Enquanto o Bitcoin (BTC) continua sua trajetória de valorização em 2025, um dado curioso tem chamado a atenção dos analistas: a mineração da criptomoeda está superando o próprio ativo em desempenho de rentabilidade.
De acordo com relatórios do J.P. Morgan e dados compilados pela CoinDesk, a lucratividade dos mineradores atingiu o maior patamar desde o halving de abril de 2024 — um feito notável, considerando que a recompensa por bloco foi cortada pela metade.
Mas afinal, como a mineração pode “bater” o próprio Bitcoin em valorização? Iremos te explica o que está por trás dessa disparada e por que esse movimento pode redefinir o equilíbrio entre minerar e investir diretamente em BTC.
O que está impulsionando a rentabilidade dos mineradores?
Três fatores principais explicam essa alta surpreendente: valorização do criptoativo, eficiência tecnológica e energia barata e A “janela de arbitragem operacional”.
Valorização do CriptoAtivo
Quanto maior o preço do Bitcoin, maior o valor em dólares das recompensas recebidas pelos mineradores. Mesmo com o corte do halving, o aumento expressivo do BTC ao longo de 2025 ampliou as margens de lucro.
Em julho, a rentabilidade média diária atingiu cerca de US$ 57.400 por EH/s, segundo estimativas da CoinDesk, representando o melhor desempenho desde o halving.
Eficiência tecnológica e energia barata
O avanço de equipamentos de nova geração — como o Antminer S21+ — trouxe uma vantagem significativa. Essas máquinas operam com maior poder de processamento e menor consumo elétrico, reduzindo o custo por unidade de BTC minerado.
Empresas instaladas em regiões com tarifas de energia mais baixas estão capturando margens bem superiores à média global. Segundo a Bitkern, com energia a US$ 0,068/kWh, o break-even para o S21+ fica em torno de US$ 46 mil por BTC, enquanto o ativo já superou os US$ 80 mil em 2025.
A “janela de arbitragem operacional”
Há períodos em que o preço do Bitcoin sobe mais rápido do que o aumento da dificuldade da rede. Quando isso acontece, os mineradores desfrutam de uma janela de superlucro — capturando a diferença antes que o hashrate se ajuste.
Em maio, por exemplo, o BTC valorizou cerca de 20%, enquanto a dificuldade da rede subiu apenas 3,5%, abrindo espaço para um salto de 18% na margem líquida das fazendas de mineração.
Os desafios do setor de mineração
Apesar do cenário otimista, a mineração não é uma corrida de lucro garantido. A competição global é cada vez mais intensa, e o aumento constante da dificuldade pressiona as margens dos pequenos mineradores.
Além disso, o custo da energia elétrica continua sendo o vilão da operação. Em regiões com tarifas acima de US$ 0,08/kWh, muitos rigs se tornam economicamente inviáveis. Outro ponto de atenção é a queda nas taxas de transação (fees), que reduzem o ganho adicional recebido por bloco minerado.
Esses fatores mostram que somente operações altamente otimizadas — com infraestrutura moderna, escala e acesso a energia barata — conseguem manter margens acima da valorização do próprio BTC.
O que isso significa para o investidor e o ecossistema cripto
A nova dinâmica mostra que minerar Bitcoin pode voltar a ser mais vantajoso do que simplesmente “hodlar” — pelo menos no curto prazo e para quem domina o jogo de eficiência. Essa virada reaquece o interesse institucional e reforça a importância da infraestrutura energética na economia cripto.
Para o investidor, a lição é clara:
“Nem todo lucro vem da valorização do ativo — às vezes, ele está na engrenagem que o sustenta.”
Conclusão
A mineração de Bitcoin vive um dos momentos mais lucrativos dos últimos anos — e, pela primeira vez desde 2021, supera o próprio BTC em valorização percentual. No entanto, essa vantagem é exclusiva dos mineradores mais preparados, com tecnologia de ponta e custos controlados.
À medida que o mercado se ajusta, a disputa por eficiência energética e poder computacional deve definir os vencedores da próxima era da mineração.










