Em uma decisão histórica que pode mudar o cenário das criptomoedas no Sul da Ásia, o governo do Paquistão anunciou planos para utilizar 2.000 megawatts (MW) de energia excedente na mineração de Bitcoin. A medida visa transformar recursos ociosos em ativos digitais altamente lucrativos, ao mesmo tempo em que fortalece a posição do país na economia digital global.

Energia ociosa vira oportunidade econômica

Segundo autoridades locais, parte da energia gerada em horários de baixa demanda – especialmente por fontes hidrelétricas e térmicas – tem sido subutilizada, representando uma perda financeira e estrutural. Com a nova política, esse excedente será redirecionado para fazendas de mineração de Bitcoin geridas tanto por empresas privadas quanto por parcerias público-privadas.

“Temos energia disponível e queremos transformá-la em um ativo digital que possa trazer divisas e desenvolvimento tecnológico para o país,”

Mineração de Bitcoin como motor de crescimento

A decisão ocorre em meio a um cenário de crescente adoção das criptomoedas no país, com o Paquistão figurando entre os 10 maiores mercados de criptoativos do mundo, segundo o Índice Global de Adoção Cripto 2024 da Chainalysis. A mineração de Bitcoin surge como uma alternativa estratégica para:

  • Aumentar a receita nacional
  • Reduzir a dependência do dólar americano
  • Aproveitar a infraestrutura energética já existente
  • Criar empregos na área de tecnologia

Sustentabilidade e regulamentação

Embora o anúncio tenha entusiasmado investidores e entusiastas da blockchain, críticos levantam preocupações sobre o impacto ambiental. No entanto, o governo assegurou que a maioria da energia redirecionada virá de fontes renováveis, especialmente de usinas hidrelétricas.

Além disso, um marco regulatório específico para a mineração de criptomoedas está sendo desenvolvido para garantir transparência, segurança jurídica e controle fiscal sobre as atividades.

O que dizem os especialistas

Para analistas de mercado, o movimento coloca o Paquistão em uma posição estratégica: “Trata-se de uma jogada inteligente. Países com energia excedente estão descobrindo que podem monetizá-la de forma eficiente via mineração de ativos digitais. Isso pode impulsionar a inovação local e atrair investimentos estrangeiros,” afirma Sadia Khan, consultora em tecnologia blockchain com atuação no Oriente Médio e Sul da Ásia.

Onde o Paquistão aparece no mapa da adoção cripto

O índice da Chainalysis citado acima, publicado em setembro de 2024, colocou o Paquistão em 9º lugar entre os países com maior adoção de criptomoedas. O Brasil ficou logo atrás, em 10º. O relatório também destacou que a região da Ásia Central, Sul da Ásia e Oceania concentrava sete dos 20 primeiros colocados, com a Índia na liderança geral.

Esse dado ajuda a entender a aposta do governo paquistanês: o uso de cripto no país já é alto entre pessoas físicas, e a mineração seria uma forma de o Estado também capturar valor nesse mercado, com geração de divisas em um país que depende de dólares para pagar importações e dívida externa.

Quem está por trás do plano

O anúncio faz parte de uma sequência de medidas tomadas pelo Paquistão em 2025. O Conselho Cripto do Paquistão (Pakistan Crypto Council) foi lançado em março, vinculado ao Ministério das Finanças, e passou a ser comandado por Bilal Bin Saqib, depois nomeado assistente especial do primeiro-ministro para blockchain e criptomoedas. O plano de destinar 2.000 MW de energia a mineração de bitcoin e a centros de dados de inteligência artificial foi divulgado no fim de maio de 2025, poucos dias antes da publicação deste texto.

O país também criou um regulador próprio para o setor. Segundo o site oficial da PVARA (Autoridade Reguladora de Ativos Virtuais do Paquistão), o órgão é o regulador federal independente para ativos virtuais e concede licenças a prestadores de serviços, com caminhos de sandbox regulatório, certificados de não objeção e licença plena.

Os desafios do plano de mineração

Direcionar energia excedente para a mineração parece simples no papel, mas envolve pontos sensíveis. O primeiro é o preço: mineradoras só se instalam onde a eletricidade é barata e previsível, e qualquer tarifa especial para o setor pode ser vista como subsídio em um país com sistema elétrico endividado e sob acompanhamento de credores internacionais.

O segundo é a infraestrutura. Energia sobrando em horários de baixa demanda não significa energia disponível o tempo todo, e fazendas de mineração funcionam 24 horas por dia. O terceiro é regulatório: sem regras claras de tributação e de licenciamento, investidores estrangeiros tendem a esperar antes de trazer máquinas e capital.

O que o caso do Paquistão diz ao Brasil

O Brasil também tem momentos de sobra de energia renovável, principalmente solar e eólica, em horários em que a rede não consegue absorver toda a geração. Por isso, a ideia de usar mineração de bitcoin como consumidora flexível de energia aparece com frequência no debate do setor elétrico. A diferença é que, no Brasil, a iniciativa tem vindo de empresas privadas, e não de um programa estatal como o paquistanês.

Para quem minera como pessoa física no Brasil, vale lembrar que o bitcoin obtido precisa ir para a declaração anual. Pelas Perguntas e Respostas do IRPF 2026 da Receita Federal, o BTC entra no Grupo 08, código 01, quando o valor de aquisição for igual ou superior a R$ 5 mil, com a quantidade e o local de custódia na discriminação. O guia sobre imposto sobre criptomoedas reúne as regras de venda e isenção.

Perguntas frequentes

Quanto de energia o Paquistão quer usar para minerar bitcoin?

O plano anunciado prevê 2.000 MW de energia excedente, destinados a mineração de bitcoin e a centros de dados de inteligência artificial.

O Paquistão está entre os países que mais usam cripto?

Sim. No Índice Global de Adoção Cripto 2024 da Chainalysis, o Paquistão ficou em 9º lugar. O Brasil apareceu em 10º.

Quem regula as criptomoedas no Paquistão?

O país criou a PVARA, Autoridade Reguladora de Ativos Virtuais, que funciona como regulador federal independente e licencia prestadores de serviços de ativos virtuais.

Leia também: Mineração de Bitcoin: o guia completo


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