A Strategy voltou às compras nesta segunda-feira (1º) e adicionou 130 Bitcoins ao seu já robusto estoque. Mesmo com o BTC em queda, a empresa seguiu acumulando e alcançou um número simbólico: 650 mil BTC sob custódia.
Segundo o comunicado enviado à imprensa, a compra custou US$ 11,7 milhões, a um preço médio de US$ 89.960 por BTC. Com isso, o rendimento acumulado da empresa no ano, o Bitcoin Yield, subiu para 27,8%.
Apesar da aquisição, um comentário recente do CEO da Strategy, Phong Le, provocou repercussão no mercado e levantou dúvidas sobre a política de longo prazo da companhia.
A gigante volta às compras — e segue no lucro
Com a nova aquisição, a Strategy acumula 650.000 BTC, comprados ao longo dos últimos anos por US$ 48,38 bilhões. O preço médio é de US$ 74.436, o que significa que a empresa ainda opera com lucro sobre sua posição total.
No domingo (30), o fundador Michael Saylor já havia dado pistas sobre a compra ao publicar uma provocação no X (antigo Twitter): “E se começássemos a adicionar pontos verdes?” — referência ao histórico de compras da companhia.
A retomada das aquisições ocorre após uma pausa registrada na semana anterior. Além disso, a Strategy anunciou a criação de uma reserva de US$ 1,44 bilhão, destinada ao pagamento de dividendos de ações preferenciais e juros de dívidas em aberto.
Declaração do CEO gera preocupação
Durante participação no podcast What Bitcoin Did, o CEO Phong Le comentou que a empresa poderia vender parte de suas reservas de BTC caso uma condição específica fosse atendida: o mNAV cair abaixo de 1, sem possibilidade de captação externa para honrar dividendos.
A fala teve repercussão imediata.
O executivo explicou que, em condições normais, a Strategy consegue levantar capital mesmo quando o mNAV está abaixo de 1. No entanto, se o indicador cair demais — e a captação não ocorrer — a empresa pode ser obrigada a vender Bitcoin para cumprir obrigações financeiras.
Hoje, o mNAV da Strategy está em 1,19, acima do limite crítico citado por Le.
Por que isso preocupa o mercado
O modelo de negócios da Strategy depende diretamente do rendimento do Bitcoin. Por isso, a hipótese de vender parte das reservas gerou receio entre investidores, especialmente em um cenário de pressão nos preços.
Le citou como exemplo o ciclo de baixa de 2022, quando a empresa recomprou empréstimos lastreados em Bitcoin para reduzir risco. Ele disse que situações semelhantes podem ser administradas, mas reconheceu que nem sempre haverá condições favoráveis para repetir a estratégia.
Se isso ocorrer, afirmou Le, não restará alternativa além de vender BTC.
Impacto imediato nas ações
A reação do mercado foi rápida. Dados do TradingView mostram que as ações da Strategy (MSTR) caíram mais de 11% no pregão de segunda-feira, negociadas a US$ 158,16.
No acumulado do ano, os papéis já recuam mais de 40% em relação à máxima de 2025, quando chegaram perto de US$ 455.
Rumores recentes também sugeriam que a empresa teria vendido parte de suas reservas, algo prontamente negado por Saylor. Para reforçar a mensagem, a Strategy realizou uma das maiores compras do ano no fim de outubro, adquirindo 8.178 BTC por US$ 836 milhões.
Conclusão
A nova compra reforça o compromisso da Strategy com sua estratégia de acumulação de Bitcoin. No entanto, as declarações de Phong Le ligaram um sinal de alerta: embora improvável no curto prazo, a possibilidade de venda de reservas existe e depende diretamente do comportamento do mNAV e da capacidade de captação da empresa.
O mercado agora observa dois movimentos em paralelo — o apetite contínuo da Strategy por BTC e a condição financeira que pode, eventualmente, forçar uma mudança na estratégia.










