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Binance é acusada de facilitar transações do Hamas em novo processo nos EUA: entenda o impacto para o mercado cripto

A Binance voltou ao centro de uma nova controvérsia jurídica nos Estados Unidos. A exchange — maior plataforma global de negociação de criptomoedas — e seu cofundador Changpeng Zhao (CZ) enfrentam mais uma ação civil que os acusa de permitir transações ligadas ao Hamas por meio de uma estrutura corporativa descentralizada e falhas de conformidade.


O processo, apresentado em um tribunal federal da Dakota do Norte nesta segunda-feira (25), reacende debates sobre segurança, compliance e responsabilidade das exchanges na prevenção ao financiamento de organizações terroristas.


O que diz o novo processo contra a Binance

A ação judicial, movida por mais de 300 famílias de cidadãos norte-americanos mortos ou feridos em ataques atribuídos ao Hamas, afirma que a Binance teria falhado entre 2017 e 2023 ao implementar controles adequados de:

  • verificação de identidade (KYC)
  • monitoramento de transações
  • segregação de fundos
  • rastreamento de carteiras
  • comunicação interna transparente

Segundo o documento, obtido pela Bloomberg, a plataforma teria usado carteiras omnibus — que misturam ativos de diversos usuários — dificultando a identificação de remetentes e destinatários, o que favoreceria operações financeiras opacas.

Um trecho da ação afirma:

“A Binance não apenas forneceu serviços financeiros ao Hamas conscientemente, como também tentou proteger seus clientes ligados ao grupo da fiscalização dos EUA — uma prática que continua até hoje”.

Os advogados das vítimas, do escritório Willkie Farr & Gallagher LLP, sustentam que essas decisões permitiram que indivíduos associados ao grupo terrorista movimentassem criptomoedas pela exchange sem serem identificados.


Ligação com o ataque de 7 de outubro

Segundo o ex-embaixador Lee Wolosky, que representa as famílias:

“As alegações deixam claro que a Binance é responsável pelos ataques de 7 de outubro”.

O ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 resultou em:

  • mais de 1.200 mortos,
  • incluindo 809 civis,
  • e cerca de 252 sequestrados, segundo dados citados pela ONU.

Wolosky argumenta que a Binance deve ser “responsabilizada” por supostamente facilitar transações associadas à organização.


Estrutura corporativa da Binance está no centro das acusações

O processo detalha como a Binance teria operado por meio de:

  • entidades offshore espalhadas por diferentes jurisdições
  • ausência de uma sede oficial
  • registros de curto prazo
  • práticas internas que dificultavam auditorias
  • instruções para encobrir a localização de clientes

Segundo os advogados, essas escolhas teriam sido projetadas por CZ para impedir o acesso das autoridades americanas a informações sensíveis.

O documento também cita alegações de que funcionários teriam sido orientados a “disfarçar a localização dos usuários”, o que teria enganado reguladores dos EUA.


O histórico recente da Binance complica o cenário

Em 2023, a Binance enfrentou um dos maiores acordos judiciais da história do mercado cripto:

  • pagamento de US$ 4,3 bilhões a autoridades dos EUA
  • admissão de falhas em controles anti-lavagem de dinheiro
  • renúncia de CZ ao cargo de CEO
  • pena de prisão posteriormente perdoada pelo presidente Donald Trump

A reincidência de denúncias fortalece a narrativa de que a empresa não corrigiu adequadamente práticas anteriores — ponto que deve pesar no novo processo.


Por que é tão difícil rastrear transações relacionadas ao terrorismo?

Especialistas ouvidos pelo Decrypt destacam que, mesmo com KYC rigoroso, o rastreamento de fluxos em blockchains públicas é limitado.

O CEO da AmericanFortress, Mehow Pospieszalski, afirmou:

“Não existe ligação direta entre a identidade de alguém e os endereços de envio ou recebimento na blockchain. O uso de endereços furtivos é comum, e não há tecnologia capaz de impedir completamente esse tipo de transação”.

Esse argumento reforça um dilema tecnológico: a blockchain oferece transparência, mas o anonimato parcial dos usuários ainda permite operações difíceis de rastrear.


Impactos no mercado cripto e possíveis desdobramentos

O novo processo chega em um momento sensível para a Binance, que já vinha tentando reconstruir a confiança após o acordo de 2023 e a saída de CZ. Alguns impactos esperados incluem:

1. Pressão regulatória mais intensa

Autoridades americanas devem aumentar o escrutínio sobre exchanges que operam com estruturas descentralizadas.

2. Investidores podem migrar para plataformas com compliance rigoroso

Empresas que oferecem auditorias e segregação clara de carteiras tendem a ganhar terreno.

3. Precedente jurídico perigoso para o setor

Se a Binance for responsabilizada civilmente por ataques terroristas, outras exchanges podem enfrentar ações semelhantes.

4. Potencial volatilidade no BNB

Historicamente, más notícias envolvendo a Binance impactam o token nativo da plataforma.


Conclusão: o caso pode redefinir o futuro da regulação cripto

As acusações contra a Binance — mesmo ainda não julgadas — reforçam a tendência global de exigir maior transparência, governança e rastreabilidade nas transações de criptomoedas.
Para especialistas, esse processo pode se tornar um marco jurídico, influenciando leis, compliance e práticas de todo o setor nos próximos anos.

A Binance ainda não se pronunciou oficialmente sobre essa nova ação.

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