Operação investiga emissão de títulos de crédito falsos, gestão fraudulenta e organização criminosa; decisão do BC encerra atividades e bloqueia negociações de venda.
A Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na noite de segunda-feira (17), no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele se preparava para embarcar para Dubai quando os agentes o interceptaram. A prisão integra a Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de emissão de títulos de crédito sem lastro e outras irregularidades dentro do Sistema Financeiro Nacional.
Poucas horas depois, o Banco Central tomou uma segunda medida relevante: decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, encerrando todas as operações da instituição e interrompendo negociações de venda que estavam em andamento.
Investigação começou em 2024 e apontou fraudes estruturadas
A PF iniciou a investigação em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal. O órgão identificou indícios de que o Master fabricava carteiras de crédito sem lastro e as vendia para outras instituições. Quando o Banco Central detectou problemas, essas carteiras foram trocadas por ativos sem avaliação técnica adequada.
Durante a operação, a Polícia Federal executou cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 buscas e apreensões em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal. Além de Vorcaro, os agentes prenderam Augusto Lima, sócio do empresário.
A PF também realizou busca na residência de Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, que acabou afastado por decisão judicial. A operação alcançou figuras ligadas a negociações recentes, o que reforçou a gravidade das suspeitas.
Banco Central age rapidamente e liquida o Banco Master
Na manhã desta terça-feira, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Banco Master e da sua corretora de câmbio. A autarquia destacou três motivos principais:
- deterioração da liquidez;
- descumprimento das normas bancárias;
- desobediência a determinações do Banco Central.
Com essa decisão, o Master deixa de operar. A partir de agora, um liquidante assume o controle, encerra contratos, vende ativos e paga credores conforme a ordem prevista em lei. Depois desse processo, o banco deixa o Sistema Financeiro Nacional.
Modelo de negócios do Master já levantava alertas
Nos últimos anos, o Banco Master passou por sucessivas crises. A instituição oferecia CDBs com rendimento até 40% acima da média do mercado, estratégia que elevou o custo de captação e pressionou sua estrutura financeira. Além disso, o banco mantinha posições relevantes em precatórios e empresas em dificuldades, o que aumentava o risco da carteira.
Diante desse cenário, o Master tentou vender suas operações. No entanto, as tentativas fracassaram:
Compra pelo BRB
O BRB anunciou interesse em março, mas o Banco Central vetou a operação em setembro. Segundo a diretoria colegiada do BC, o banco não comprovou a “viabilidade econômico-financeira” necessária.
Proposta da Fictor Holding
Nesta segunda-feira, a Fictor Holding — patrocinadora do Palmeiras — apresentou uma oferta que incluía um aporte imediato de R$ 3 bilhões. Apesar disso, a liquidação decretada hoje bloqueia qualquer avanço da negociação.
O que acontece agora
Com a liquidação extrajudicial em andamento, os clientes e credores entram na fila de pagamento e aguardam o trabalho do liquidante.
Enquanto isso, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal continuam a aprofundar a investigação, que envolve crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
O Banco Master e a defesa de Daniel Vorcaro ainda não se manifestaram.










