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Deputado quer que Receita Federal explique como fiscaliza criptomoedas inclusive carteiras de autocustódia

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O deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ) protocolou na segunda-feira (13) um requerimento de informação pedindo que o Ministério da Fazenda detalhe como está sendo feita a fiscalização tributária sobre  criptomoedas e casas de apostas no Brasil.

O parlamentar questiona quais instrumentos a Receita Federal utiliza para rastrear operações com ativos virtuais, inclusive aquelas realizadas em carteiras de autocustódia e plataformas estrangeiras — que, em tese, estariam fora do alcance direto das exchanges reguladas no país.

Fiscalização sobre criptomoedas e carteiras próprias

No documento oficial encaminhado à Câmara dos Deputados, Hugo Leal solicita que o Ministério da Fazenda informe:

  • Quais ferramentas e tecnologias são usadas pela Receita para rastrear transações em criptomoedas;
  • Quantos contribuintes declararam criptoativos no Imposto de Renda de 2023 e qual o volume total declarado;
  • Se há acordos de cooperação com exchanges nacionais e internacionais para compartilhamento de dados;
  • E se existe uma estimativa do volume de ativos mantidos por brasileiros não declarados, bem como o potencial de arrecadação desses valores.

O deputado também pede informações sobre auditorias e fiscalizações em curso relacionadas a ganhos de capital com criptomoedas e sobre dificuldades técnicas enfrentadas pela Receita para rastrear movimentações nesse mercado.

Falta de conformidade tributária no mercado de criptomoedas

Na justificativa do requerimento, Leal afirma que muitos investidores e operadores de ativos virtuais ainda não declaram corretamente seus ganhos e que essa omissão gera perdas de arrecadação para a União.

“Os ganhos com criptoativos muitas vezes não são devidamente declarados e, consequentemente, não sofrem a incidência do imposto sobre a renda ou contribuições correlatas”, afirma o parlamentar no texto oficial. RIC-6532-2025

O documento também menciona a Medida Provisória nº 1.303/2025, que tratava da tributação de aplicações no exterior, apostas e ativos virtuais, mas acabou caducando sem ser votada. Segundo o deputado, a queda da MP expôs “vultosos segmentos econômicos que operam sem adequada conformidade tributária”.

Programas de regularização e arrecadação

O requerimento ainda cita os programas de regularização fiscal propostos na MP, como o Rerct Litígio Zero Bets e o RERAV (Regularização de Ativos Virtuais), questionando se o Ministério da Fazenda chegou a fazer projeções de arrecadação para essas iniciativas.

Leal destaca que o próprio governo, ao propor tais programas, reconheceu a existência de valores expressivos não tributados, indicando falhas no controle fiscal de apostas e criptoativos.

O documento pede respostas técnicas e detalhadas no prazo legal, conforme o artigo 50 da Constituição Federal.

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