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Stablecoins batem recorde de US$ 320 bi apesar de impasse nos EUA

Gráfico mostra que stablecoins batem recorde de US$ 320 bilhões em oferta total

As stablecoins batem recorde de US$ 320 bilhões em oferta total nesta semana. O marco ocorre mesmo enquanto o Congresso dos Estados Unidos não consegue aprovar regras claras para o setor. O impasse legislativo gira em torno do CLARITY Act, projeto que trava no Senado por disputas sobre rendimentos pagos aos detentores de tokens lastreados em dólar.

Apesar da incerteza regulatória, o mercado segue em forte expansão. Ao longo do último ano, tokens atrelados ao dólar deixaram de ser apenas ferramentas de negociação. Além disso, passaram a ser usados em pagamentos, folha de pagamento, poupança e transferências internacionais.

USDT e USDC dominam o mercado enquanto stablecoins batem recorde

O crescimento recente veio dos maiores emissores do setor. O USDT, da Tether, alcançou US$ 185 bilhões em capitalização de mercado. Isso representa um aumento de cerca de US$ 40 bilhões em apenas um ano. Em seguida, o USDC, da Circle, atingiu US$ 78 bilhões em oferta circulante.

Portanto, os dois emissores controlam a maior parte da liquidez do mercado de stablecoins. Essa concentração também se reflete nas blockchains que abrigam esses tokens.

Dados do Token Terminal mostram que a oferta de stablecoins no Ethereum cresceu 150% em três anos. A rede agora concentra cerca de US$ 180 bilhões, o que corresponde a 60% do mercado total. Já a Tron ocupa o segundo lugar com US$ 86,9 bilhões, segundo o DefiLlama.

A Solana aparece em terceiro lugar com US$ 15,7 bilhões. A Binance Smart Chain responde por US$ 13 bilhões. Por fim, a Hyperliquid fecha o top cinco com US$ 5,2 bilhões.

Base de detentores cresce três vezes mais rápido

O número de detentores de stablecoins também cresce de forma acelerada. Dados do Token Terminal indicam que essa base expandiu três vezes mais rápido que a de tokens de governança nos últimos cinco anos.

Essa divergência sugere que os usuários preferem dólares digitais com utilidade prática. Consequentemente, tokens que dependem de especulação ou participação em protocolos perdem espaço relativo.

Essa mudança explica por que stablecoins continuam crescendo mesmo quando outros segmentos do mercado cripto enfrentam dificuldades. Quanto mais funcionam como infraestrutura financeira, menos dependem de ciclos de alta.

Pagamentos, poupança e folha de pagamento impulsionam a adoção

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O relatório Stablecoin Utility Report 2026, produzido pela BVNK em parceria com Coinbase e Artemis, confirma essa tendência. Segundo o estudo, os usuários alocam uma parcela crescente de renda e poupança em tokens pareados ao dólar.

Empresas também adotam esses instrumentos de forma acelerada. O relatório revelou que 77% das empresas pesquisadas utilizam USDC. Dessa forma, stablecoins já integram processos de liquidação B2B e gestão de tesouraria corporativa.

A Ripple observou que fintechs e instituições financeiras lideraram a última onda de adoção. O volume anual global de transações com stablecoins atingiu US$ 33 trilhões no ano passado. Atualmente, esses tokens representam 30% de todo o volume de transações on-chain.

Demanda forte em países com inflação alta

A adoção cresce com mais força em países que enfrentam instabilidade cambial e inflação elevada. Na Nigéria, por exemplo, tokens atrelados ao dólar servem para preservar valor e mitigar a depreciação da moeda local.

Nesses mercados, stablecoins funcionam simultaneamente como instrumento de poupança, liquidação e pagamento. Projeções do setor indicam que o volume diário de transações pode alcançar US$ 250 bilhões até 2028. Além disso, a oferta total pode se aproximar de US$ 4 trilhões até o fim da década.

Tokens com rendimento crescem 15 vezes mais rápido

Enquanto stablecoins batem recorde no geral, um segmento específico avança ainda mais rápido. Stablecoins com rendimento, que geram retornos por meio de Treasuries tokenizados, empréstimos DeFi ou derivativos, superam o mercado amplo.

Dados da Messari mostram que, nos últimos seis meses, a oferta desses tokens cresceu 15 vezes mais rápido que a do restante do mercado. Essa divergência começou por volta de meados de outubro de 2025.

O dado revela que os usuários não se contentam em apenas manter dólares digitais. Eles querem que o capital parado na blockchain gere renda. Alguns produtos oferecem acúmulo automático de rendimento. Outros utilizam variantes como o sUSDe, da Ethena.

Segundo a Messari, os maiores emissores de stablecoins com rendimento não são empresas de pagamentos. Eles operam mais como fundos de mercado monetário tokenizados. Dessa forma, o mercado já se divide em duas faixas: tokens para movimentação e tokens para retorno financeiro.

Impasse no CLARITY Act ameaça definição regulatória

Essa divisão está no centro do debate sobre o CLARITY Act. O projeto passou pela Câmara dos Representantes em julho de 2025. Contudo, permanece travado no Senado.

O GENIUS Act, legislação complementar, proíbe emissores de pagar juros diretamente aos detentores. Entretanto, permite que plataformas de terceiros, como exchanges, ofereçam rendimento. Essa brecha transformou os rendimentos de stablecoins no tema mais polêmico da legislação sobre ativos digitais.

A American Bankers Association alerta que stablecoins com rendimento podem desviar depósitos do sistema bancário. Bancos regionais e comunitários precisariam substituir financiamento barato por captação no mercado atacadista. Isso comprimiria margens e reduziria a oferta de crédito.

Por outro lado, empresas como a Coinbase argumentam que proibir rendimentos sufoca a inovação. A empresa afirma que emissores lucram com reservas, mas os usuários não recebem nada em troca. Além disso, defende que os próprios bancos poderiam participar dessa oportunidade.

Janela legislativa se fecha rapidamente

A Casa Branca realizou diversas reuniões desde o início do ano para resolver o impasse. No entanto, nenhuma proposta de compromisso surgiu até agora. O senador Tim Scott, presidente do Comitê Bancário do Senado, ainda não agendou a votação em comitê.

Justin Slaughter, vice-presidente de assuntos governamentais da Paradigm, explicou a urgência. Uma votação no plenário do Senado geralmente exige duas a três semanas de preparação. Portanto, o projeto precisaria sair do comitê até meados de maio para chegar ao plenário antes do Memorial Day.

Se o prazo for perdido, o calendário legislativo se torna hostil. Longos recessos estão previstos de 10 de agosto a 11 de setembro e de 5 de outubro até as eleições em 3 de novembro.

O senador Thom Tillis confirmou que a versão mais recente do texto sobre rendimentos de stablecoins não será divulgada esta semana. Ele trabalha com a senadora Angela Alsobrooks em uma proposta para resolver a disputa.

As apostas no Polymarket refletem essa incerteza. A probabilidade de aprovação do projeto caiu para 66%, ante mais de 82% em fevereiro.

Mercado não espera por Washington

Patrick Witt, diretor executivo do Conselho de Assessores para Ativos Digitais da Presidência, fez um alerta claro. Segundo ele, os players dominantes em cripto continuam sendo estrangeiros. Isso vale para emissores de stablecoins, exchanges centralizadas e protocolos DeFi.

Witt advertiu que, sem um arcabouço regulatório duradouro, os Estados Unidos continuarão perdendo terreno no setor. Enquanto isso, o mercado segue avançando sem esperar pela definição do Congresso.

Dólares tokenizados estão escalando primeiro. O Congresso ainda debate quem deve lucrar com eles. O fato de que stablecoins batem recorde após recorde deixa claro que a demanda não depende de permissão legislativa.

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