O Bitcoin voltou a ganhar força nesta segunda-feira (21), alcançando US$ 87.600 após declarações bombásticas de Donald Trump que causaram pânico nos mercados tradicionais. A criptomoeda subiu 3%, registrando sua maior cotação desde o chamado “Dia da Libertação”, 2 de abril de 2025, data em que Trump anunciou as tarifas recíprocas sobre importações.
Crise institucional impulsiona o Bitcoin e o ouro
A reação do mercado veio após Kevin Hassett, conselheiro econômico de Trump, afirmar que o presidente está analisando a possibilidade de demitir o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. A simples menção da ideia gerou forte aversão ao risco nos mercados, derrubou o dólar para a mínima desde janeiro de 2024 e fez os investidores correrem para ativos considerados “seguros”, como Bitcoin e ouro.
Enquanto o dólar despencava, o Bitcoin e o ouro subiam em ritmo acelerado, mostrando que os investidores estão buscando proteção fora dos instrumentos tradicionais. O ouro, inclusive, atingiu uma nova máxima histórica.
Trump ataca Powell nas redes sociais
Em sua rede Truth Social, Trump voltou a criticar duramente Powell:
“Jerome Powell, o SEMPRE TARDIO E ERRADO, divulgou outro relatório confuso. Os preços estão caindo, os EUA estão lucrando com tarifas e ele ainda não baixou os juros. Sua demissão não pode vir rápido o suficiente!”
O ataque gerou preocupação imediata sobre a independência do Federal Reserve, uma das instituições mais respeitadas dos EUA. Qualquer ameaça à autonomia do Fed tende a ser mal recebida pelos investidores.
Wall Street sangra: bolsas acumulam terceira queda em quatro semanas
Enquanto o Bitcoin subia, o cenário em Wall Street era de caos. Os futuros das bolsas americanas apontavam forte queda nesta manhã:
- Dow Jones: -318 pontos (-0,81%)
- S&P 500: -0,79%
- Nasdaq-100: -0,82%
A semana anterior já havia sido marcada por perdas generalizadas, com destaque para o tombo de mais de 22% das ações da UnitedHealth, após revisão de lucros. A Nvidia também sentiu o baque, caindo quase 3% na quinta-feira após relatar um impacto de US$ 5,5 bilhões por causa das restrições de exportação de chips H20 para a China.
Conclusão: instabilidade política impulsiona ativos descentralizados
O movimento do Bitcoin reflete a crescente desconfiança nos sistemas financeiros tradicionais e o aumento da procura por ativos descentralizados em momentos de incerteza. A ameaça de Trump contra Powell e a fragilidade do dólar podem continuar servindo como combustível para o BTC e outros ativos fora do radar estatal.
O que foi o Dia da Libertação
O nome foi dado pelo próprio governo americano ao dia 2 de abril de 2025, quando Trump assinou a ordem executiva 14257, que declarou emergência nacional por causa do déficit comercial dos EUA. A ordem criou uma tarifa adicional de 10% sobre praticamente todas as importações a partir de 5 de abril, com alíquotas maiores para parceiros específicos a partir de 9 de abril. O Bitcoin passou as semanas seguintes abaixo do nível daquele dia, até a alta de 21 de abril.
Por que a ameaça ao Fed mexeu com o dólar
A fala de Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, veio em 18 de abril, um dia depois de Trump dizer que poderia tirar Powell do cargo “muito rápido”. Questionado se a demissão era uma opção, Hassett respondeu que o presidente e sua equipe continuariam estudando o tema.
O mercado leu isso como risco para a independência do banco central. Um Fed pressionado a cortar juros por motivos políticos tende a tolerar mais inflação, o que reduz o atrativo do dólar e dos títulos do Tesouro. Por isso a reação foi a combinação de dólar fraco, ouro em recorde e Bitcoin em alta: investidores procuraram ativos que não dependem de decisões do Fed.
Atualização: o que aconteceu depois
Atualização (setembro de 2026): no dia seguinte a esta alta, em 22 de abril de 2025, Trump recuou e disse não ter “nenhuma intenção” de demitir Powell, embora tenha repetido que queria juros mais baixos. Powell cumpriu o mandato como presidente do Fed até maio de 2026. O sucessor, Kevin Warsh, indicado por Trump, foi confirmado pelo Senado por 55 votos a 45 em 13 de maio de 2026 e tomou posse em 22 de maio de 2026. A disputa completa está no nosso guia Trump vs. Powell.
O que isso significa para o investidor brasileiro
Para quem está no Brasil, um dólar mais fraco no exterior tem dois efeitos. O Bitcoin sobe em dólar, mas o real pode se valorizar ao mesmo tempo, o que reduz o ganho em reais. Por isso vale acompanhar a cotação do BTC em reais, e não só em dólar, antes de tomar decisões.
O episódio também mostra por que o Bitcoin passou a ser tratado por parte dos investidores como proteção contra risco institucional. Isso não o torna um porto seguro garantido: nas semanas após o Dia da Libertação ele ficou abaixo do nível daquele dia. Se você realiza lucro nesses picos, lembre que vendas acima de R$ 35 mil no mês em corretora sediada no Brasil geram imposto sobre o ganho. Veja o guia de imposto sobre criptomoedas.
Perguntas frequentes
Trump demitiu Jerome Powell?
Não. Depois das ameaças de abril de 2025, Trump disse em 22 de abril que não tinha intenção de demiti-lo. Powell ficou no cargo até maio de 2026, quando foi substituído por Kevin Warsh.
O que foi o Dia da Libertação de Trump?
Foi 2 de abril de 2025, quando Trump assinou a ordem executiva 14257, que criou tarifa adicional de 10% sobre importações e alíquotas maiores para vários países.
Por que o Bitcoin subiu com a ameaça ao Fed?
Porque a ameaça à independência do banco central enfraqueceu o dólar e levou investidores a buscar ativos fora do sistema tradicional, como ouro e Bitcoin.
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