Hackers roubam US$ 31,6 milhões em dois ataques a bridges cripto em apenas 7 horas
Na manhã desta quarta-feira (23), o mercado cripto foi sacudido por mais um episódio brutal de insegurança: hackers roubaram US$ 31,6 milhões em dois ataques separados a bridges de criptomoedas em um intervalo de apenas 7 horas (hackers steal $31.6M in 2 crypto bridge attacks within 7 hours, como noticiou a imprensa internacional). Os alvos foram a bridge cross-chain da exchange descentralizada AFX, operando na rede Arbitrum, e a Verus Ethereum Bridge, do Verus Protocol. O caso reacende o debate sobre a fragilidade estrutural das pontes entre blockchains e o que investidores brasileiros precisam saber para proteger seus ativos.
O que aconteceu: dois ataques, duas bridges, um padrão perigoso
O primeiro ataque atingiu a AFX, uma exchange descentralizada de contratos perpétuos que opera sobre a rede Arbitrum. De acordo com dados da empresa de segurança blockchain Blockaid, a bridge cross-chain da plataforma foi explorada, resultando em um prejuízo estimado de US$ 24,15 milhões. Poucas horas depois, a mesma Blockaid identificou uma segunda exploração, desta vez direcionada à Verus Ethereum Bridge, que conecta o ecossistema Verus à rede Ethereum. Neste segundo incidente, cerca de US$ 7,5 milhões em criptoativos foram drenados.
Os dois ataques não possuem relação comprovada entre si, mas a proximidade temporal chama atenção. A coincidência levanta hipóteses: será que grupos diferentes identificaram vulnerabilidades semelhantes ao mesmo tempo? Ou o primeiro ataque serviu de “inspiração” para o segundo?
Como reportou o Cointelegraph, Ido Ben Natan, CEO da Blockaid, comentou o caso reforçando que bridges continuam sendo o elo mais fraco da infraestrutura blockchain.
Por que bridges cripto são alvos tão frequentes?
Para quem está chegando agora ao universo cripto, é fundamental entender o papel das bridges (pontes cross-chain). Elas são protocolos que permitem transferir ativos de uma blockchain para outra. Por exemplo, mover tokens de Ethereum para Arbitrum, ou de Bitcoin para uma rede compatível com contratos inteligentes.
O problema é que essas pontes acumulam grandes reservas de ativos em contratos inteligentes. Isso as transforma em alvos extremamente atraentes para hackers. Veja por que:
- Alta concentração de valor: bridges armazenam pools enormes de tokens para garantir liquidez nas transferências entre redes.
- Complexidade técnica: o código que gerencia a comunicação entre duas blockchains distintas é inerentemente mais complexo, ampliando a superfície de ataque.
- Histórico de falhas: desde o hack da Ronin Bridge (US$ 625 milhões em 2022) até o ataque à Wormhole (US$ 320 milhões), bridges figuram entre os maiores roubos da história cripto.
- Dificuldade de auditoria: a interação entre diferentes protocolos e cadeias torna a auditoria de segurança mais desafiadora do que em contratos inteligentes tradicionais.
A frase atribuída a Ben Natan resume bem o cenário: “Bridges sempre serão um elo fraco até que a segurança seja aprimorada de forma fundamental.”
Impacto no mercado e reação dos preços
Apesar da gravidade dos ataques, o mercado cripto mais amplo não apresentou quedas significativas diretamente ligadas aos incidentes. No momento da publicação, o Bitcoin (BTC) era negociado na faixa de US$ 65.161, com alta de 1,28% nas últimas 24 horas. O Ethereum (ETH) operava em torno de US$ 1.881, subindo 2,84%.
Outros ativos relevantes também se mantiveram estáveis ou em leve alta:
| Ativo | Preço (USD) | Variação 24h |
|——-|————-|————–|
| BTC | US$ 65.161 | +1,28% |
| ETH | US$ 1.881 | +2,84% |
| SOL | US$ 75,99 | +2,63% |
| XRP | US$ 1,10 | +2,83% |
| BNB | US$ 567,10 | +0,67% |
| ADA | US$ 0,1687 | +3,66% |
Isso não significa que os ataques sejam irrelevantes. O efeito tende a ser concentrado nos tokens e ecossistemas diretamente envolvidos. Usuários da AFX e da Verus que tinham fundos depositados nas bridges afetadas podem ter sofrido perdas totais, dependendo da resposta das equipes dos projetos.
O que investidores brasileiros precisam saber
O Brasil é hoje um dos maiores mercados de criptomoedas da América Latina, e cada vez mais brasileiros utilizam protocolos DeFi, incluindo bridges cross-chain. O cenário regulatório do país adiciona camadas importantes de atenção.
Declaração de ativos e a Receita Federal
Desde 2019, a Receita Federal exige que operações com criptoativos sejam declaradas por meio da IN 1.888. Isso inclui ativos mantidos em protocolos descentralizados. Se você utilizava bridges como as da AFX ou Verus e sofreu perdas, é fundamental:
1. Documentar as transações: salve hashes de transação, prints de tela e qualquer comprovante de depósito na bridge.
2. Consultar um contador especializado: perdas por hack podem, em tese, ser declaradas, mas o tratamento tributário ainda é uma zona cinzenta no Brasil.
3. Reportar ao projeto: acompanhe os canais oficiais da AFX e da Verus para informações sobre possíveis ressarcimentos ou snapshots de saldos.
Uso de bridges por brasileiros
Muitos investidores brasileiros utilizam bridges para acessar redes com taxas mais baixas, como Arbitrum e Polygon, ou para participar de oportunidades de yield farming em diferentes cadeias. Este caso serve como lembrete importante: o rendimento oferecido por um protocolo DeFi precisa ser avaliado em conjunto com o risco da infraestrutura que o sustenta.
Dicas práticas de segurança
- Evite deixar fundos parados em bridges: transfira seus ativos e retire da bridge o mais rápido possível.
- Diversifique entre protocolos: não concentre todo o seu patrimônio DeFi em uma única bridge ou plataforma.
- Prefira bridges com auditorias múltiplas: verifique se o protocolo foi auditado por empresas reconhecidas como Certik, Trail of Bits ou OpenZeppelin.
- Acompanhe alertas de segurança: siga empresas como Blockaid, PeckShield e SlowMist no X (antigo Twitter) para ser avisado rapidamente sobre exploits.
- Use carteiras com limites de aprovação: revogue permissões de contratos inteligentes antigos usando ferramentas como Revoke.cash.
O histórico de ataques a bridges em 2026
O caso desta quarta-feira não é isolado. O ano de 2026 já acumula incidentes significativos envolvendo pontes cross-chain. Bridges continuam sendo o vetor de ataque preferido de hackers sofisticados, muitos deles ligados a grupos patrocinados por Estados, como o notório Lazarus Group da Coreia do Norte, que já foi associado a vários dos maiores hacks da história cripto.
A indústria tem buscado alternativas mais seguras, como soluções baseadas em provas de conhecimento zero (ZK proofs) e bridges com verificação nativa que eliminam intermediários. No entanto, a adoção dessas tecnologias ainda é lenta, e a maioria dos protocolos em operação utiliza modelos de segurança mais antigos e vulneráveis.
Perguntas frequentes
O que é uma bridge cripto e por que ela é vulnerável?
Uma bridge cripto é um protocolo que permite transferir ativos digitais entre diferentes blockchains. Ela é vulnerável porque acumula grandes quantidades de tokens em contratos inteligentes e depende de mecanismos complexos de verificação entre cadeias, o que amplia a superfície de ataque para hackers.
Quem foi afetado pelos ataques à AFX e à Verus Bridge?
Os usuários que tinham fundos depositados ou em trânsito nas bridges exploradas da AFX (na rede Arbitrum) e da Verus Ethereum Bridge foram os diretamente afetados. O prejuízo total estimado é de US$ 31,6 milhões. Ainda não há confirmação sobre planos de ressarcimento por parte das equipes dos projetos.
Como investidores brasileiros podem se proteger contra hacks em bridges?
Investidores devem evitar manter fundos parados em bridges por longos períodos, diversificar entre protocolos auditados, revogar aprovações de contratos inteligentes antigos e acompanhar alertas de segurança de empresas especializadas como Blockaid e PeckShield. Também é importante documentar todas as transações para fins de declaração à Receita Federal.
Conclusão: segurança precisa evoluir na mesma velocidade da inovação
Os dois ataques que drenaram US$ 31,6 milhões em apenas 7 horas são um lembrete duro de que a inovação em DeFi precisa caminhar lado a lado com a segurança. Bridges cross-chain são uma peça essencial da infraestrutura multichain, mas continuam sendo o calcanhar de Aquiles do ecossistema cripto.
Para o investidor brasileiro, o recado é claro: informação é a primeira linha de defesa. Entender onde seus ativos estão, quais riscos você está assumindo e como agir rapidamente em caso de incidente pode ser a diferença entre preservar ou perder seu patrimônio digital.
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