O Senado dos Estados Unidos não incluiu o CLARITY Act na agenda legislativa para a semana de 15 de abril de 2026, gerando incerteza sobre o futuro do projeto e derrubando os preços das principais criptomoedas. Bitcoin, Ethereum e XRP registraram quedas expressivas na sessão desta quarta-feira, refletindo a frustração do mercado com o adiamento.
O projeto é visto como o mais importante avanço regulatório para o setor cripto nos Estados Unidos desde a aprovação dos ETFs de Bitcoin à vista em janeiro de 2024. Analistas alertam que, se o CLARITY Act perder a janela de aprovação em abril, sua tramitação pode se estender por meses ou ser completamente inviabilizada no calendário legislativo do ano.
O que é o CLARITY Act e por que ele importa
O CLARITY Act é uma proposta bipartidária que busca definir, de forma clara e definitiva, quais ativos digitais são classificados como valores mobiliários — sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (SEC) — e quais são considerados commodities, caindo na alçada da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC).
A ausência dessa definição tem sido um dos principais obstáculos ao crescimento institucional do setor nos EUA. Sem saber sob qual regulador cada token se enquadra, exchanges, fundos e custodiantes operam em constante risco legal. A aprovação do projeto sinalizaria segurança jurídica e, na avaliação de gestoras como a Bitwise, poderia desencadear uma nova onda de produtos financeiros baseados em criptomoedas.
Reação dos preços
O Bitcoin recuava para US$ 74.295 no momento desta publicação, após ter tocado US$ 75.689 no dia anterior. O Ethereum operava a US$ 2.314, com queda de 2,45% nas últimas 24 horas. O Índice de Medo e Ganância — indicador que mede o sentimento do mercado cripto — marcava 11 pontos, na faixa de “medo extremo”.
Apesar da correção do dia, analistas técnicos apontam que o Ethereum pode estar formando um padrão de bandeira de alta no gráfico diário.
Avanços regulatórios acontecem em outras frentes
Embora o CLARITY Act enfrente obstáculos no Senado, o ambiente regulatório americano para criptomoedas avançou em outras áreas nos últimos meses. Em 11 de março de 2026, a SEC e a CFTC assinaram um Memorando de Entendimento estabelecendo um framework de coordenação conjunta para supervisão do setor. Em 17 de março, as duas agências publicaram uma interpretação conjunta esclarecendo como as leis federais de valores mobiliários se aplicam a criptoativos.
No mesmo período, o Escritório do Controlador da Moeda (OCC) concedeu aprovação condicional à Coinbase. Ela agora pode operar como empresa fiduciária federal. Segundo analistas, pode abrir caminho para que a exchange ofereça serviços de custódia para investidores institucionais sob um arcabouço regulatório mais sólido.
Paquistão libera bancos para operar com cripto
Em contramão ao impasse americano, o Paquistão encerrou uma proibição de sete anos e passou a permitir que bancos prestem serviços a provedores de criptomoedas. O país enviou comunicado oficial a todas as instituições financeiras autorizando o atendimento ao setor, embora bancos e corretoras permaneçam impedidos de negociar ou custodiar ativos digitais por conta própria.
O que o investidor brasileiro deve observar
Para o investidor brasileiro exposto a criptomoedas, o atraso na aprovação do CLARITY Act é um fator de atenção no curto prazo. Historicamente, avanços regulatórios nos Estados Unidos influenciam diretamente o fluxo de capital para o setor e, consequentemente, os preços dos principais ativos digitais.
A indefinição regulatória americana também afeta indiretamente o Brasil, pois parte das corretoras nacionais opera com liquidez conectada aos mercados internacionais. Manter-se informado sobre o andamento do projeto no Congresso americano pode ser relevante para decisões de alocação e gestão de risco nos próximos meses.





