
Queda de 54% não é profunda para uma retração completa e Bitcoin pode buscar os US$ 38.000, diz NYDIG
A empresa de gestão e pesquisa em ativos digitais NYDIG publicou um relatório nesta quarta-feira (16) que acendeu o alerta entre investidores de criptomoedas. Segundo os analistas da companhia, a queda de 54% não é profunda para uma retração completa e Bitcoin pode buscar os US$ 38.000, diz NYDIG, indicando que o atual ciclo de baixa pode estar longe de encontrar um fundo definitivo. Com o Bitcoin negociado na faixa dos US$ 64.150, a tese levantada sugere que ainda há espaço para uma desvalorização significativa caso o padrão histórico de ciclos anteriores se repita.
A análise chega em um momento delicado para o mercado, especialmente para investidores brasileiros que viram o real se desvalorizar frente ao dólar nos últimos meses, amplificando tanto os ganhos quanto as perdas de quem mantém exposição ao BTC.
O que a NYDIG aponta no relatório
A NYDIG, sigla para New York Digital Investment Group, é uma das instituições mais respeitadas no segmento de pesquisa sobre Bitcoin nos Estados Unidos. A empresa acumula histórico de relatórios técnicos detalhados e acompanha o comportamento do ativo desde seus primeiros ciclos de mercado.
No documento divulgado hoje, os analistas argumentam que uma retração de 54% a partir da máxima histórica, embora pareça intensa para quem acompanha o mercado no dia a dia, não é considerada profunda quando comparada a ciclos anteriores de baixa do Bitcoin. Para fundamentar essa visão, a NYDIG trouxe dados históricos relevantes:
- No ciclo de 2013-2015, o Bitcoin recuou cerca de 85% desde o topo.
- No bear market de 2017-2018, a queda acumulada foi de aproximadamente 84%.
- Na correção de 2021-2022, o BTC perdeu cerca de 77% do valor de pico.
Diante desses números, uma queda de 54% estaria, segundo a NYDIG, dentro de uma faixa intermediária, o que abre a possibilidade de extensão do movimento negativo. O relatório indica que, se o padrão histórico prevalecer, o Bitcoin poderia buscar a região dos US$ 38.000, representando uma correção mais alinhada aos ciclos tradicionais.
Além disso, o relatório destaca que a queda poderia se estender por mais 100 dias, caso o mercado não encontre catalisadores positivos suficientes para reverter o sentimento de aversão ao risco. A informação foi inicialmente reportada pelo portal Livecoins.
Contexto global e fatores de pressão sobre o Bitcoin
A análise da NYDIG não existe no vácuo. O cenário macroeconômico global tem pesado sobre ativos de risco, e o Bitcoin não está imune a esse ambiente. Alguns dos fatores que contribuem para a pressão vendedora incluem:
- Política monetária restritiva nos EUA: o Federal Reserve mantém juros elevados, tornando ativos de renda fixa mais atrativos frente a criptomoedas.
- Regulação global cada vez mais rígida: governos ao redor do mundo continuam fechando o cerco sobre a indústria cripto, o que gera incerteza regulatória.
- Liquidações em cascata: em momentos de queda acentuada, posições alavancadas são liquidadas automaticamente, amplificando o movimento de baixa.
- Saída de capital institucional: dados on-chain mostram que grandes carteiras têm reduzido exposição gradualmente.
Esses elementos combinados criam um ambiente onde uma retração mais profunda se torna plausível, reforçando a tese apresentada pela NYDIG.
O que isso significa para o investidor brasileiro
Para quem investe em Bitcoin no Brasil, a análise merece atenção redobrada. O investidor brasileiro enfrenta uma camada adicional de complexidade: a variação cambial. Quando o dólar se valoriza frente ao real, como tem ocorrido em 2026, a queda do BTC em dólares pode ser parcialmente compensada pela alta do câmbio. No entanto, se o real se fortalecer em algum momento, o efeito inverso pode amplificar as perdas.
Aspectos importantes para investidores no Brasil:
- Receita Federal e declaração de criptoativos: independentemente da queda, todo investidor que possui criptomoedas acima do limite estabelecido pela Receita Federal deve declará-las no Imposto de Renda. Vendas acima de R$ 35 mil em um mês com lucro são tributadas.
- Exchanges brasileiras reportam dados: desde a Instrução Normativa 1.888/2019, as corretoras nacionais informam automaticamente as transações à Receita. Portanto, tentar “esconder” operações é arriscado e ilegal.
- DCA como estratégia de proteção: o Dollar Cost Averaging (aporte recorrente de valor fixo) continua sendo uma das estratégias mais indicadas para quem acredita no ativo a longo prazo, mas deseja reduzir o impacto da volatilidade.
O investidor brasileiro precisa considerar que a faixa de US$ 38.000 equivaleria, no câmbio atual, a algo próximo de R$ 210.000 por Bitcoin, um patamar consideravelmente abaixo dos valores registrados nas últimas máximas em reais.
US$ 38.000 é realista? O que dizem outros analistas
A tese da NYDIG divide opiniões no mercado. Enquanto a gestora aponta dados históricos sólidos para sustentar seu argumento, outros analistas enxergam fatores que poderiam impedir uma queda tão acentuada neste ciclo.
Argumentos a favor de uma queda mais profunda:
- Ciclos anteriores sempre tiveram retrações acima de 75%.
- O mercado ainda não registrou capitulação extrema neste ciclo, medida por indicadores como o MVRV e o NUPL.
- Volume de negociação em queda sugere falta de interesse comprador.
Argumentos contra a tese dos US$ 38.000:
- A presença de ETFs de Bitcoin à vista nos EUA criou uma base de demanda institucional que não existia em ciclos anteriores.
- A adoção global do Bitcoin como reserva de valor avançou significativamente.
- Empresas de capital aberto mantêm posições substanciais em BTC, o que pode funcionar como suporte de preço.
- O halving de 2024 já reduziu a emissão de novos bitcoins, o que historicamente precede valorizações.
A verdade é que o mercado de criptomoedas é altamente imprevisível, e nenhuma análise deve ser tomada como certeza. O que a NYDIG oferece é uma perspectiva baseada em padrões, não uma garantia de resultado.
Como se preparar para cenários extremos
Independentemente de o Bitcoin atingir ou não os US$ 38.000, é fundamental que o investidor tenha um plano. Considere as seguintes práticas:
1. Defina seu horizonte de investimento: se você investe para o longo prazo (4+ anos), correções de 50% ou mais fazem parte do jogo. Quem comprou no fundo do bear market de 2022 multiplicou seu capital.
2. Não invista mais do que pode perder: essa regra básica se torna ainda mais relevante em momentos de incerteza.
3. Diversifique dentro e fora do mercado cripto: manter 100% do patrimônio em Bitcoin é uma aposta concentrada. Considere distribuir entre diferentes ativos.
4. Mantenha reserva de emergência em reais: nunca comprometa sua liquidez em moeda local para alocar em criptomoedas.
5. Acompanhe fontes confiáveis: relatórios como o da NYDIG são ferramentas valiosas para formar opinião, mas devem ser combinados com outras análises.
Perguntas frequentes
O Bitcoin realmente pode cair para US$ 38.000?
A NYDIG considera esse cenário possível com base em padrões históricos de ciclos anteriores, nos quais as retrações ultrapassaram 75%. No entanto, a presença de novos participantes institucionais e ETFs pode alterar a dinâmica deste ciclo. Trata-se de uma projeção, não de uma previsão garantida.
A queda de 54% no Bitcoin afeta minha declaração de IR no Brasil?
A queda em si não gera obrigação tributária. A tributação ocorre apenas quando há venda com lucro acima de R$ 35 mil em operações mensais. Porém, a posse de criptoativos deve ser declarada na ficha de Bens e Direitos do Imposto de Renda, pelo custo de aquisição, independentemente da cotação atual.
Vale a pena comprar Bitcoin durante essa retração?
Historicamente, comprar Bitcoin em momentos de retração acentuada tem sido lucrativo para quem manteve o ativo por pelo menos um ciclo completo (cerca de 4 anos). Porém, não há garantia de que esse padrão se repetirá. A estratégia de aportes regulares (DCA) pode ser uma abordagem mais prudente do que tentar acertar o fundo exato do mercado.
Conclusão
O relatório da NYDIG trouxe um alerta importante para a comunidade cripto ao destacar que uma queda de 54% pode não representar o fundo deste ciclo. A possibilidade de o Bitcoin buscar os US$ 38.000 é uma tese que deve ser acompanhada com atenção, mas sem pânico. O mercado de criptomoedas é cíclico, e os investidores mais bem preparados costumam ser aqueles que se informam com antecedência e ajustam suas estratégias conforme o cenário evolui.
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