A extinta corretora Mt. Gox adiou pela terceira vez o prazo de reembolso aos credores, agora para outubro de 2026. Entenda os motivos, o histórico do caso e o impacto no mercado de Bitcoin.
O novo adiamento da Mt. Gox
A novela da Mt. Gox ganhou mais um capítulo.
O administrador judicial da extinta corretora japonesa anunciou nesta segunda-feira (27) o adiamento do prazo final de reembolso aos credores para 31 de outubro de 2026 — um ano após o limite anterior, que expiraria no fim deste mês.
Segundo o comunicado oficial, o administrador “concluiu em grande parte” os pagamentos de reembolso base, antecipado e intermediário, destinados aos credores que concluíram corretamente o processo de elegibilidade.
Entretanto, muitos investidores ainda não receberam os valores devidos, devido a pendências cadastrais ou inconsistências nos dados enviados.
“Como é desejável realizar os reembolsos a esses credores na medida do razoavelmente possível, o administrador judicial, com a permissão do tribunal, alterou o prazo para os reembolsos de 31 de outubro de 2025 para 31 de outubro de 2026”, informou o comunicado.
Terceiro adiamento desde 2023
Essa é a terceira prorrogação oficial do prazo de reembolso desde o início do plano de recuperação.
O primeiro cronograma previa que os pagamentos fossem finalizados até outubro de 2023.
Depois, o prazo foi estendido para outubro de 2024, depois 2025 — e agora, 2026.
O novo adiamento amplia a espera dos credores, que já ultrapassa uma década desde o colapso da corretora, em 2014.
Relembrando o caso Mt. Gox
Fundada em 2010, em Tóquio, a Mt. Gox foi uma das primeiras e maiores corretoras de Bitcoin do mundo.
Em seu auge, chegou a concentrar mais de 70% de todas as negociações globais de BTC.
Mas em 2014, após um ataque hacker que resultou no desaparecimento de 850.000 bitcoins, a plataforma suspendeu operações e entrou em recuperação judicial — um dos maiores colapsos já registrados no mercado cripto.
Desde então, o administrador judicial Nobuaki Kobayashi vem conduzindo o processo de restituição aos credores.
Em 2023, Kobayashi revelou que foram recuperados 142.000 BTC, 143.000 BCH e 69 bilhões de ienes japoneses (aproximadamente US$ 510 milhões).
Pagamentos parciais e ativos restantes
Entre 2024 e 2025, cerca de 19.500 credores relataram ter recebido parte dos valores devidos, via Kraken e Bitstamp — exchanges parceiras no processo de reembolso.
De acordo com dados on-chain da Arkham, a Mt. Gox ainda mantém sob custódia 34.689 BTC, avaliados em cerca de US$ 4 bilhões.
Esses valores devem ser liberados gradualmente, conforme cada credor regulariza sua situação cadastral.
Impacto no mercado de Bitcoin
Apesar da repercussão, o mercado de Bitcoin reagiu com pouca volatilidade.
Analistas afirmam que o adiamento tende a diluir o impacto de uma eventual pressão vendedora, já que evita a liberação simultânea de grandes volumes de BTC.
“O atraso reduz o risco de um choque de liquidez no mercado. Se os reembolsos fossem todos liberados de uma vez, poderíamos ver realização de lucros em massa”, comenta um gestor de fundos ouvido pela CriptoNews.
O que esperar até 2026
Com o novo prazo, a liquidação total da Mt. Gox entra em seu 12º ano de andamento.
Mesmo com parte dos pagamentos já concluída, a falta de uniformidade nos processos de verificação ainda trava a conclusão do caso.
O adiamento indica que o mercado poderá conviver com esse fantasma por mais um ciclo, reforçando a importância de transparência e segurança nas custódias de exchanges — tema que continua em destaque globalmente.
Conclusão
O caso Mt. Gox continua sendo um símbolo histórico do risco sistêmico das primeiras exchanges de criptomoedas — e também um lembrete da evolução da infraestrutura de custódia no setor.
Com mais um adiamento, os credores voltam à incerteza, e o mercado observa atento:
quando — e se — o maior reembolso da história do Bitcoin será finalmente concluído.









