Os crimes envolvendo criptomoedas registraram um crescimento expressivo em 2025, acendendo um alerta global sobre a segurança no mercado cripto. De acordo com dados de empresas especializadas em análise on-chain, as perdas causadas por hacks, golpes e explorações já ultrapassam US$ 3,4 bilhões no ano, reforçando a necessidade de protocolos mais robustos e maior conscientização dos usuários.

O avanço ocorre em paralelo à maior adoção institucional, à expansão da tokenização e à integração entre finanças tradicionais e blockchain, fatores que aumentam tanto a liquidez quanto a atratividade do setor para agentes mal-intencionados.

Hacks e golpes lideram prejuízos no mercado cripto

Entre os principais vetores de ataque identificados em 2025 estão:

  • Explorações de smart contracts com falhas de lógica;
  • Ataques a pontes cross-chain, que concentram grandes volumes de liquidez;
  • Golpes de engenharia social, como phishing e plataformas falsas;
  • Roubo ou comprometimento de chaves privadas;

Mesmo com o avanço das ferramentas de rastreamento on-chain, criminosos continuam utilizando mixers, bridges intermediárias e protocolos de privacidade para dificultar a recuperação dos fundos.

Adoção institucional amplia responsabilidade sobre segurança

O retorno do interesse institucional em criptoativos, impulsionado por ETFs, custódia regulada e tokenização de ativos, traz novos desafios. A entrada de grandes instituições aumenta a confiança no mercado, mas também eleva o impacto potencial de falhas operacionais.

Mudanças regulatórias recentes permitem que bancos e gestoras tradicionais custodiem criptoativos diretamente, o que exige:

  • Segurança operacional
  • Gestão de chaves privadas
  • Governança e compliance
  • Resposta a incidentes

Qualquer falha nesses pilares pode gerar impactos sistêmicos e afetar a confiança do mercado.

Segurança volta ao centro do debate cripto

O cenário reforça uma máxima conhecida no ecossistema: a tecnologia é descentralizada, mas o risco muitas vezes é humano.

Conclusão

O avanço dos crimes cripto em 2025 não representa apenas um problema de segurança, mas um teste de maturidade para todo o setor. À medida que o mercado cresce, a proteção de ativos, dados e identidades digitais deixa de ser opcional e passa a ser infraestrutura crítica.

O que os números da Chainalysis mostram

O valor de US$ 3,4 bilhões citado acima aparece no relatório da Chainalysis sobre roubos de cripto em 2025, publicado em 18 de dezembro de 2025. Vale uma ressalva: a conta se refere a fundos roubados em ataques e invasões, e não inclui toda a categoria de golpes, como fraudes de investimento, que a empresa mede separadamente.

Um único caso pesou muito no ano. O ataque à exchange Bybit, em fevereiro de 2025, desviou cerca de US$ 1,5 bilhão. Segundo a Chainalysis, os três maiores ataques do ano somaram 69% de todas as perdas de plataformas, e a diferença entre o maior ataque e a mediana dos incidentes passou de mil vezes pela primeira vez. Em outras palavras: a maioria dos casos é pequena, mas poucos eventos gigantes definem o total.

Coreia do Norte no centro dos ataques

O relatório atribui a grupos ligados à Coreia do Norte US$ 2,02 bilhões roubados em 2025, alta de 51% em relação ao ano anterior. Com isso, o total histórico atribuído ao país chega a US$ 6,75 bilhões. Os norte-coreanos responderam por 76% dos comprometimentos de serviços (exchanges e outras plataformas) no ano, o que mostra que o risco para as empresas vem em boa parte de grupos organizados e com apoio estatal.

Carteiras pessoais viraram alvo

O problema não se limita a grandes plataformas. A Chainalysis contou 158 mil incidentes de comprometimento de carteiras pessoais em 2025, com pelo menos 80 mil vítimas únicas e US$ 713 milhões roubados de pessoas físicas. Em 2022, eram 54 mil incidentes. O número reforça a ideia do texto acima: muitas vezes o elo fraco é humano, com frases de recuperação expostas, aprovação de transações maliciosas ou instalação de aplicativos falsos.

Na prática, algumas medidas reduzem bastante o risco: guardar a seed phrase fora de qualquer dispositivo conectado, nunca digitá-la em sites ou formulários, desconfiar de “suporte” que procura o usuário por mensagem, conferir o endereço de destino antes de cada envio e revisar o que está sendo autorizado ao conectar a carteira em aplicativos DeFi. Para valores maiores, uma carteira de hardware e um plano de autocustódia bem feito fazem diferença.

O que isso significa no Brasil

Para quem prefere deixar os ativos em uma empresa, o Brasil passou a ter regras do Banco Central para o setor. As Resoluções BCB 519 e 520, de novembro de 2025, tratam dos processos de autorização e do funcionamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais. Pela Resolução BCB 520, uma prestadora só é considerada funcionando no país se estiver constituída aqui, com sede e administração em território nacional. Antes de abrir conta, vale verificar se a empresa está no processo de autorização do BC e onde está sediada.

Na declaração de imposto de renda, a Receita pede que o contribuinte informe, para cada criptoativo, a quantidade e onde ele está custodiado (nome da empresa com CNPJ ou custódia própria), segundo as Perguntas e Respostas do IRPF 2026. Manter esse registro organizado também ajuda a reconstituir o histórico em caso de perda ou fraude.

Perguntas frequentes

Quanto foi roubado em cripto em 2025?

Mais de US$ 3,4 bilhões, segundo a Chainalysis. Só o ataque à Bybit, em fevereiro, respondeu por cerca de US$ 1,5 bilhão.

Quem está por trás dos maiores ataques?

Grupos ligados à Coreia do Norte, segundo a Chainalysis, com US$ 2,02 bilhões roubados em 2025 e 76% dos comprometimentos de serviços no ano.

Pessoas físicas também foram afetadas?

Sim. Foram 158 mil incidentes com carteiras pessoais, pelo menos 80 mil vítimas e US$ 713 milhões roubados de indivíduos em 2025.


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