Steven McClurg, CEO da Canary Capital, agitou o mercado de criptomoedas com uma previsão audaciosa: o Bitcoin pode alcançar a marca de US$ 150.000 ainda este ano. No entanto, suas expectativas para o Ethereum são menos otimistas, sugerindo que a recente valorização da segunda maior criptomoeda não se sustentará a longo prazo.
McClurg expressou ceticismo em relação ao Ethereum, classificando-o como uma tecnologia “desatualizada” em comparação com blockchains mais recentes. Ele argumenta que plataformas como Solana e Sui oferecem maior velocidade, custos de transação mais baixos e segurança aprimorada, superando o Ethereum em termos de inovação e eficiência.
Apesar das críticas de McClurg, o Ethereum tem demonstrado resiliência e um crescimento notável nas últimas semanas, aproximando-se de seu recorde histórico. Especialistas do mercado apontam que fatores como regulamentações nos Estados Unidos e tendências deflacionárias na aquisição de ETH contribuíram para essa ascensão.
Em contraste com a visão de McClurg, Greg Magadini, Diretor de Derivativos da Amberdata, defende o potencial do Ethereum. Magadini enfatiza a força do ecossistema de desenvolvedores do Ethereum, comparando-o à plataforma iPhone, que permite a construção de aplicativos diretamente em sua infraestrutura. Ele prevê que o Ethereum se equiparará ao Bitcoin em termos relativos, com a relação ETH/BTC atingindo 7%, o que poderia impulsionar o preço do ETH para a faixa de US$ 8.000 a US$ 10.000.
Ambos os analistas, contudo, concordam em um ponto: o Bitcoin tem potencial para ultrapassar os US$ 150.000 em 2025. Essa projeção é impulsionada pela crescente busca por proteção contra a inflação e pelo apetite dos investidores por ativos de risco, consolidando o Bitcoin como uma aposta forte no cenário financeiro atual.
Atualização (setembro de 2026): a previsão se confirmou?
Não em 2025. Segundo o CoinGecko, a máxima histórica do Bitcoin foi de US$ 126.080, atingida em 6 de outubro de 2025, cerca de 16% abaixo dos US$ 150 mil projetados. O ano terminou com o BTC perto de US$ 88,4 mil em 31 de dezembro de 2025, e em 30 de setembro de 2026 ele era negociado na casa de US$ 83,7 mil.
Do lado do Ethereum, o movimento que McClurg via como passageiro ainda rendeu um novo recorde poucos dias depois desta reportagem: o ETH bateu US$ 4.946 em 24 de agosto de 2025, segundo o mesmo agregador. A faixa de US$ 8 mil a US$ 10 mil citada por Greg Magadini não foi alcançada, e em setembro de 2026 o ETH estava perto de US$ 2.680.
Ethereum, Solana e Sui: o que está por trás do debate técnico
A crítica de McClurg de que o Ethereum seria uma tecnologia “desatualizada” mira principalmente velocidade e custo por transação, pontos em que redes como Solana e Sui foram desenhadas para se destacar. O Ethereum tem respondido com atualizações que levam o volume de transações para as redes de segunda camada (layer 2).
O exemplo mais recente antes desta reportagem foi a atualização Pectra, ativada em 7 de maio de 2025. Segundo o anúncio oficial da Ethereum Foundation, ela dobrou a capacidade de blobs (os pacotes de dados usados pelas layer 2), de 3 para 6 em média por bloco e de 6 para 9 no máximo, o que reduz o custo das transações nessas redes. A Pectra também trouxe a EIP-7702, que permite que carteiras comuns ganhem funções de contas inteligentes, como agrupar transações e ter o gás pago por terceiros, e elevou de 32 para 2.048 ETH o saldo efetivo máximo por validador.
Como ler previsões de gestores de ETF
A Canary Capital é uma gestora que emite fundos ligados a criptoativos, e previsões de executivos do setor costumam refletir a tese de investimento da própria casa. Isso não invalida a análise, mas é um contexto útil. As duas projeções desta reportagem partiam das mesmas premissas (busca por proteção contra a inflação e apetite por risco) e, ainda assim, divergiam sobre o Ethereum, o que mostra o tamanho da incerteza envolvida.
Um jeito prático de usar esse tipo de previsão é olhar para os argumentos, e não para o número final: o que precisaria acontecer para o preço chegar lá, e quais sinais mostrariam que a tese está falhando.
O que isso significa para quem investe do Brasil
Independentemente de quem acerta a previsão, a declaração segue a mesma regra. Segundo as Perguntas e Respostas do IRPF 2026 da Receita, o Bitcoin vai no grupo 08, código 01, e o Ethereum, a Solana e outras altcoins no código 02, cada uma como item separado, quando o custo de aquisição de cada tipo chega a R$ 5 mil. Vendas de até R$ 35 mil por mês em exchange no Brasil, somando todos os criptoativos, são isentas. Acima disso, o ganho paga de 15% a 22,5%. Em exchange estrangeira, não há isenção, e o ganho entra na declaração anual com 15%. Veja o passo a passo no nosso guia de bitcoin no imposto de renda.
Trocar ETH por SOL ou SUI, seguindo a tese de McClurg, também conta: a Receita considera tributável a permuta entre criptomoedas, mesmo sem conversão para reais.
Perguntas frequentes
O Bitcoin chegou a US$ 150 mil em 2025?
Não. A máxima foi de US$ 126.080, em 6 de outubro de 2025, segundo o CoinGecko, e o ano fechou perto de US$ 88,4 mil.
Qual foi a máxima do Ethereum depois dessa previsão?
US$ 4.946, em 24 de agosto de 2025, segundo o CoinGecko. O preço não chegou à faixa de US$ 8 mil a US$ 10 mil projetada por Magadini.
Trocar Ethereum por Solana paga imposto?
Pode pagar. A permuta entre criptomoedas é tributável no Brasil, e o valor da operação entra na soma do limite de isenção de R$ 35 mil por mês para ativos negociados no país.
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