O preço do Bitcoin (BTC) caiu abaixo dos US$ 100 mil nesta terça-feira (4), marcando a primeira vez desde maio que a principal criptomoeda do mercado rompe o patamar simbólico de seis dígitos. O movimento acendeu o alerta entre investidores e resultou em mais de US$ 1,3 bilhão em liquidações nas últimas 24 horas.
Queda do Bitcoin: o que está acontecendo?
Segundo dados do CoinMarketCap e da Coinbase, o BTC chegou a tocar US$ 99.954 antes de reagir levemente para a faixa de US$ 101 mil. Mesmo assim, a moeda acumula queda de 12% na semana e mais de 20% desde a máxima histórica de US$ 126 mil registrada em outubro.
A última vez que o Bitcoin havia operado abaixo dos seis dígitos foi em início de maio, e analistas apontam que o cenário atual reflete uma combinação de realização de lucros, crise de liquidez e tensões macroeconômicas.
Brian Huang, CEO da Glider — empresa de gestão de portfólios cripto — afirmou que ainda estamos vendo os efeitos do que chamou de “Black Friday das criptos”:
“Com US$ 20 bilhões liquidados recentemente, muitos investidores e traders migraram para stablecoins. Há uma rotação clara para ativos de menor risco.”
Impacto no mercado: liquidações e efeito dominó
De acordo com o portal CoinGlass, mais de US$ 1,3 bilhão em posições foram liquidadas nas últimas 24 horas, sendo US$ 1,1 bilhão provenientes de posições long — ou seja, apostas na alta do mercado.
O Bitcoin liderou o volume de liquidações com US$ 470 milhões, seguido por Ethereum (US$ 377 milhões). Outras criptos também sofreram:
- ETH caiu quase 10%, sendo negociado abaixo de US$ 3.300;
- XRP recuou 7,5% para US$ 2,17;
- Solana (SOL) caiu 8%, cotada a US$ 154;
- Dogecoin (DOGE) perdeu 7%, negociada a US$ 0,157.
O papel do governo dos EUA e o efeito da crise fiscal
A pressão sobre o mercado cripto aumentou após o prolongado shutdown do governo dos Estados Unidos, que impactou a liquidez global. Analistas explicam que o aumento da conta do Tesouro Americano (TGA) para US$ 1 trilhãodrenou cerca de US$ 700 bilhões de liquidez do mercado, afetando também as criptomoedas.
Esse movimento elevou as taxas do mercado overnight (SRF) a níveis recordes e reduziu a disponibilidade de capital em ativos de risco — como o Bitcoin.
Além disso, as incertezas sobre novos cortes de juros e as tensões comerciais entre EUA e China também contribuíram para a pressão vendedora. Em outubro, ameaças de tarifas adicionais por parte do presidente Donald Trump provocaram um dos maiores dias de liquidações da história: US$ 19 bilhões em 24 horas.
Especialistas divididos: correção ou fim do ciclo?
Apesar do tom pessimista no curto prazo, alguns analistas veem o movimento como uma correção natural dentro de um ciclo ainda altista.
Vladislav Ginzburg, CEO da OneSource, afirmou ao Decrypt:
“Não vejo nada sistêmico. Grandes players realizaram lucros acima de US$ 115 mil e o mercado está apenas encontrando um novo ponto de equilíbrio.”
Ginzburg acredita que empresas de tesouraria digital voltarão às compras neste trimestre, podendo impulsionar uma nova retomada de preços.
Conclusão: o que esperar daqui pra frente?
A queda abaixo dos US$ 100 mil serve como teste de resistência psicológica para o Bitcoin. Embora o movimento assuste investidores de curto prazo, especialistas lembram que correções profundas sempre antecederam novas altasem ciclos anteriores.
Enquanto isso, a migração para stablecoins e ajustes de portfólio indicam uma mudança de comportamento dos investidores — agora mais focados em preservar capital e esperar o próximo movimento do mercado.
O BTC pode ter deixado momentaneamente os seis dígitos, mas para muitos, essa pode ser apenas uma pausa estratégica antes do próximo rally.










