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Ministério Público Militar firma acordo com a Chainalysis para rastrear transações com criptomoedas

Ministério Público Militar firma acordo com a Chainalysis para rastrear transações com criptomoedas

Parceria amplia o uso de tecnologia forense em blockchain para investigações financeiras e reacende o debate sobre privacidade e alcance da vigilância digital

O Ministério Público Militar (MPM) anunciou um acordo com a Chainalysis, empresa norte-americana especializada em análise de blockchain, para aprimorar investigações sobre fraudes financeiras e operações com criptomoedas.

O termo de adesão ao Acordo de Cooperação n.º 082/2025/MP foi assinado durante o XXVI Congresso Nacional do Ministério Público, em Brasília. O documento teve a assinatura do procurador-geral de Justiça Militar, Clauro Roberto de Bortolli, com o apoio dos Ministérios Públicos do Rio de Janeiro (MPRJ) e de Santa Catarina (MPSC).

Tecnologia para rastrear o invisível

Com o uso do software Chainalysis Reactor, o MPM passará a contar com uma das ferramentas mais avançadas de análise forense em blockchain.
A tecnologia permite rastrear o caminho completo dos fundos digitais, da origem ao destino.
Mesmo quando os valores passam por múltiplas redes, bridges, mixers ou exchanges descentralizadas (DEXs), o sistema consegue acompanhar o fluxo com precisão.

De acordo com a empresa, o Reactor monitora 27 blockchains, mais de 40 milhões de ativos digitais e cerca de 325 milhões de swaps.
Com isso, a ferramenta oferece uma visão completa das movimentações e facilita a conexão entre endereços de criptoativos e pessoas físicas ou jurídicas.

Além disso, o acordo prevê treinamentos técnicos e suporte especializado da Chainalysis.
O objetivo é capacitar procuradores e analistas a utilizarem dados de blockchain como prova complementar em investigações criminais.

Cooperação sem repasse de recursos

O MPM informou que o acordo não envolve transferência de valores financeiros entre as instituições.
Cada órgão será responsável pelos seus custos operacionais, o que mantém a independência das partes.
A vigência seguirá o prazo do acordo original firmado com o Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG).

Enquanto isso, a iniciativa já atraiu novos participantes.
Os Ministérios Públicos de Rondônia, Rio Grande do Norte, Amazonas e Mato Grosso do Sul também aderiram ao projeto.
Com isso, o país amplia a rede de cooperação entre órgãos públicos no combate a crimes financeiros e fraudes digitais.

Privacidade em pauta

Embora o foco seja o combate a fraudes, a parceria reacende o debate sobre privacidade e vigilância financeira.
Ferramentas de rastreamento em blockchain têm se mostrado eficazes contra lavagem de dinheiro e golpes com criptomoedas.
No entanto, especialistas alertam para o risco de monitoramento excessivo de transações legítimas.

Por outro lado, defensores da medida afirmam que o uso de inteligência forense digital é essencial para combater o crime financeiro moderno.
Ainda assim, o desafio é equilibrar segurança pública e liberdade individual.
A grande questão é: até onde vai o alcance dessas ferramentas?
E será que o rastreamento ficará realmente restrito a casos de fraude?

O futuro da transparência cripto

A parceria entre o MPM e a Chainalysis mostra que o Brasil entra em uma nova fase de transparência e fiscalização digital.
Ao mesmo tempo, o avanço dessa tecnologia traz dilemas éticos e jurídicos.
Será preciso encontrar um ponto de equilíbrio entre investigação eficiente e direito à privacidade.

Uma coisa é certa: o mito de que “as criptomoedas são impossíveis de rastrear” está desaparecendo.
E talvez, mais cedo do que se imagina, a Receita Federal já saiba exatamente onde o seu criptoativo está.

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