Bradesco lança serviço de custódia institucional de criptomoedas e marca nova era para o mercado cripto brasileiro

O Bradesco custódia criptomoedas é o mais novo capítulo da aproximação entre o sistema bancário tradicional e o universo dos ativos digitais no Brasil. O segundo maior banco privado do país anunciou oficialmente o lançamento de um serviço de custódia institucional voltado para empresas, fundos de investimento e investidores qualificados que desejam manter criptomoedas com a segurança e a conformidade regulatória de uma instituição financeira consolidada. A novidade coloca o Bradesco ao lado de outros grandes players globais que já oferecem soluções semelhantes e reforça que o mercado cripto brasileiro está amadurecendo de forma acelerada.

O que é a custódia institucional de criptomoedas do Bradesco

A custódia institucional de criptomoedas é um serviço no qual uma instituição financeira regulada armazena e protege ativos digitais em nome de seus clientes. Diferente de um investidor pessoa física que guarda suas próprias chaves privadas em uma carteira pessoal, a custódia institucional transfere essa responsabilidade para o banco, que utiliza infraestrutura de segurança de nível bancário.

No caso do Bradesco, o serviço foi desenvolvido em parceria com empresas de tecnologia blockchain e contempla inicialmente os seguintes ativos:

  • Bitcoin (BTC)
  • Ethereum (ETH)
  • Stablecoins reguladas, como USDC e USDT
  • Tokens aprovados por órgãos reguladores brasileiros

O modelo adotado pelo banco combina cold wallets (carteiras offline) com sistemas de governança multiassinatura, garantindo que nenhuma movimentação ocorra sem múltiplas aprovações internas. Essa abordagem segue padrões internacionais praticados por custodiantes como Coinbase Custody e BitGo, mas adaptados ao ambiente regulatório brasileiro.

Por que o Bradesco entrou no mercado de custódia cripto

A decisão do Bradesco não aconteceu no vácuo. Diversos fatores convergem para explicar esse movimento estratégico do banco.

Demanda institucional crescente no Brasil

Fundos de investimento, family offices e empresas brasileiras vêm aumentando sua exposição a criptomoedas de forma consistente nos últimos anos. Com a aprovação de ETFs de Bitcoin e Ethereum na B3 e o avanço da tokenização de ativos no país, a necessidade de uma custódia segura e regulamentada tornou-se um gargalo real. Muitas dessas instituições não podiam alocar capital em cripto simplesmente porque não existia uma solução de custódia que atendesse às exigências de compliance de seus regulamentos internos.

O Marco Legal das Criptomoedas

A Lei 14.478/2022, conhecida como o Marco Legal das Criptomoedas, trouxe mais clareza regulatória para o setor no Brasil. Com o Banco Central assumindo o papel de regulador das prestadoras de serviços de ativos virtuais (VASPs), bancos como o Bradesco passaram a enxergar uma via jurídica segura para oferecer produtos cripto sem riscos regulatórios excessivos.

Concorrência entre grandes bancos

O Itaú Unibanco já havia se posicionado nesse mercado com o lançamento de sua plataforma de ativos digitais e um serviço de custódia próprio. O BTG Pactual, por meio da Mynt, também oferece soluções para o público institucional. A entrada do Bradesco representa uma resposta direta a essa competição, sinalizando que nenhum grande banco brasileiro quer ficar de fora da economia cripto.

Como funciona o serviço de Bradesco custódia criptomoedas na prática

Para clientes institucionais interessados em utilizar o serviço, o fluxo é estruturado em algumas etapas:

1. Onboarding e KYC reforçado: o cliente passa por uma análise completa de Know Your Customer e Know Your Transaction, com verificações de origem de recursos e compliance com normas de prevenção à lavagem de dinheiro.

2. Definição de governança: são estabelecidas regras de movimentação, como quantidade mínima de aprovadores para saques, limites de transação e políticas de segregação de ativos.

3. Depósito dos ativos: as criptomoedas são transferidas para endereços de custódia do Bradesco, que utiliza infraestrutura segregada por cliente, ou seja, os ativos de cada instituição ficam isolados dos demais.

4. Monitoramento e relatórios: o banco oferece dashboards de acompanhamento em tempo real, relatórios periódicos de posição e integração com sistemas contábeis dos clientes.

5. Conformidade fiscal: o serviço já contempla a geração de relatórios compatíveis com as exigências da Receita Federal, incluindo a Instrução Normativa RFB 1.888/2019 que obriga a declaração de operações com criptoativos.

Esse último ponto é especialmente relevante. Muitos investidores institucionais enfrentam dificuldades para reportar corretamente suas posições em cripto à Receita Federal. Ao terceirizar a custódia para o Bradesco, esse processo se torna significativamente mais simples e menos suscetível a erros.

Impacto do Bradesco custódia criptomoedas no mercado brasileiro

A entrada de um banco do porte do Bradesco no segmento de custódia cripto gera ondas de impacto em várias frentes.

Legitimação do mercado

Quando uma instituição com mais de 80 anos de história e milhões de clientes passa a custodiar Bitcoin e outras criptomoedas, o sinal enviado ao mercado é inequívoco: cripto não é mais nicho. Isso ajuda a reduzir o estigma que ainda existe entre investidores mais conservadores e abre portas para que tesourarias corporativas considerem alocações em ativos digitais.

Mais segurança para o investidor

A custódia por conta própria (self-custody) é um dos princípios fundamentais do Bitcoin, mas nem sempre é viável para instituições que gerenciam bilhões de reais e precisam atender a auditorias, conselhos de administração e reguladores. A existência de uma opção bancária de custódia elimina uma barreira importante.

Potencial de novos produtos

Com a infraestrutura de custódia montada, o Bradesco pode expandir sua atuação para oferecer:

  • Fundos de investimento próprios com exposição direta a cripto
  • Serviços de staking para ativos como Ethereum
  • Tokenização de ativos tradicionais, como títulos de renda fixa e imóveis
  • Empréstimos colateralizados por criptomoedas

Essa é uma estratégia que já foi adotada por bancos internacionais como o BNY Mellon e o Standard Chartered, e é provável que o Bradesco siga caminho semelhante.

Concorrência saudável

Com Bradesco, Itaú, BTG e outros entrando nesse mercado, a tendência é que taxas de custódia diminuam e a qualidade dos serviços aumente, beneficiando diretamente o cliente final.

O que considerar antes de contratar custódia institucional

Embora o serviço traga benefícios claros, existem pontos que investidores e empresas devem avaliar com cuidado:

  • Taxas: serviços de custódia institucional costumam cobrar uma porcentagem anual sobre o valor custodiado (geralmente entre 0,10% e 0,50%). É importante comparar os custos entre diferentes provedores.
  • Risco de contraparte: ao delegar a custódia, o investidor assume o risco de que a instituição custodiante sofra problemas operacionais, ataques cibernéticos ou, em cenários extremos, insolvência. Verificar se há seguros contra esses eventos é fundamental.
  • Liquidez e velocidade de saque: diferentemente de uma carteira pessoal onde o investidor pode movimentar ativos instantaneamente, a custódia institucional pode exigir prazos de processamento para saques, especialmente em cold wallets.
  • Filosofia do Bitcoin: para puristas do ecossistema cripto, a custódia por terceiros contraria o princípio de “not your keys, not your coins”. Essa é uma decisão filosófica e operacional que cada investidor precisa ponderar.

Perguntas frequentes

O serviço de custódia de criptomoedas do Bradesco está disponível para pessoas físicas?

Inicialmente, o serviço foi anunciado apenas para clientes institucionais, como fundos de investimento, gestoras de patrimônio e empresas. Ainda não há confirmação de quando, ou se, o Bradesco oferecerá essa modalidade para investidores individuais, embora essa seja uma evolução natural caso o produto tenha boa adesão no segmento corporativo.

Quais criptomoedas podem ser custodiadas pelo Bradesco?

Na fase inicial, o serviço contempla Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e stablecoins selecionadas. A expectativa é que a lista de ativos suportados seja ampliada gradualmente, conforme a demanda dos clientes e o avanço da regulamentação no Brasil.

A custódia do Bradesco substitui a necessidade de declarar criptomoedas à Receita Federal?

Não. A obrigação de declarar criptoativos à Receita Federal continua existindo para o titular dos ativos. Porém, o serviço do Bradesco facilita esse processo ao fornecer relatórios detalhados de posição e movimentação, compatíveis com as exigências da Instrução Normativa RFB 1.888/2019, tornando o preenchimento das declarações mais simples e preciso.

Conclusão

A entrada do Bradesco no mercado de custódia institucional de criptomoedas é um marco significativo para o ecossistema cripto brasileiro. O movimento confirma que os maiores bancos do país reconhecem a relevância dos ativos digitais e estão dispostos a investir em infraestrutura para atender uma demanda que só cresce. Para investidores institucionais, a oferta de Bradesco custódia criptomoedas representa mais segurança, conformidade regulatória e praticidade operacional em um mercado que evolui rapidamente.

O cenário regulatório brasileiro, impulsionado pelo Marco Legal das Criptomoedas e pela atuação do Banco Central, cria um ambiente cada vez mais favorável para esse tipo de produto. A competição entre grandes bancos tende a beneficiar todo o ecossistema, com serviços melhores, mais acessíveis e mais diversificados.

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