitas a alterações conforme as condições de mercado.


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