O ETF Bitcoin do Morgan Stanley captou US$ 116 milhões em apenas sete sessões de negociação após seu lançamento em 8 de abril de 2025 na NYSE Arca. O fundo, chamado MSBT, marca a estreia de um grande banco americano no mercado de ETFs de Bitcoin à vista. O movimento já provoca reações em toda Wall Street.
ETF Bitcoin do Morgan Stanley: os primeiros números
O MSBT registrou média de US$ 16,6 milhões em entradas líquidas por sessão até 16 de abril, segundo dados da Farside Investors. Assim, o fundo superou o BTCW, que acumula US$ 86 milhões desde seu lançamento. Portanto, o Morgan Stanley ultrapassou um concorrente consolidado em menos de duas semanas.
A taxa de administração fixada em 0,14% ao ano representa a menor entre os ETPs de Bitcoin nos Estados Unidos. Além disso, o Morgan Stanley enquadra o MSBT como parte de uma estratégia ampla em ativos digitais. Essa estratégia inclui custódia, negociação e desenvolvimento de produtos.
Frente aos US$ 1,9 trilhão sob gestão da Morgan Stanley Investment Management, os US$ 116 milhões representam apenas 0,006% da plataforma. Contudo, o valor simbólico supera em muito a receita gerada. À taxa atual, o fundo geraria cerca de US$ 162.400 anuais em receita bruta.
Goldman Sachs entra na corrida seis dias depois
O Goldman Sachs protocolou seu primeiro pedido de ETF de Bitcoin em 14 de abril, seis dias após o lançamento do MSBT. Dessa forma, a barreira reputacional para produtos bancários com exposição a Bitcoin encolheu rapidamente. Bryan Armor, analista da Morningstar, afirmou à Reuters que a entrada de um banco agrega legitimidade ao mercado de ETFs cripto.
Armor acrescentou ainda que outros bancos podem seguir o mesmo caminho. Consequentemente, o MSBT funciona como um sinal de permissão para toda a indústria. Cada nova instituição que avança reduz o custo percebido de inação para as demais.
Projeções indicam US$ 1 bilhão em 63 sessões
Mantido o ritmo inicial, o MSBT poderia atingir US$ 498 milhões após 30 sessões de negociação. Em seguida, o fundo ultrapassaria US$ 1 bilhão após 63 sessões, segundo cálculo da Farside. No entanto, projeções lineares carregam incertezas e o ritmo pode desacelerar após o período de lançamento.
Bank of America e Schwab ampliam acesso ao Bitcoin
O Bank of America anunciou que assessores do Private Bank, Merrill e Merrill Edge poderão recomendar alocações em cripto a partir de 5 de janeiro, sem exigência de valor mínimo. Por outro lado, a Charles Schwab comunicou em 16 de abril o início gradual de negociação direta de Bitcoin e Ethereum para clientes de varejo.
Entretanto, as estratégias diferem entre os participantes. O Morgan Stanley fabrica o produto. Já o Bank of America e a Schwab controlam o ponto de contato com o cliente, seja via recomendação ou via interface de negociação. Ambos os caminhos disputam o próximo ciclo de capital institucional em Bitcoin.
Firmas que não adotam nenhuma das duas abordagens enfrentam pressão competitiva concreta. Seus rivais acumulam tanto o produto quanto o relacionamento com o cliente. Em alguns casos, acumulam os dois simultaneamente.
ETF Bitcoin do Morgan Stanley em um mercado em expansão
A Citi projeta que os ativos em ETFs nos Estados Unidos mais que dobrarão, saindo de US$ 10,4 trilhões para US$ 25 trilhões até 2030. Portanto, os produtos de Bitcoin competem dentro de uma indústria já organizada em torno de compressão de taxas e controle de distribuição. A taxa de 0,14% do MSBT sinaliza que o Morgan Stanley pretende competir em preço e confiança.
O IBIT, da BlackRock, acumula US$ 64,3 bilhões em ativos. O FBTC, da Fidelity, soma US$ 10,8 bilhões. Esses números representam vantagens em escala, liquidez e familiaridade entre assessores financeiros. Consequentemente, entrantes tardios tendem a competir via preço e relacionamentos com plataformas de distribuição.
Legitimidade bancária muda o perfil do investidor
Produtos bancários de Bitcoin criam novos canais de acesso para investidores que nunca abriram uma conta em corretora de criptomoedas. Assim, a demanda tende a ser mais estável e menos dependente de ciclos de sentimento de varejo. Além disso, portfólios modelo de assessores financeiros passam a incluir Bitcoin como classe de ativo convencional.
Um segundo ou terceiro banco com taxa abaixo de 0,14% indicaria o início de uma guerra de distribuição. Esse cenário expande o acesso ao Bitcoin, mas comprime as margens de todos os participantes. Finalmente, o mercado aguarda a conversão do pedido do Goldman Sachs em um produto listado, o que pode ocorrer até o final de junho de 2025.
O que esperar do ETF Bitcoin do Morgan Stanley
O ETF Bitcoin do Morgan Stanley estabeleceu, com produto real e base de ativos concreta, que exposição bancária a Bitcoin é comercialmente viável. O Goldman Sachs protocolou seu pedido dias depois. Dessa forma, cada empresa que observa essa sequência calcula que o custo de agir caiu em relação ao mês anterior.
O comportamento das entradas semanais do MSBT, a eventual listagem do ETF do Goldman e a resposta dos demais players vão definir qual caminho o mercado seguirá. No curto prazo, a indústria observa se o ritmo de captação sustenta ou recua após o período inicial de lançamento.





