Os ETFs de Solana negociados nos Estados Unidos registraram, pela primeira vez desde o lançamento, uma saída líquida de capital, somando US$ 8,1 milhões em um único dia. O movimento interrompe uma sequência histórica de 21 dias consecutivos de entradas, período em que Solana se consolidou como um dos ativos mais procurados por investidores institucionais no setor cripto. A reversão acende alertas, mas especialistas defendem que não há motivo para alarme — ao menos por enquanto.

Entenda a importância da sequência interrompida

A série de 21 dias de entradas representou mais do que simples fluxo de dinheiro: ela simbolizou a consolidação da Solana como uma das maiores apostas institucionais no ecossistema cripto, equiparando seu apelo ao de gigantes como Bitcoin e Ethereum dentro dos mercados regulados.

Gráfico da Coinglass com fluxo líquido dos ETFs spot de Solana em novembro de 2025 e uma saída

Total Solana Spot ETF Net Inflow. Fonte: Coinglass

Durante esse período, os ETFs de Solana registraram uma alta impressionante de demanda por parte de fundos, gestores profissionais, escritórios de wealth management e investidores de alta renda. Isso ocorreu não apenas pela valorização da SOL, mas também pela construção de uma narrativa consistente envolvendo velocidade, escalabilidade e usabilidade da rede.

A interrupção da sequência, portanto, gera naturalmente questionamentos sobre o que motivou o fluxo negativo.

O que explica a saída de US$ 8,1 milhões?

A saída líquida de capital ocorreu em um contexto típico de fim de mês, período em que muitos gestores realizam ajustes, fechamentos de posição e rebalanceamentos de portfólio. Os principais motivos apontados por analistas incluem:

  • Realização de lucros;
  • Rebalanceamento institucional;
  • Movimento natural após sequência rara:
  • Rali prolongado da Solana;

Ainda é motivo para preocupação?

Segundo especialistas do mercado, não. Embora a saída tenha gerado manchetes, o saldo acumulado desde o lançamento dos ETFs permanece amplamente positivo. Solana, portanto, não apenas mantém sua relevância institucional como reforça sua posição como principal concorrente da Ethereum em desempenho, custo e velocidade.

Cenário macroeconômico segue favorável ao setor

A fuga de US$ 8,1 milhões deve ser vista dentro de um contexto mais amplo. Nos EUA, o fim do risco de shutdown e a expansão de liquidez favoreceram a busca por ativos de risco, incluindo criptomoedas. O macro permanece positivo, e grandes players continuam adicionando ativos digitais em seus portfólios.

Incentivos regulatórios, aumento da clareza jurídica sobre ETFs e crescimento do setor Web3 como um todo sugerem que o interesse institucional tende a continuar crescendo.

O que esperar daqui para frente?

A expectativa geral do mercado é que novas entradas voltem a ocorrer nos próximos dias, caso o cenário macro permaneça positivo. Os ETFs de Solana ainda estão em fase inicial de maturação, e oscilações de fluxo são naturais nessa etapa.

Diversos analistas destacam que, se Solana mantiver sua atividade on-chain elevada e continuar lançando atualizações de performance, o interesse institucional deve seguir forte — com potencial para retomar volumes ainda maiores de entrada.

Os números por trás da sequência

Os ETFs à vista de Solana começaram a ser negociados nos EUA em 28 de outubro de 2025. A sequência de 21 pregões seguidos com entradas líquidas superou o recorde de lançamento dos ETFs de Bitcoin e de Ethereum, que tinham chegado a no máximo 20 dias seguidos. Segundo a CoinDesk, o saldo desde o lançamento passava de US$ 600 milhões em entradas líquidas, com o Bitwise Solana ETF (BSOL) respondendo por mais de US$ 540 milhões e o fundo da Grayscale (GSOL) por quase US$ 80 milhões.

A primeira saída, de US$ 8,1 milhões, veio na semana do feriado de Ação de Graças nos EUA, período de liquidez menor. Depois de um dia de recuperação, com pouco mais de US$ 5 milhões em entradas, a segunda-feira seguinte trouxe resgates de US$ 13,55 milhões, o que mostra que a virada não foi um dia isolado.

O contraste com os ETFs de Bitcoin e Ethereum ajuda a colocar o movimento em escala: em novembro de 2025, esses produtos tiveram bilhões de dólares em resgates, enquanto os fundos de Solana seguiam com saldo positivo no mês.

Por que o fluxo de ETF importa para o preço

Nos ETFs à vista, cada entrada líquida obriga o gestor a comprar SOL no mercado para lastrear as novas cotas, e cada resgate costuma levar à venda. Por isso o fluxo diário virou um termômetro acompanhado de perto: ele mostra se o investidor institucional está aumentando ou reduzindo exposição. Um dia negativo depois de uma sequência longa é normal; o sinal de alerta seria uma série de saídas grandes em relação ao patrimônio dos fundos.

E no Brasil, como investir em ETF de Solana?

O investidor brasileiro não precisa ir aos EUA para ter um ETF de Solana. A B3 recebeu em agosto de 2024 o QSOL11, da QR Asset, apresentado como o primeiro ETF à vista de Solana do mundo, e depois a Hashdex lançou o SOLH11. As cotas são compradas pelo home broker, como qualquer ETF.

A tributação é diferente da compra direta de SOL. Em corretora de cripto sediada no Brasil, vendas que somam até R$ 35 mil por mês ficam isentas de imposto sobre o ganho; acima disso, o ganho paga alíquotas progressivas a partir de 15%. No ETF da B3, o ganho segue as regras de renda variável, sem essa isenção. Já quem compra os ETFs americanos por corretora no exterior apura o ganho na declaração anual, com alíquota de 15% pela Lei 14.754/2023. O guia de ETF de cripto na B3 detalha os passos.

Atualização (setembro de 2026): os ETFs à vista de Solana nos EUA registraram entradas líquidas de cerca de US$ 188 milhões entre 21 e 25 de setembro de 2026, a maior semana desde o lançamento, com entradas em todos os sete fundos e cerca de US$ 128 milhões apenas no BSOL, segundo dados da SoSoValue.

Perguntas frequentes

Quando os ETFs de Solana tiveram a primeira saída?

No fim de novembro de 2025, na semana do feriado de Ação de Graças nos EUA, com resgate líquido de US$ 8,1 milhões. Foi a primeira saída desde o lançamento, em 28 de outubro de 2025.

Quanto os ETFs de Solana tinham captado até então?

Mais de US$ 600 milhões em entradas líquidas desde o lançamento, a maior parte no BSOL, da Bitwise, segundo a CoinDesk.

Existe ETF de Solana na B3?

Sim. O QSOL11, da QR Asset, estreou em agosto de 2024, e a Hashdex também lançou o SOLH11. Os ganhos seguem a tributação de renda variável, sem a isenção de R$ 35 mil mensais válida para a venda direta de cripto.


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