Estamos saindo de uma semana intensa de decisões de juros e entrando em uma fase de “digestão” e ajustes técnicos. Para a semana de 15 a 19 de dezembro, o foco sai dos grandes anúncios de taxas e migra para a infraestrutura de mercado, sinalizações futuras e liquidez.
Se você está posicionado em cripto, aqui estão os 5 fatores que você precisa monitorar nos próximos dias para não ser pego de surpresa.
1. A Chegada dos Futuros na CBOE (Segunda-feira)
A semana já começa com um teste de fogo para a liquidez institucional: o lançamento dos novos contratos futuros de Bitcoin e Ethereum na CBOE.
- O que observar: Acompanhe o volume nas primeiras horas de negociação.
- A Análise: A entrada de derivativos regulados é um motor vital para os fluxos institucionais, permitindo que grandes fundos operem sem custódia direta. No curto prazo, isso pode gerar volatilidade (briga entre comprados e vendidos), mas reforça a narrativa de longo prazo do Bitcoin e Ethereum como ativos consolidados.
2. O “Supply Shock” das Camadas 2 (L2s)
Temos uma agenda pesada de desbloqueio de tokens (token unlocks) prevista para esta semana, com destaque para protocolos de Camada 2 (Layer 2), como a Starknet.
- O que observar: A pressão vendedora em tokens de escalabilidade.
- A Análise: O aumento da oferta circulante sem um aumento correspondente na demanda costuma pressionar o preço. Como as L2s (Arbitrum, Optimism, Base) e seus concorrentes disputam liquidez, desbloqueios massivos podem causar rotação de capital dentro desse setor. Se você segura esses tokens, atenção redobrada aos gráficos de suporte.
3. O Recado do Banco Central do Brasil (Quinta-feira)
Após manter a Selic em 15%, o BC divulga o Relatório Trimestral de Inflação (RTI).
- O que observar: As projeções de inflação e o tom sobre cortes futuros.
- A Análise: Este é um evento chave nas atualizações do Banco Central do Brasil. Com juros altos, a Renda Fixa drena liquidez dos ativos de risco no país. Se o relatório indicar que a inflação está cedendo, o mercado pode precificar cortes para 2026, o que seria positivo para o Dólar e, consequentemente, para a paridade dos criptoativos em Reais.
4. O Fantasma da Regulação nos EUA
A SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) realiza uma mesa redonda nesta segunda-feira.
- O que observar: Comentários sobre a classificação de altcoins e DeFi.
- A Análise: As novas diretrizes da SEC continuam sendo uma nuvem sobre o mercado. Enquanto o Bitcoin é visto como commodity, o restante do mercado — especialmente DeFi e protocolos de infraestrutura — reage com sensibilidade a qualquer ameaça regulatória. Um tom agressivo pode frear a “Altseason” antes mesmo de ela começar.
5. O Perigo Asiático: Banco do Japão (Sexta-feira)
Fechando a semana, o Banco do Japão (BOJ) decide sua taxa de juros.
- O que observar: Mudanças na política monetária japonesa.
- A Análise: Embora pareça distante, este é um dos eventos macroeconômicos mais perigosos para a liquidez global. O Japão financia grande parte da alavancagem mundial. Um aperto monetário por lá pode impactar diretamente ativos de risco global, incluindo o Bitcoin, devido ao desmonte de operações de carry trade.
Resumo da Ópera
Esta semana exige gestão de risco. Não temos o impacto direto de um FOMC, mas temos eventos que mexem com a estrutura de preços (Unlocks e Futuros) e com o câmbio (BCB e BOJ).
- Estratégia Sugerida: Mantenha a atenção na liquidez. Se os fluxos institucionais absorverem a pressão de venda dos desbloqueios e dos futuros, teremos um sinal de força para o final do ano. Caso contrário, proteja seu capital.










