Volume de stablecoins dispara e bate recorde de US$ 1,79 trilhão em junho de 2026

Volume de stablecoins dispara e bate recorde de US$ 1,79 trilhão em junho: o que isso significa para o mercado cripto

O volume de stablecoins dispara e bate recorde de US$ 1,79 trilhão em junho, consolidando esses ativos digitais como peças fundamentais da infraestrutura financeira global. O número representa um salto impressionante de 63% em relação ao mês anterior, quando as transações somaram US$ 1,10 trilhão, e supera a máxima histórica anterior de US$ 1,78 trilhão, registrada em fevereiro deste ano. Os dados vêm do painel Visa Onchain Analytics, uma das referências mais respeitadas do setor para medir o uso econômico real dessas moedas digitais pareadas ao dólar.

Para quem acompanha o mercado cripto brasileiro, esse marco não é apenas um número abstrato. Ele sinaliza que as stablecoins estão cada vez mais presentes no cotidiano financeiro, desde remessas internacionais até operações comerciais, e o Brasil é um dos países que mais utiliza esses ativos no mundo.

O que os números revelam sobre o crescimento das stablecoins

Os dados divulgados pelo painel da Visa merecem atenção especial porque passam por um processo de ajuste. Diferentemente de métricas brutas que aparecem em exploradores de blockchain, o Visa Onchain Analytics filtra o que a empresa chama de “ruídos típicos” das redes descentralizadas. Isso inclui atividade automatizada de bots, transferências internas entre carteiras de exchanges e outras movimentações que não representam uso econômico genuíno.

A Visa desenvolveu esse painel em parceria com a Allium Labs com um objetivo claro: oferecer a bancos, reguladores e participantes do mercado financeiro tradicional uma leitura mais precisa sobre o que realmente está acontecendo com as stablecoins nas blockchains públicas. Quando um número ajustado por essa metodologia atinge US$ 1,79 trilhão em um único mês, o recado é direto: as stablecoins deixaram de ser um nicho e se tornaram infraestrutura de pagamentos em escala global.

No acumulado do primeiro semestre de 2026, o volume ajustado de transações com stablecoins alcançou a marca de US$ 8,82 trilhões. Esse valor já supera os US$ 5,8 trilhões registrados em períodos anteriores comparáveis, indicando que o ritmo de adoção está se acelerando, e não desacelerando.

USDC ultrapassa USDT em volume de transações ajustado

Um dos dados mais relevantes desse relatório é a mudança na composição do mercado de stablecoins. Em junho, a USDC, stablecoin emitida pela Circle, foi responsável por aproximadamente 67% de todo o volume ajustado, movimentando cerca de US$ 1,21 trilhão. A USDT, emitida pela Tether e historicamente líder do segmento, ficou com o segundo lugar, somando US$ 576 bilhões, o que representa cerca de 32% do total.

Essa inversão é significativa por vários motivos:

  • A USDT ainda lidera em capitalização de mercado, ou seja, há mais USDT em circulação do que USDC. Porém, quando se olha para o volume real de transações filtrado por metodologia rigorosa, a USDC domina.
  • A USDC tem sido a escolha preferencial de instituições financeiras e empresas que buscam conformidade regulatória. A Circle mantém reservas auditadas regularmente e opera sob regulamentação nos Estados Unidos.
  • A preferência institucional pela USDC pode refletir o avanço de marcos regulatórios em diversas jurisdições, o que naturalmente direciona fluxos para ativos percebidos como mais transparentes.

Esse movimento não significa que a USDT esteja perdendo relevância. Em mercados emergentes, incluindo o Brasil, a USDT continua sendo amplamente utilizada por traders e por pessoas que buscam proteção contra a desvalorização de moedas locais. Porém, a tendência mostra que o perfil de uso das duas stablecoins está se diferenciando cada vez mais.

O impacto no mercado brasileiro de criptomoedas

O Brasil ocupa uma posição de destaque global quando se trata de adoção de stablecoins. Segundo dados da Receita Federal, que passou a exigir a declaração de ativos digitais mantidos no exterior desde 2019, os brasileiros movimentam bilhões de reais por ano em stablecoins, utilizando-as principalmente para:

  • Proteção cambial: com o real frequentemente pressionado, manter parte do patrimônio atrelado ao dólar via USDT ou USDC se tornou uma estratégia popular entre investidores brasileiros.
  • Remessas internacionais: enviar dinheiro para o exterior usando stablecoins é mais rápido e mais barato do que os canais bancários tradicionais, o que atrai tanto pessoas físicas quanto pequenas empresas.
  • Trading e DeFi: grande parte dos pares de negociação em exchanges brasileiras e internacionais utiliza stablecoins como moeda base.
  • Pagamentos comerciais: empresas que importam produtos ou contratam serviços no exterior têm adotado stablecoins para reduzir custos de conversão.

Regulação cripto no Brasil e as stablecoins

O marco regulatório brasileiro para criptoativos, que entrou em vigor com a Lei 14.478/2022, criou as bases para a regulamentação do setor no país. O Banco Central do Brasil, como regulador designado, tem trabalhado em normas específicas que incluem as stablecoins no escopo de supervisão.

Um ponto de atenção para o investidor brasileiro é a obrigatoriedade de declarar stablecoins no Imposto de Renda. Independentemente de estarem em exchanges nacionais ou estrangeiras, esses ativos devem constar na declaração anual de bens, e operações com lucro acima do limite de isenção mensal estão sujeitas a tributação.

Com o volume global de stablecoins batendo recordes, a tendência é que os reguladores brasileiros acelerem a definição de regras mais claras para esses ativos, o que pode trazer tanto mais segurança jurídica quanto novas exigências de compliance para exchanges e usuários.

Por que as stablecoins estão crescendo tão rápido

Vários fatores explicam a explosão no volume de transações com stablecoins em 2026:

1. Avanço regulatório global: países como Estados Unidos, União Europeia e Brasil estão criando marcos legais que dão mais segurança para instituições financeiras operarem com stablecoins.

2. Adoção institucional: bancos, fintechs e processadores de pagamento estão integrando stablecoins em seus sistemas, ampliando drasticamente o volume de transações.

3. Melhoria da infraestrutura blockchain: redes como Solana, Ethereum (com suas soluções de camada 2) e outras oferecem transações cada vez mais rápidas e baratas, tornando as stablecoins viáveis para pagamentos do dia a dia.

4. Demanda em mercados emergentes: em países com moedas voláteis ou acesso limitado ao sistema bancário tradicional, as stablecoins funcionam como uma porta de entrada para o dólar digital.

5. Crescimento do comércio internacional on-chain: empresas estão usando stablecoins para liquidar pagamentos internacionais de forma mais eficiente.

Conforme reportado pelo Portal do Bitcoin, o resultado de junho reforça o avanço desses ativos como infraestrutura de pagamentos, liquidação e movimentação de dinheiro on-chain, algo que vai muito além da especulação que marcou os primeiros anos do mercado cripto.

O que esperar para o segundo semestre de 2026

Com US$ 8,82 trilhões movimentados apenas no primeiro semestre, as projeções para o ano completo são expressivas. Se o ritmo atual se mantiver, 2026 pode encerrar com um volume total de stablecoins ajustado superior a US$ 15 trilhões, um número que rivaliza com o volume de algumas das maiores redes de pagamento tradicionais do mundo.

Para o investidor e entusiasta brasileiro, os pontos de atenção para os próximos meses incluem:

  • Novas regulamentações do Banco Central sobre prestadores de serviços de ativos virtuais, que devem incluir diretrizes específicas para stablecoins.
  • Possível lançamento do Drex (real digital) e como ele vai interagir com o ecossistema de stablecoins já existente no país.
  • Movimentos de grandes players financeiros no mercado de stablecoins, incluindo possíveis lançamentos de novas moedas estáveis por bancos tradicionais.

Perguntas frequentes

O que são stablecoins e por que elas são importantes?

Stablecoins são criptomoedas projetadas para manter um valor estável, geralmente atrelado a uma moeda fiduciária como o dólar americano. Elas são importantes porque combinam a estabilidade do dólar com a velocidade e a acessibilidade da tecnologia blockchain, permitindo transferências internacionais rápidas, proteção contra desvalorização cambial e acesso a serviços financeiros descentralizados (DeFi).

Como o recorde de US$ 1,79 trilhão em stablecoins afeta o investidor brasileiro?

O crescimento do volume de stablecoins sinaliza maior adoção institucional e maturidade do mercado cripto como um todo. Para o investidor brasileiro, isso significa mais opções de proteção cambial, maior liquidez nos mercados, e uma probabilidade crescente de que stablecoins sejam integradas a serviços financeiros tradicionais no Brasil. Também reforça a importância de manter esses ativos devidamente declarados à Receita Federal.

Qual a diferença entre USDC e USDT para quem investe no Brasil?

A USDT (Tether) tem maior capitalização de mercado e é amplamente aceita em praticamente todas as exchanges, sendo a mais popular entre traders brasileiros. A USDC (Circle) é vista como mais transparente em suas reservas e tem ganhado preferência entre instituições financeiras. Ambas mantêm paridade com o dólar, mas possuem perfis de risco e regulação distintos. O investidor deve avaliar fatores como disponibilidade na exchange utilizada, taxas de transação e confiança na emissora.

Conclusão

O recorde de US$ 1,79 trilhão em volume ajustado de stablecoins em junho de 2026 não é apenas mais um número no mundo cripto. É a confirmação de que esses ativos digitais se estabeleceram como infraestrutura financeira global, com impacto direto no Brasil, um dos maiores mercados de criptomoedas do mundo.

O crescimento de 63% em relação a maio, a dominância da USDC em volume de transações e o acumulado de US$ 8,82 trilhões no primeiro semestre mostram que o setor está em plena aceleração. Para quem acompanha o mercado, entender a dinâmica das stablecoins é tão importante quanto acompanhar o preço do Bitcoin.

Fique por dentro das principais movimentações do mercado cripto acompanhando o Btcnizando. Aqui você encontra análises, notícias e conteúdos pensados para o investidor brasileiro que quer tomar decisões mais informadas no universo das criptomoedas.

Cartão Kast: ganhe bônus em dólar, aceito em qualquer lugar e sem IOF
Cobre o noticiário diário de criptomoedas no BTCnizando: mercado, regulação, ETFs e dados on-chain. Apuração rápida com revisão editorial da equipe.