A World Liberty Financial (WLFI), projeto ligado à família Trump, apresentou uma proposta de novo vesting para 62,28 bilhões de tokens WLFI bloqueados. Entretanto, o plano deixa permanentemente travados os holders que não aceitarem os novos termos.
O que a proposta WLFI de novo vesting prevê
A proposta divide os tokens em dois grupos. Os 17,04 bilhões de tokens de apoiadores iniciais migrariam para um cliff de dois anos, seguido de vesting linear por mais dois anos.
Para fundadores, membros da equipe, consultores e parceiros, as condições são mais rígidas. Os 45,24 bilhões de tokens desse grupo passariam para um cliff de dois anos e vesting de três anos. Além disso, até 4,52 bilhões de WLFI — cerca de 10% da alocação interna — seriam queimados imediatamente.
Portanto, quem optar por entrar no novo plano recebe um cronograma claro de desbloqueio. Contudo, quem recusar mantém os tokens bloqueados sob os termos antigos, com direito de voto preservado.
O problema para holders que rejeitarem o novo vesting WLFI
A consequência prática é relevante. Holders fora do novo sistema permanecem com tokens bloqueados indefinidamente. Assim, o projeto ganha clareza de supply para um grupo, mas mantém incerteza para outro.
A WLFI reconhece que, no pico de participação, apenas 23% do supply bloqueado votou nas últimas seis propostas. Cada votação atraiu entre 2,7 bilhões e 11,1 bilhões de WLFI. Por outro lado, 62,28 bilhões seguem de fora do processo ativo de governança.
Dessa forma, o projeto resolve parte do problema de supply, mas a estrutura de governança permanece concentrada e pouco transparente.
Contexto: bloqueio de carteiras e polêmica com Justin Sun
A proposta surge após uma série de controvérsias. A carteira de Justin Sun, com 595 milhões de WLFI, foi bloqueada. Mais de 270 carteiras adicionais também sofreram restrições no ecossistema WLFI.
Em seguida, a WLFI criou o nível Super Nodes, que exige cerca de US$ 5 milhões em WLFI bloqueado para acesso privilegiado a parcerias e maior poder de governança. Consequentemente, quanto maior o capital, maior a influência — um modelo que gerou críticas.
Além disso, o mercado de empréstimos vinculado à Dolomite, que usava WLFI como colateral, expôs fornecedores externos ao risco de inadimplência. Isso provocou forte reação da comunidade e exigências públicas de Sun à equipe WLFI.
Governança concentrada ainda é o centro do debate
A queima de 4,52 bilhões de tokens internos é uma medida concreta. Colocar insiders em um cronograma de cinco anos também demonstra comprometimento maior do que permitir desbloqueio antecipado para fundadores.
No entanto, críticos apontam que a proposta não resolve as questões estruturais. A autoridade de bloqueio de carteiras ainda não tem regras públicas claras. Além disso, ninguém explicou quem aprovou as configurações de risco que colocaram o colateral WLFI no centro da estrutura Dolomite.
Por outro lado, um projeto com ambições em infraestrutura de stablecoin, laços com bancos tradicionais e proximidade com poder político não pode operar de forma opaca. Cada decisão de governança é analisada nesse contexto.
Os quatro testes que definirão a credibilidade da proposta
- Queima on-chain verificável: a queima dos tokens internos precisa ocorrer de forma pública e auditável.
- Participação real na governança: o comportamento do poder de voto fora do novo plano revelará se o problema diminui ou apenas muda de forma.
- Transparência sobre restrições: a WLFI deve detalhar como funcionam os poderes de bloqueio de carteiras e as regras de aceitação.
- Prestação de contas sobre risco: a equipe precisa explicar quem aprovou as configurações que criaram exposição ao risco na estrutura Dolomite.
Proposta de vesting WLFI: contenção ou reforma real?
Analistas do setor enxergam a proposta como uma válvula de pressão, não como uma reformulação estrutural. O plano ameniza a tensão imediata sobre supply, mas deixa intactas as questões de controle e acesso.
A WLFI pede que holders confiem em um sistema de governança construído em torno de alavancagem seletiva. Entretanto, sem esclarecimentos sobre bloqueios, regras de acesso e responsabilidades por decisões passadas, a lacuna de credibilidade permanece.
Finalmente, a proposta de novo vesting WLFI oferece um caminho mais ordenado para quem optar por participar. Contudo, o risco maior ainda reside na estrutura concentrada de governança, acesso e controle que o projeto ainda não endereçou de forma clara.






