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PF entrega 1.600 bitcoins da Unick Forex à Justiça para ressarcir vítimas

Bitcoins foram apreendidos em 2019 durante a Operação Lamanai; Unick Forex enganou mais de 1,5 milhão de pessoas com falsas promessas de lucro.

Polícia Federal (PF) entregou à Justiça cerca de 1.600 bitcoins (BTC) apreendidos da Unick Forex, empresa envolvida em um dos maiores esquemas de pirâmide financeira do Brasil.

Os criptoativos, que estavam sob custódia da PF desde 2019, foram encaminhados à Vara de Falências de Novo Hamburgo (RS) na última sexta-feira (24). O valor será destinado ao ressarcimento das vítimas do golpe, que afetou milhares de investidores em todo o país.

Segundo estimativas, o montante equivale hoje a quase R$ 1 bilhão, considerando a cotação atual do bitcoin.

A origem do caso

A Unick Forex foi desarticulada durante a Operação Lamanai, deflagrada em 2019, após investigações que revelaram a captação ilegal de recursos de mais de 1,5 milhão de pessoas.

A empresa prometia lucros de até 100% em seis meses com supostos investimentos em criptomoedas e mercado financeiro. Na prática, operava o modelo clássico de pirâmide, em que o dinheiro de novos participantes era usado para pagar os antigos — sem qualquer lastro real.

Mesmo proibida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) desde 2018, a Unick continuou atuando sob o nome Unick Academy, alegando vender “produtos de educação financeira”.

O fundador Leidimar Bernardo Lopes chegou a ser preso, e o grupo é investigado por movimentar cerca de R$ 29 bilhões por meio de empresas de fachada.

A entrega dos bitcoins

De acordo com comunicado da Polícia Federal, a transferência dos ativos digitais exigiu um procedimento técnico e jurídico complexo, envolvendo agentes federais, advogados, representantes da massa falida, do tabelionato e do Judiciário.

Os 1.600 bitcoins agora permanecem sob a guarda da Justiça, que deve destinar os valores aos credores e vítimas do esquema.

A PF destacou que, além de reunir provas que embasaram a ação penal, também teve papel ativo na recuperação dos ativos, aumentando as chances de que os investidores lesados recebam parte dos valores perdidos.

Um golpe que marcou o mercado cripto

O caso Unick Forex ficou marcado como um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil envolvendo criptomoedas.
À época, o uso de bitcoin como fachada para promessas de lucros rápidos gerou desconfiança generalizada sobre o setor.

Desde então, o mercado cripto passou a exigir mais transparência, compliance e controle de origem dos ativos, especialmente após a aprovação da Lei nº 14.478/2022, que passou a enquadrar prestadores de serviços de ativos virtuais sob supervisão do Banco Central.

O ressurgimento: Unick 2.0

Em 2025, denúncias indicaram o uso do nome “Unick 2.0” em novos esquemas de captação via redes sociais e aplicativos de mensagens.
Materiais divulgados repetiam as mesmas promessas de lucros rápidos, o que levantou suspeitas de tentativas de reativar a pirâmide usando a marca da antiga empresa.

Leidimar Lopes negou qualquer envolvimento com o novo projeto, alegando que terceiros estariam usando sua imagem de forma criminosa.

O que acontece agora

Com a transferência dos bitcoins à Justiça, o foco passa a ser a distribuição dos recursos às vítimas, processo que ainda pode demorar devido à complexidade jurídica da massa falida e ao grande número de credores.

Mesmo que os valores recuperados representem apenas uma fração do total perdido, o caso serve de alerta para investidores:
nem todo projeto que usa o nome “cripto” representa o mercado de forma legítima.

A lição permanece clara: promessa de lucro garantido é sinal de alerta — e a falta de registro na CVM é sempre o primeiro aviso.