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Venezuela Acumula US$ 60 Milhões em Criptoativos para Driblar Sanções

O Bitcoin como Ferramenta de Estado

Dados on-chain e investigações recentes sugerem que o governo da Venezuela possui o controle de carteiras contendo aproximadamente US$ 60 milhões em Bitcoin e outros criptoativos. Diferente de El Salvador, que adotou o Bitcoin como política pública e moeda de curso legal, a estratégia venezuelana é pragmática, oculta e motivada pela necessidade de sobrevivência econômica diante de sanções internacionais.

Em um cenário onde o acesso ao sistema SWIFT é bloqueado e a moeda fiduciária local (Bolívar) sofre de hiperinflação crônica, os criptoativos deixam de ser especulação e tornam-se infraestrutura essencial para o Estado.

Contornando o Bloqueio Financeiro Global

A utilização de criptomoedas por regimes sancionados segue uma lógica de “neutralidade da rede”. O Bitcoin e stablecoins (como USDT) não reconhecem fronteiras ou listas de sanções da OFAC (Office of Foreign Assets Control).

Mecanismos Utilizados:

• Pagamentos de Exportação: O uso de criptoativos para liquidar vendas de petróleo e ouro, evitando o rastreamento bancário tradicional.

• Importação de Insumos: Pagamento a fornecedores internacionais que aceitam Tether (USDT) ou Bitcoin, garantindo o fluxo de mercadorias no país.

• Reserva de Valor: Manter parte do tesouro em Bitcoin protege o poder de compra do Estado contra a desvalorização da moeda local e o confisco de ativos no exterior.

Riscos e Transparência

A opacidade dessas operações levanta questões sobre a gestão desses recursos. Recentemente, escândalos envolvendo a PDVSA (petrolífera estatal) mostraram que bilhões de dólares em vendas de petróleo foram convertidos em criptoativos e desapareceram devido à falta de controles contábeis e corrupção interna.

A posse de US$ 60 milhões, embora modesta para padrões globais, valida a tese de que o Bitcoin funciona como um “ouro digital” incensurável. Contudo, isso também atrai a atenção de reguladores globais, que podem intensificar a pressão sobre emissores de stablecoins centralizadas (como a Tether) para congelar fundos ligados a endereços estatais sancionados.