Primeiramente, o iShares Bitcoin Trust (IBIT), ETF de Bitcoin spot da BlackRock, registrou volume de negociação superior a US$ 10 bilhões na sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026. Isso marca o maior dia único de trading na história dos ETFs de criptomoedas nos Estados Unidos, superando em 169% o recorde anterior estabelecido em novembro de 2025.
Além disso, o volume envolveu 284 milhões de cotas negociadas ao longo da sessão, conforme dados da Bloomberg. Desse modo, o ETF processou resgates líquidos de aproximadamente US$ 175 milhões, refletindo saída de capital institucional em meio à correção do preço do Bitcoin. Por exemplo, o BTC testou mínimas próximas de US$ 60 mil, menor nível em dois anos.
Em resumo, opções de venda (puts) sobre o IBIT alcançaram prêmios recordes, com volatilidade implícita ultrapassando 25 pontos percentuais. Por isso, o movimento confirma pessimismo elevado no mercado derivativos ligado ao ETF.
Contexto do recorde: comparação com volumes anteriores
No entanto, o pico de US$ 10 bilhões representa um marco para BlackRock, gestora com US$ 11,6 trilhões em ativos totais. Assim, o IBIT lidera entre 12 ETFs de Bitcoin spot aprovados pela SEC, com ativos sob gestão acima de US$ 40 bilhões. Por outro lado, concorrentes como Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund registraram volumes menores no mesmo período.
Além do mais, o recorde ocorre cerca de 22 meses após o halving do Bitcoin de abril de 2024 (bloco 840.000, minerado em 20 de abril de 2024), que reduziu recompensas de mineração para 3,125 BTC por bloco. Desse modo, pressão de venda pós-halving contribui para a dinâmica observada.
Por exemplo, em novembro de 2025, volume chegou a US$ 3,7 bilhões durante rally pós-eleições americanas. Portanto, o novo patamar destaca resiliência do produto mesmo em bear market.
Detalhes técnicos do trading e resgates
Em primeiro lugar, os resgates de US$ 175 milhões ocorreram via criação/redenção in-kind, mecanismo padrão dos ETFs spot. Isso permite que authorized participants troquem BTC físico por cotas sem impacto primário no preço spot. Além disso, spread bid-ask permaneceu apertado, abaixo de 0,1%, sinalizando liquidez robusta.
Por isso, analistas da Bloomberg notam que capitulação retail e institucional coincide com dados on-chain mostrando aumento em endereços dormentes. Desse modo, holders de longo prazo absorvem oferta vinda de mineradores sob pressão.
No entanto, volume elevado não alterou preço spot significativamente, graças ao mecanismo de arbitragem. Assim, ETF cumpre função de proxy acessível para exposição ao Bitcoin.
Impacto regulatório e adoção institucional
Por outro lado, aprovação dos ETFs em janeiro de 2024 pela SEC pavimentou caminho para influxos bilionários. Em resumo, BlackRock atraiu US$ 30 bilhões líquidos desde lançamento, apesar de saídas recentes. Por exemplo, relatório semanal da Etf.com confirma liderança do IBIT em inflows acumulados.
Além disso, expansão para opções em IBIT ocorre em paralelo, com Cboe listando derivativos em outubro 2025. Portanto, ecossistema maduro reforça posição da BlackRock no espaço cripto regulado.
Finalmente, volume recorde valida tese de institucionalização do Bitcoin como classe de ativo.
Por que volume recorde não é o mesmo que entrada de dinheiro
Um ponto que costuma confundir quem acompanha ETFs: volume de negociação mede quanto as cotas trocaram de mãos na bolsa, entre compradores e vendedores. Isso não é o mesmo que dinheiro novo entrando no fundo. A entrada ou saída líquida de recursos só acontece quando cotas são criadas ou resgatadas pelos participantes autorizados, que são as instituições que fazem a ponte entre o ETF e o mercado de bitcoin.
Foi o que aconteceu em 6 de fevereiro: um volume gigantesco de negociação convivendo com resgates líquidos bem menores, de cerca de US$ 175 milhões. Em dias de pânico, muita gente vende, mas também muita gente compra, e boa parte do volume é de operadores montando e desfazendo posições de proteção. Por isso, o recorde de volume é mais um termômetro de estresse do que um sinal de fuga em massa.
O que é o IBIT e como ele funciona
O iShares Bitcoin Trust foi lançado em janeiro de 2024 e é negociado na Nasdaq. Segundo a página oficial do fundo na iShares, o objetivo do ETF é refletir o desempenho do preço do bitcoin, oferecendo exposição ao ativo por meio de um produto negociado em bolsa, sem que o investidor precise lidar com custódia própria. A taxa de administração (sponsor fee) é de 0,25% ao ano.
O fundo guarda bitcoin de verdade com um custodiante, e o preço da cota acompanha o valor desses bitcoins. Quando o preço da cota se afasta do valor patrimonial, os participantes autorizados compram ou vendem para lucrar com a diferença, e essa arbitragem mantém o ETF colado no preço do bitcoin. É o mecanismo descrito acima, que explica por que o volume recorde não gerou um descolamento relevante.
Atualização (setembro de 2026): segundo a mesma página, o IBIT tinha cerca de US$ 66,9 bilhões em patrimônio líquido em 29 de setembro de 2026.
O que o investidor brasileiro precisa saber sobre ETFs de bitcoin no exterior
Brasileiros podem comprar cotas do IBIT por meio de corretoras internacionais. Nesse caso, a tributação segue a Lei 14.754/2023, que desde 1º de janeiro de 2024 trata aplicações financeiras no exterior de forma unificada: os ganhos são apurados na declaração anual, com alíquota de 15%, e não há a isenção mensal de R$ 35 mil que vale para vendas de criptoativos em exchanges localizadas no Brasil.
As Perguntas e Respostas do IRPF 2026 da Receita Federal também lembram que perdas em aplicações no exterior, quando comprovadas, podem compensar ganhos do mesmo tipo no mesmo período de apuração. Para quem prefere manter o investimento em reais, existem fundos e ETFs de cripto listados na B3, com regras próprias de tributação. O guia sobre imposto sobre criptomoedas compara os caminhos.
O que observar depois de um dia de capitulação
Dias de volume extremo costumam marcar pontos de virada, mas não dizem a direção. Os sinais que ajudam a interpretar o que vem depois são os fluxos líquidos dos ETFs nas semanas seguintes (se os resgates continuam ou se revertem), o comportamento da volatilidade implícita nas opções do IBIT e a atividade de carteiras de longo prazo na blockchain.
Para quem investe a partir do Brasil, a variação do dólar soma uma camada extra: uma queda do bitcoin em dólar pode ser amortecida, ou ampliada, pelo câmbio no resultado em reais.
Perguntas frequentes
O volume de US$ 10 bilhões do IBIT significa que US$ 10 bilhões saíram do fundo?
Não. Volume é o total de cotas negociadas entre investidores na bolsa. No dia 6 de fevereiro de 2026, os resgates líquidos foram de cerca de US$ 175 milhões, bem abaixo do volume negociado.
Como é tributado o IBIT comprado por um brasileiro?
Como aplicação financeira no exterior, pela Lei 14.754/2023: o ganho entra na declaração anual com alíquota de 15%, sem a isenção mensal de R$ 35 mil aplicada a vendas de criptoativos em exchanges no Brasil.
Qual é a taxa de administração do IBIT?
A taxa informada pela iShares é de 0,25% ao ano.
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